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Financial Times

Irão ameaça 46 navios e aperta o nó no Estreito de Ormuz

Teerão combina ameaças directas à navegação com sanções secundárias dos EUA, colocando Índia, China e Rússia no centro do próximo acto da crise.

O Irão ameaçou 46 navios que transitaram o Estreito de Ormuz com multas ou confisco, alegando violação de protocolos de navegação, segundo o Financial Times. A medida surge em simultâneo com a promessa de Teerão de retaliar contra qualquer país que coopere com as novas sanções norte-americanas, de acordo com o The Guardian.

O timing não é acidental. Washington reforçou as sanções secundárias, ou seja, penalizações aplicadas a terceiros que façam negócio com o Irão, numa tentativa de estrangular as exportações de petróleo persas. A resposta de Teerão é dupla: pressão militar sobre a rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial e pressão diplomática sobre os países que Washington quer recrutar para o seu lado.

O teste real recai sobre Índia, China e Rússia. Os três são compradores significativos de crude iraniano e têm historicamente contornado sanções norte-americanas quando o custo económico de as cumprir supera o custo político de as ignorar. Segundo o The Guardian, a questão central é se as ameaças de Washington são suficientemente credíveis para alterar esse cálculo.

Para quem tem capital investido na região ou exposto a energia, o cenário imediato é de prémios de risco mais elevados. O Financial Times reporta que a Arábia Saudita está já em negociações para obter seguros de guerra patrocinados pelo Estado, depois de seguradoras privadas terem aumentado preços ou restringido cobertura para navios e empresas na zona. Qualquer escalada no Estreito de Ormuz transmite-se directamente ao Brent e, por extensão, à inflação de energia na Europa.

O que continua em aberto é a disposição real de Teerão para executar as ameaças sobre os 46 navios, e a resposta concreta de Pequim e Nova Deli às sanções secundárias. Sem saber se a Índia reduz importações de crude iraniano e se a China absorve o excedente, é impossível calibrar o impacto efectivo sobre as receitas de Teerão e sobre os preços do petróleo nos mercados internacionais.

Futebol

Palhinha de volta a Lisboa, mas pelo rival

O médio internacional fez os testes médicos no Benfica e deverá não regressar ao Bayern de Munique, segundo o Record.

João Palhinha está a caminho do Benfica. O médio internacional português submeteu-se aos testes médicos exigidos pelo clube da Luz antes de assinar contrato, de acordo com o Record, e a sua ligação ao Bayern de Munique deverá ficar encerrada sem regresso.

A transferência representa um reforço de peso para o meio-campo encarnado. Palhinha, de 29 anos, foi uma das figuras da selecção nacional e afirmou-se no futebol alemão como um dos melhores médios defensivos da Bundesliga. Chegar ao campeonato português nesta fase da carreira é uma escolha que o próprio terá de justificar em campo.

Do lado do Sporting, o nome que preenche as notícias é o de João Matos, mas pela negativa. O internacional de futsal revelou ao Record que o clube de Alvalade não quis renovar o seu contrato, obrigando-o a tomar decisões sobre o final da carreira. Kochorashvili, médio georgiano que representou o Sporting, disse estar 'encantado' com o Sevilha e descreveu a mudança para Espanha como 'o momento perfeito para mostrar quem sempre quis ser'.

Na Liga Portugal, os lances da terceira jornada continuam a ser analisados. O árbitro espanhol reformado Iturralde González considerou correctos os golos anulados no Estádio do Dragão, bem como os cartões amarelos mostrados a Maxi e Suárez, segundo o Record.

No mercado, o Alverca contratou Zé Rafael, médio brasileiro bicampeão sul-americano que estava sem clube após deixar o Santos. Fora de Portugal, Gustavo Varela, vendido pelo Benfica ao Monza, marcou três golos em dois jogos na Serie A.

F1 & Ténis

Norris vence em Zandvoort e Verstappen sai pela porta errada

O Grande Prémio da Holanda foi o último em Zandvoort e deixou mais perguntas do que respostas a Ferrari, Mercedes e Red Bull.

