
Dívida pública dos EUA ultrapassa 40 biliões de dólares
O ritmo de endividamento é o mais acelerado da história recente, contrariando as promessas de consolidação orçamental de Donald Trump e pressionando os mercados de obrigações globais.
A dívida do governo federal dos Estados Unidos superou os 40 biliões de dólares, segundo o Financial Times, num momento em que a despesa pública continua a crescer a um ritmo que a própria administração Trump prometeu travar. O marco representa um aviso directo para qualquer investidor exposto a activos denominados em dólares ou a obrigações soberanas americanas.
O aumento acontece agora porque a combinação de cortes fiscais, despesa discricionária elevada e custos crescentes com juros da dívida já existente cria um efeito de bola de neve que os sucessivos orçamentos não têm conseguido conter. Com a Reserva Federal a manter taxas de juro historicamente elevadas, o custo de financiamento da dívida nova é substancialmente mais caro do que o da dívida que vai vencendo, o que agrava o défice estrutural sem qualquer choque adicional de despesa.
Para quem tem capital investido, as implicações são imediatas em várias frentes. As obrigações do Tesouro americano continuam a ser o activo de referência global, mas uma trajectória de dívida insustentável aumenta o prémio de risco exigido pelos investidores, o que faz descer os preços dos títulos já emitidos. Em simultâneo, um dólar pressionado pela deterioração fiscal tende a valorizar activos alternativos, do ouro a determinadas divisas europeias, incluindo o euro.
Para Portugal e Espanha, o canal de contágio mais relevante é o das condições de financiamento na zona euro: se os yields americanos subirem para atrair compradores, os spreads da dívida periférica europeia tendem a alargar-se por comparação, encarecendo o crédito soberano e corporativo na Península Ibérica.
O que continua em aberto é saber se o Congresso americano vai impor qualquer travão real à trajectória de despesa, ou se o debate do tecto da dívida - que regressa ciclicamente - produzirá desta vez algum ajustamento estrutural. Não há, por enquanto, sinal de que a administração Trump disponha de maioria para cortes suficientemente profundos, nem de que os mercados estejam ainda a exigir essa disciplina com a urgência que os números sugerem.



