
Washington aperta cerco financeiro ao Irão via Dubai
Durante décadas, a cidade do Golfo serviu de porta offshore para o regime iraniano aceder a serviços financeiros e mercados globais. Essa porta começa a fechar-se.
A campanha norte-americana para isolar o Irão do sistema financeiro internacional está a chegar a um dos seus últimos refúgios operacionais: o Dubai, segundo o Financial Times. A cidade dos Emirados Árabes Unidos tornou-se, ao longo de décadas, o principal hub offshore para os serviços financeiros, o comércio e o acesso a mercados globais de que Teerão depende para contornar o regime de sanções.
O jornal descreve uma pressão renovada de Washington sobre essa infraestrutura, que permitiu ao Irão manter linhas de financiamento e trocas comerciais mesmo sob décadas de restrições formais. O Dubai funcionou como zona cinzenta: suficientemente ligado ao sistema financeiro ocidental para dar acesso a dólares e bancos correspondentes, mas suficientemente distante da jurisdição direta dos EUA para tolerar operações que Teerão não conseguiria fazer sozinho.
Para os Emirados, o dilema é conhecido mas cada vez mais apertado. Abu Dhabi cultiva uma relação estratégica com Washington, incluindo cooperação em defesa e tecnologia, ao mesmo tempo que o Dubai beneficia comercialmente da proximidade com o Irão, um vizinho do outro lado do Golfo Pérsico com o qual mantém fluxos de comércio informal significativos. Fechar essa válvula tem custo económico directo para a cidade, que se posiciona como centro financeiro regional aberto a capital de origens diversas.
O que ainda não está claro é até onde vai a pressão americana e que instrumentos serão usados: sanções secundárias sobre bancos e empresas do Dubai que processem transacções ligadas a entidades iranianas, ou algo mais limitado e simbólico. Também não se sabe qual será a resposta dos Emirados, que têm historicamente resistido a alinhar-se de forma total com qualquer das partes num Golfo onde a neutralidade comercial tem sido, até agora, um modelo de negócio rentável. Para quem tem exposição a mercados do Golfo, o desfecho desta pressão pode redesenhar rotas de capital que se mantiveram estáveis durante anos.