Lando Norris ganhou pela segunda vez consecutiva em 2026, depois de ter vencido na Hungria antes da pausa de Verão. A vitória em Zandvoort, segundo a Formula 1, deveu-se à capacidade do britânico de gerir um asfalto parcialmente húmido no arranque - condições que penalizaram quem apostou na agressividade no primeiro stint.

O que passou mais despercebido: a McLaren não dominou de forma confortável. Oscar Piastri terminou em sexto, sem explicação clara para a perda de ritmo na segunda metade da corrida. O próprio piloto australiano admitiu, segundo a Formula 1, não ter respostas para o que aconteceu. Com Norris a somar pontos e Piastri estagnado, a dinâmica interna da equipa começa a ter peso no campeonato.

Na Ferrari, o episódio mais ruidoso foi o rádio de Lewis Hamilton a criticar a estratégia da equipa. Fred Vasseur defendeu as opções tomadas, mas Charles Leclerc, quinto classificado a 1,3 segundos do pódio, admitiu que a corrida se perdeu na grelha de partida - a posição de saída foi determinante num circuito onde ultrapassar é estruturalmente difícil. O dado técnico relevante: a Ferrari tinha ritmo de corrida para o pódio, mas não posição para o executar.

Na Red Bull, o fim-de-semana foi descrito pelo director de equipa Laurent Mekies como um 'passo atrás', segundo a Formula 1. Verstappen saiu de pista e abandonou em casa, num circuito onde era favorito histórico. O substituto Liam Lawson terminou em sétimo - desempenho sólido em contexto difícil, mas insuficiente para disfarçar o problema maior.

A Mercedes inverteu a ordem entre Kimi Antonelli e George Russell nos últimos metros, com Toto Wolff a explicar a decisão como 'consequência lógica' da estratégia. O mesmo Wolff admitiu, segundo a Motorsport, que a equipa 'não tem dinheiro' para acompanhar o ritmo de desenvolvimento de McLaren e Ferrari - uma declaração que, dita pelo patrão de uma das maiores equipas da grelha, define bem o estado do campeonato em 2026.

O incidente entre Nico Hulkenberg e Gabriel Bortoleto, com o carro do brasileiro em derrapagem a alta velocidade, ficou sem consequências graves. Hulkenberg descreveu-o como assustador e atribuiu o desfecho a uma combinação de sorte e reflexo, de acordo com a Motorsport.

Mercados & Economia
Movimento da sessão por posiçãoSESSÃO (%)EMIM iShares MSCI EM IMI-1.04%SPXS Invesco S&P 500-0.23%MEUD Amundi Stoxx Europe -0.12%VGEA Vanguard EUR Govt Bo-0.12%IBCI iShares € Inflation -0.12%XEON Xtrackers €STR-0.02%TOTAL-0.30%
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Yields americanos resistem à intervenção do Tesouro

Scott Bessent anunciou recompras de obrigações para baixar as yields, mas o mercado não cedeu; o EUR/USD renovou máximos de três meses antes de recuar ligeiramente.

A semana arrancou com o mercado obrigacionista americano a testar a paciência da administração Trump. Segundo o The Guardian, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou recompras de treasuries com o objectivo de elevar os preços e comprimir as yields - um mecanismo que funciona quando há escassez de compradores privados dispostos a absorver nova emissão. O problema é que a operação não está a surtir efeito: os yields mantêm-se elevados, o que sugere que o mercado continua a exigir um prémio de risco crescente para financiar o défice federal.

A leitura é relevante para qualquer investidor em euros. Um yield a dez anos que não cede - o Tesouro a dez anos fechou a ceder 0,46% no preço, o que equivale a yields mais altas - atrai capital para dólares, mas um dólar mais fraco corta nos dois sentidos: reduz o retorno de activos americanos quando convertidos para euros e encarece as matérias-primas cotadas em dólares. O EUR/USD renovou máximos de três meses antes de recuar 0,12%, segundo o Jornal de Negócios.

