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Manchete
Financial Times

Nvidia prevê crescimento de 70% e reforça domínio na IA

Os resultados trimestrais da fabricante de chips superam as expectativas de Wall Street e alimentam uma reavaliação das yields do Tesouro americano.

A Nvidia anunciou uma previsão de crescimento de vendas na ordem dos 70%, impulsionada pela procura ininterrupta de chips para inteligência artificial, segundo o Financial Times. A empresa rebateu ainda críticas sobre os chamados acordos de 'financiamento circular', que alegadamente inflacionam artificialmente a receita, insistindo que os números reflectem procura real de clientes.

O momento não é neutro. Os resultados chegam numa semana em que os investidores debatem o significado das yields das obrigações do Tesouro americano a longo prazo, que continuam elevadas. O FT argumenta que o mercado não está a sinalizar inflação persistente, mas sim uma revisão em alta das expectativas de crescimento económico estrutural nos Estados Unidos - exactamente o tipo de ambiente que justifica a valorização de empresas com exposição directa à expansão da infraestrutura de IA.

Para quem tem capital investido, a leitura é dupla. Por um lado, a Nvidia confirma que o ciclo de investimento em IA não abrandou: os grandes fornecedores de serviços na nuvem continuam a encomendar hardware a um ritmo que sustenta margens excepcionais. Por outro lado, yields mais altas por razões de crescimento encarecem o financiamento e pressionam as avaliações de empresas de alto múltiplo - o que inclui a própria Nvidia.

Em paralelo, o FT nota que os robôs humanóides, apesar do ruído mediático, ainda não provaram utilidade industrial em escala. O valor real da robótica continua nos sistemas industriais especializados, menos fotogénicos mas mais rentáveis - um dado relevante para quem pondera exposição ao sector.

O que continua em aberto é a questão do 'financiamento circular': se reguladores ou analistas independentes concluírem que parte da receita da Nvidia depende de empréstimos que os próprios clientes usam para pagar os chips, a narrativa de crescimento orgânico muda de figura. A empresa negou, mas não apresentou uma decomposição detalhada da origem dos contratos. Enquanto essa clareza não chegar, o número dos 70% pede cautela na leitura.

Mercados & Economia

BCE hesitou em julho; tarifas a chips agitam mercados

As actas do BCE revelam divisão sobre o ritmo de cortes, enquanto Washington estuda novas tarifas sobre semicondutores e a carteira perde 0,24% num dia misto.

As actas da reunião de 22 e 23 de julho do Banco Central Europeu, publicadas esta quarta-feira, mostram que o conselho voltou a debater o ritmo adequado de afrouxamento monetário. Segundo o BCE, vários membros sublinharam que a desinflação está no caminho certo, mas que a incerteza geopolítica e as tarifas americanas justificam cautela antes de cada decisão. O mercado leu o documento como ligeiramente hawkish: a parte longa da curva soberana europeia resistiu, o que explica a queda de 0,36% no VGEA - o sleeve de dívida soberana em euros da carteira. Quando o mercado desconta menos cortes futuros, os preços dos títulos de maior duração caem, e o VGEA, com sensibilidade elevada à taxa longa, absorve esse ajuste directamente.

Do outro lado do Atlântico, a administração Trump estuda uma nova ronda de tarifas sobre semicondutores, de acordo com o The Guardian. A medida preocupa as empresas tecnológicas americanas, que alertam para o risco de comprometer a liderança dos EUA em inteligência artificial - precisamente o sector que impulsionou os resultados recentes da Nvidia. O S&P 500 subiu mesmo assim 0,61%, apoiado noutros sectores, mas o Stoxx 600 cedeu 0,78%: a Europa é mais exposta à cadeia de fornecimento de chips e ao abrandamento do comércio global.

O ouro avançou 1,15%, reflectindo a procura de refúgio num dia em que o EUR/USD recuou 0,17% e o Brent perdeu 0,71%. Um dólar mais forte penaliza as matérias-primas cotadas em dólares - o petróleo caiu por esse efeito combinado com sinais de procura moderada. Para um investidor em euros, um dólar mais forte reduz o rendimento cambial dos activos americanos quando convertidos, mas também encarece as importações denominadas em dólares, alimentando pressão inflacionista residual na zona euro.

Na carteira, o MEUD foi o principal detractor, com -0,73%, em linha com a queda do Stoxx 600. O EMIM foi a excepção positiva, com +0,84%, beneficiando do apetite por risco nos mercados asiáticos - o Nikkei subiu 0,62% - e da resiliência dos emergentes face à volatilidade europeia. O IBCI perdeu apenas 0,13%, comportando-se como amortecedor, como é esperado num dia em que a inflação implícita não se move de forma brusca.

O sleeve mais subponderado continua a ser o XEON, com um desvio de -8,0 pontos percentuais face ao alvo de 8%. A liquidez em €STR ficou praticamente plana (+0,01%), o que é o seu papel: preservar pó seco. Num contexto em que o BCE mantém cautela e a volatilidade tarifária pode criar oportunidades de entrada mais favorável noutros sleeves, a subponderação do XEON sugere que o próximo reforço mensal poderá ser orientado para repor essa almofada de liquidez antes de a realocar.

Fontes: BCE, The Guardian
Tecnologia
Salesforce

Claudeforce e resultados do Q2 dominam dia da Salesforce

A parceria com a Anthropic traz raciocínio do Claude directamente à plataforma Agentforce, enquanto os resultados trimestrais mostram aceleração do cRPO a 14% em moeda constante.

A Salesforce anunciou a 26 de Agosto a Claudeforce, uma parceria alargada com a Anthropic que integra o modelo Claude nos fluxos de trabalho, lógica de negócio e camada de governação da plataforma Salesforce. Segundo o comunicado conjunto, o objectivo é permitir que agentes e utilizadores accionem processos empresariais directamente a partir do Claude, sem saírem do contexto do CRM.

A escolha arquitectural é relevante: em vez de expor o Claude como modelo alternativo dentro do Agentforce, a integração posiciona a plataforma Salesforce como camada de contexto e confiança sobre a qual o modelo opera. Dados, orquestrações e controlos de acesso ficam do lado da Salesforce; o raciocínio fica do lado da Anthropic.

No mesmo dia, a empresa divulgou os resultados do segundo trimestre do ano fiscal de 2027. O cRPO cresceu 14% em termos homólogos em moeda constante, e a Salesforce elevou a orientação de receitas para o ano inteiro em 200 milhões de dólares, ou 300 milhões em moeda constante, segundo o comunicado de resultados.

Separadamente, a Salesforce publicou um balanço de um ano do seu agente interno de recursos humanos, com 70 000 utilizadores activos. O documento identifica dois factores críticos de adopção: a localização do agente dentro dos fluxos de trabalho existentes e a estrutura da informação a que tem acesso. A empresa descreve-se como "customer zero" do próprio produto, o que torna o caso relevante para quem avalia implantações em escala.

Um estudo da Salesforce a 2 025 responsáveis por projectos de agentes indica que o número de implantações mais do que duplicou no último ano, mas que ser o primeiro a lançar não garante retorno mais rápido. Segundo os dados da plataforma citados no estudo, retalhistas com agentes activos cresceram as vendas online a quatro vezes a taxa dos que não os usaram.

Portugal & Espanha
El País

BCE adia subida de juros para setembro sob pressão interna

As atas da reunião de julho revelam que uma minoria de governadores queria apertar já a política monetária, mas cedeu ao adiamento.

Alguns membros do conselho de governadores do Banco Central Europeu defendiam uma segunda subida dos juros directores na reunião de 23 de Julho, mas aceitaram adiar a decisão para depois do Verão, segundo as atas publicadas esta quinta-feira e citadas pelo Expresso.

O BCE já tinha subido as taxas na reunião anterior, e a ala mais hawkish considerava que a inflação na zona euro justificava novo aperto imediato. A maioria preferiu aguardar dados de Verão antes de se comprometer.