Na Europa, a Euribor subiu nos prazos a três e seis meses, de acordo com o Jornal de Negócios, enquanto em França o ministro das Finanças, Lescure, avisou que o programa de Mélenchon destruiria a credibilidade de Paris junto dos credores e faria disparar os custos de financiamento do país. O mecanismo é o mesmo de sempre: quando um governo sinaliza indisciplina orçamental, os investidores exigem spread adicional na dívida soberana, pressionando a parte longa da curva. O BCE, pela voz do membro do Conselho Piero Cipollone em entrevista ao ilsussidiario.net, não alterou a mensagem de cautela.

Na carteira, o dia foi integralmente negativo. O EMIM liderou as perdas com -1,04%, pressionado pela queda do Nikkei 225 (-0,74%) e pela aversão ao risco nos emergentes. O SPXS e o MEUD perderam 0,23% e 0,12% respectivamente, apesar de o S&P 500 ter fechado a subir 0,43% - o desfasamento explica-se pelo câmbio: um EUR/USD mais forte penaliza a conversão do retorno americano para euros. O ouro subiu 2,40%, mas a carteira não tem exposição directa ao metal.

O sleeve mais subponderado continua a ser o VGEA, com um desvio de -10,0 p.p. face ao alvo de 28%. Num contexto em que os yields americanos resistem à compressão e a Euribor sobe nos prazos curtos, a dívida soberana em euros de longa duração permanece pressionada - o que explica o -0,12% de hoje. Ainda assim, é exactamente o sleeve de lastro e duração que o plano prevê reforçar quando o desvio é desta magnitude, deixando a questão do momento para a próxima contribuição mensal.

Tecnologia
TechCrunch

Ox Alpha: modelo em sigilo agita mercado sem revelar origem

A especulação sobre a autoria do modelo expõe como a opacidade se tornou estratégia de lançamento, mas sem dados técnicos verificáveis a consequência empresarial fica suspensa.

Um modelo de linguagem identificado como Ox Alpha circula em fóruns técnicos e redes sociais sem que a sua origem esteja confirmada, segundo o TechCrunch. A publicação descreve o caso como um 'frenesi de especulação' mas não conseguiu apurar quem está por trás do projecto nem quais as capacidades reais do sistema.

A ausência de documentação técnica pública - arquitectura, dados de treino, contexto de inferência - impede qualquer avaliação de consequência empresarial. Modelos sem ficha técnica verificável não entram em ciclos de procurement sérios, e a falta de atribuição levanta questões de responsabilidade que o AI Act, em vigor na UE, torna juridicamente relevantes.

Do lado da regulação europeia, a Comissão Europeia realizou esta semana o pitching day do Apply AI Startup Award, iniciativa que distingue startups a implantar IA em contexto operacional real. O evento não produziu, até ao momento de publicação, resultados ou vencedores divulgados publicamente.

No plano jurídico, o TechCrunch publicou uma análise sobre a legalidade do treino de modelos com livros protegidos por direitos de autor. A conclusão é que a questão permanece sem resolução clara nos tribunais, com processos em curso nos Estados Unidos que ainda não produziram jurisprudência definitiva. Para empresas europeias, a excepção de mineração de texto e dados prevista na Directiva DSM acrescenta uma camada de complexidade adicional quando os dados de treino cruzam jurisdições.

O material disponível esta semana não inclui anúncios com substância arquitectural verificável nos ecossistemas Salesforce, Microsoft, Google ou ServiceNow.

Portugal & Espanha
El País

Crise de Ceuta chega ao Conselho de Segurança Nacional espanhol

Sánchez convocou o órgão 26 dias após o início da vaga migratória; Ceuta receberá 25 000 doses de vacinas para prevenir doenças infecciosas.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, convocou o Conselho de Segurança Nacional para tratar a crise migratória de Ceuta, segundo o El País, 26 dias depois de milhares de pessoas terem atravessado a fronteira a partir de Marrocos.