A decisão de setembro será determinante para o mercado imobiliário ibérico: qualquer nova subida encarece o crédito à habitação, num momento em que Lisboa e Madrid registam pressão crescente sobre os preços e os arrendamentos. O Euribor a 12 meses mantém-se como referência para a maioria dos contratos de crédito variável em Portugal.

Em paralelo, o debate interno no PSD sobre energia nuclear para alimentar data centers, noticiado pelo Público, sublinha como as decisões de política energética em Portugal surgem cada vez mais ligadas à atracção de investimento tecnológico estrangeiro, com implicações fiscais e regulatórias ainda por definir.

Fontes: Expresso, Público
Europa & EUA
Politico Europe

Von der Leyen pede orçamento de 2 biliões para autonomia europeia

A proposta da Comissão colide com uma frente liderada pela Alemanha que exige cortes de centenas de mil milhões de euros.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou um plano de despesa de 2 biliões de euros para o próximo quadro financeiro plurianual, argumentando que o orçamento comunitário deve financiar a independência estratégica do bloco face aos Estados Unidos e à China, segundo o Politico Europe.

A proposta surge num momento em que vários Estados-membros, com a Alemanha à cabeça, pressionam Bruxelas para cortes de centenas de mil milhões de euros, criando uma linha de fractura que deverá dominar as negociações orçamentais nos próximos meses.

Em paralelo, um grupo de países pesados da União Europeia pediu à Comissão que retome o debate sobre a utilização dos activos russos congelados para financiar a Ucrânia, que enfrenta uma lacuna de 23 mil milhões de euros no orçamento de defesa, de acordo com a mesma fonte.

A França acrescenta pressão ao quadro fiscal europeu: Paris recuou nos planos de redução do défice para 2027, mantendo-o nos 5 por cento, o que torna improvável o cumprimento dos compromissos assumidos com Bruxelas, segundo o Politico Europe.

Futebol

Kochorashvili sai, Sporting e Porto conhecem rivais na Champions

O médio georgiano despede-se de Alvalade sem arrependimentos enquanto os dois clubes portugueses ficam a saber com quem jogam na fase regular da Liga dos Campeões.

Giorgi Kochorashvili fechou o capítulo sportinguista com uma declaração que não deixa margem para ambiguidade. Transferido para o Sevilha neste mercado de verão, o internacional georgiano disse ao Record que, se lhe perguntassem hoje, não mudaria a decisão. Saída confirmada, sem drama, sem porta aberta.

O Sporting conhece entretanto os adversários da fase regular da Liga dos Campeões. O clube de Alvalade está no Pote 2 do sorteio, o que significa que não pode defrontar o FC Porto nesta fase. Os grupos concretos não estavam ainda detalhados no material disponível, mas o sorteio decorreu esta quarta-feira.

No plano doméstico, o Rio Ave prepara-se para receber o Sporting. O treinador Sotiris Silaidopoulos foi directo ao Record: 'É importante marcar primeiro.' A receita é conhecida - pressão alta, golo cedo, fechar o jogo - e o Sporting terá de a desmontar.

O FC Porto, por seu lado, acumulou mais de 15 mil euros em multas referentes ao jogo com o Arouca, segundo o Record. A causa: comportamento do público. Os dragões estão também no Pote 2 da Champions e aguardam adversários à semelhança do Sporting.

Na Champions, Matteo Guendouzi, médio do Fenerbahçe, justificou as provocações aos adeptos do Lyon após o apito final: 'Sessenta mil pessoas insultaram a minha mãe', disse ao Record. O episódio gerou momentos de grande tensão e agressões no final do encontro.

Fora do futebol, a UEFA avançou com acção judicial contra a FIFA, numa disputa aberta com Gianni Infantino. Segundo o Record, a informação recolhida pode ser usada num possível processo criminal na Suíça contra o presidente da FIFA.

F1 & Ténis

Antonelli penalizado em Monza, Norris encurta distância no campeonato

A decisão de trocar a unidade de potência do líder do campeonato abre uma janela a Norris, que venceu as últimas duas corridas e reduziu o défice para território recuperável.

Toto Wolff confirmou em Zandvoort que Kimi Antonelli arrancará do fundo da grelha em Monza depois de a Mercedes ter decidido introduzir uma nova unidade de potência. A penalização chega num momento particularmente inoportuno para o jovem piloto: Lando Norris venceu na Hungria e nos Países Baixos e está a pressionar a liderança do campeonato de forma que, há um mês, parecia improvável.

Segundo a Motorsport, a McLaren considera que Norris evoluiu ainda mais desde que conquistou o título de 2025. A equipa de Woking chegou ao GP da Hungria com os dois pilotos combinados abaixo dos 204 pontos de Antonelli - uma situação que se inverteu com a recuperação do britânico. A penalização de Monza é, portanto, um acelerador inesperado nesta recomposição do campeonato.

No mercado de pilotos, a Alpine fechou a questão mais em aberto da grelha ao confirmar a extensão do contrato de Franco Colapinto para 2027. O argentino, que chegou à equipa de Enstone como substituto de reserva, mantém o lugar ao lado de Pierre Gasly. De acordo com a Formula 1, a decisão reflecte o desempenho de Colapinto desde que assumiu o lugar a tempo inteiro. A Haas, por seu lado, ainda não definiu a sua grelha para 2027: o chefe de equipa Ayao Komatsu disse que a equipa não está 'com pressa' para decidir.

Na Williams, James Vowles identificou uma característica que considera única em Carlos Sainz: a capacidade de articular com precisão o que o carro necessita e de orientar o desenvolvimento técnico mesmo quando os resultados ficam aquém. Luke Browning fará a sua segunda aparição da época na sessão de treinos livres 1 do GP de Itália, substituindo um dos titulares da equipa.

Em Cadillac, Sergio Perez admitiu que as últimas corridas foram 'uma desilusão', reconhecendo que a equipa não progrediu tanto quanto esperava após um início de época promissor. Perez acredita que existe ainda margem para recuperar cerca de um segundo de rendimento até ao final de 2026.

O Vigia · as quatro medalhas do dia
As quatro medalhas do diaOUROPRATABRONZELATA
Salesforce
Ouro
Salesforce
A empresa que convenceu o mundo empresarial de que gerir clientes é uma arte que vale 300 mil milhões de dólares.
cRPO cresce 14% em moeda constante e a parceria Claudeforce com a Anthropic posiciona a plataforma como camada de confiança sobre IA.
Trimestre sólido e arquitectura inteligente: deixar o raciocínio para a Anthropic e ficar com os dados é exactamente o negócio certo.
Prata
Giorgi Kochorashvili
O médio georgiano que passou por Alvalade sem deixar dívidas nem arrependimentos - raridade no futebol moderno.
Saiu para o Sevilha e disse ao Record que, se lhe perguntassem hoje, não mudaria a decisão.
Num desporto de saídas com drama encenado, a clareza tem o seu próprio mérito. Prata por não fingir.
Angela Eagle
Bronze
Angela Eagle
A secretária de Estado britânica do Ambiente que escolheu o Verão mais quente para dizer o que poucos ministros dizem.
Assinou coluna no Guardian a admitir três secas em cinco anos e a exigir acção climática sem eufemismos eleitorais.
Um ministro que usa a palavra 'crise' sem a rodear de almofadas merece nota. Mesmo que seja só uma coluna.
Nigel Farage
Lata
Nigel Farage
O populista profissional que passou três décadas a vender indignação com despesas pagas - agora investigado pelas suas próprias finanças.
Segundo o Guardian, os MPs aceitaram 400 mil libras em ofertas este ano, mas é Farage quem concentra as questões sobre contas duvidosas.
Construir uma carreira a gritar 'sistema corrupto' e acabar a explicar as próprias finanças é uma ironia que nem ele consegue vender.
O Farol · edição de quinta-feira, 27 de agosto de 2026 · gerado às 17:28 · arquivo · PDF
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