O Ministério da Sanidade e as comunidades autónomas activarão o mecanismo de solidaridade para enviar à cidade autónoma 25 000 doses de vacinas contra sarampo, difteria, tétano, varicela e poliomielite, de acordo com a mesma fonte.

O Partido Popular pediu que os funcionários trabalhem 'manhã, tarde e noite' para expulsar os migrantes que permanecem em Ceuta, intensificando a pressão sobre o executivo socialista.

A situação coloca em evidência as tensões entre Madrid e Rabat, com implicações directas para a gestão das fronteiras externas da União Europeia no sul da Península Ibérica - espaço que Portugal acompanha de perto dado o fluxo de pessoas que transita também pela rota atlântica.

Fontes: El País, El País
Europa & EUA
Politico Europe

França a caminho de um duelo entre extremos em 2027

Le Pen regressa à corrida presidencial depois de reabilitada judicialmente, enquanto Mélenchon sobe nas sondagens e Glucksmann obriga a âncora de televisão a abandonar o posto.

A corrida presidencial francesa de 2027 toma forma como um confronto entre os extremos do espectro político. Segundo uma sondagem citada pelo Politico Europe, Jean-Luc Mélenchon, líder da esquerda radical, ganha terreno e torna cada vez mais provável um segundo turno que exclua os partidos do centro.

Marine Le Pen, cujo afastamento da corrida parecia consumado após condenação judicial, foi reabilitada e regressa como candidata. De acordo com uma análise do Guardian assinada por Mujtaba Rahman, Le Pen apresenta-se agora como uma força mais formidável do que o seu substituto Jordan Bardella alguma vez foi.

No campo socialista, Raphaël Glucksmann formalizou a candidatura e provocou uma consequência imediata na televisão pública: a sua companheira Léa Salamé abandonou a apresentação do telejornal das 20h, segundo o Politico Europe, para evitar um conflito de interesses.

O cenário que emerge em Paris é o de um eleitorado fragmentado entre três blocos - esquerda radical, centro e extrema-direita - sem que nenhum reúna condições claras de maioria, o que torna o resultado de abril de 2027 genuinamente imprevisível.

O Vigia · as quatro medalhas do dia
As quatro medalhas do diaOUROPRATABRONZELATA
João Palhinha
Ouro
João Palhinha
O médio que foi à Bundesliga provar que era bom e voltou a Lisboa provar que é português.
Testes médicos no Benfica concluídos; saída do Bayern confirmada sem regresso.
Aos 29 anos, trocar Munique pela Luz é uma aposta que só o campo valida. Por enquanto, é a contratação do verão em Portugal.
Péter Magyar
Prata
Péter Magyar
O advogado que derrubou Orbán e agora tem de desmontar o que Orbán construiu, peça por peça.
Três meses no poder, processo de de-orbánização a ritmo acelerado com mais de dez mil milhões de euros da UE em jogo.
Governar contra uma herança corrupta com relógio a contar é difícil. Magyar está a correr. O mérito é real.
Bronze
Léa Salamé
Jornalista de televisão francesa que descobriu que amor e isenção não cabem no mesmo pivot.
Abandonou a apresentação do telejornal das 20h após Glucksmann formalizar candidatura presidencial.
A decisão é correcta e custou-lhe o posto. Num país onde os conflitos de interesses raramente incomodam alguém, isto distingue-se.
Pedro Sánchez
Lata
Pedro Sánchez
Presidente de governo que confunde urgência com calendário e chama reunião de crise quando a crise já tem um mês.
Convocou o Conselho de Segurança Nacional 26 dias depois de a fronteira de Ceuta ter cedido.
Vinte e seis dias. Tempo suficiente para vacinar, expulsar e reunir - mas ele fez as três coisas pela ordem errada.
O Farol · edição de segunda-feira, 24 de agosto de 2026 · gerado às 15:26 · arquivo · PDF
Fotografias creditadas aos respectivos autores. Nenhuma fotografia de actualidade é gerada por IA — o retrato de José Leonelas é a ilustração de um colunista fictício.