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Manchete
Financial Times

Cheias no Nepal e Tibete deixam quase 3 000 desaparecidos

Governo nepalês admite reconstrução de milhares de milhões de dólares enquanto as buscas entram no quarto dia junto à fronteira com o Tibete.

O número de desaparecidos nas cheias que atingiram a fronteira entre o Nepal e o Tibete subiu para quase 3 000, segundo dados citados pelo The Guardian. O balanço oficial de mortos chega a 626 no Nepal, com sete óbitos confirmados do lado tibetano. As operações de busca e resgate entram esta sexta-feira no quarto dia, numa região montanhosa de difícil acesso.

Muitos dos desaparecidos são trabalhadores de projectos hidroeléctricos, segundo o Wall Street Journal, que sublinha o boom de construção de barragens no Nepal nos últimos anos. As equipas chinesas que alcançaram um dos postos fronteiriços encontraram, de acordo com o Guardian, 'nada além de ruínas', o que complica ainda mais a identificação de vítimas e a avaliação de danos em infra-estruturas.

Um ministro nepalês citado pelo Guardian estima que o custo da reconstrução se conte em milhares de milhões de dólares. Nepal pediu apoio internacional para identificar e conservar os corpos recuperados, num sinal da limitação de capacidade local face à escala da catástrofe. A coordenação com Pequim, que gere o lado tibetano da fronteira, torna-se central para o levantamento de danos e para a retoma de projectos energéticos suspensos.

O impacto para quem investiu no sector hidroeléctrico nepalês ainda não está quantificado. Barragens, linhas de transmissão e estaleiros nas zonas afectadas podem ter sofrido perdas que atrasam a entrada em funcionamento de capacidade que o país previa vender à rede regional, incluindo à India. Nenhuma fonte avançou, até agora, uma estimativa de quanta capacidade instalada ficou comprometida.

Continua em aberto o balanço final de mortos e desaparecidos, a extensão real dos danos à rede eléctrica nepalesa e quem financiará a reconstrução, se o próprio Estado, doadores internacionais ou os promotores privados dos projectos hidroeléctricos afectados. Também não está claro se as chuvas que provocaram as cheias voltarão a repetir-se antes do fim da época monçónica.

Opinião de um fanático
José Leonelas

Fui ao café com o 0-4 debaixo do braço e o genro só disse 'foi contra o Rio Ave', como se isso tirasse o mérito. Guardei o registo, não o rancor.

Rui Borges fala em 'dores de crescimento' depois de marcar quatro sem sofrer nenhum. Que dores são essas, se faz favor, as minhas ou as do Rio Ave?

Disse também que o Suárez está a voltar ao seu normal. Ainda bem, porque ao normal dele só falta reformar a liga inteira e deixar-nos sem adversários para maio.

Futebol
zerozero

Sporting e FC Porto já sabem calendário completo na Champions

A fase de liga da Champions arranca nos primeiros dias de setembro, com as datas de todas as jornadas agora definidas para as duas equipas portuguesas.

O Sporting e o FC Porto ficaram este sábado a conhecer o calendário completo da fase de liga da Liga dos Campeões, depois de na quinta-feira terem sido conhecidos os adversários no sorteio da competição, segundo o zerozero. A primeira jornada está agendada para os primeiros dias de setembro.

O calendário junta-se agora à lista de adversários já conhecida, num caminho europeu que o zerozero descreve como cruzado por vários «velhos conhecidos» das equipas portuguesas na edição de 2026/27.

No plano doméstico, o Sporting resolveu a visita ao Rio Ave ainda antes do intervalo. De acordo com o Público, os leões foram «exímios no tiro ao alvo» e deixaram o adversário KO na primeira parte, com Flávio Gonçalves a destacar-se na criação de perigo. O jogo terminou 0-4.

Luis Suárez bisou no encontro e, na conferência de imprensa após a partida, Rui Borges falou sobre a evolução do avançado. «Está a voltar ao seu normal», disse o treinador, citado pelo zerozero.

Rui Borges deixou ainda um recado sobre o momento da equipa, evitando instalar-se em excesso de exigência sobre o processo em curso. «Não quero agarrar-me às dores de crescimento», afirmou, segundo a mesma fonte, ao ser questionado sobre aspectos a corrigir nas exibições do plantel.

Também esta semana, Maxi Araújo assinalou dois anos de ligação ao clube. Em declarações ao Record, o lateral uruguaio recordou «momentos incríveis» vividos com a camisola do Sporting, mencionou os troféus conquistados e agradeceu «o carinho de cada sportinguista», reafirmando a vontade de continuar a representar o clube.

F1 & Ténis
Formula 1

Norris amarra-se ao McLaren até 2030

O campeão do mundo assina extensão de longo prazo enquanto a Mercedes tenta perceber por que perdeu ritmo nas curvas rápidas de Zandvoort

Lando Norris confirmou no sábado a extensão do contrato com a McLaren até, pelo menos, ao final de 2030, com opções plurianuais para prolongar ainda mais a permanência na equipa de Woking, segundo o site oficial da Fórmula 1. O piloto de 26 anos, que conquistou este ano o seu primeiro título mundial de pilotos, garante assim continuidade numa estrutura que domina o campeonato de construtores.

À Sky Sports, Norris resumiu a decisão numa frase: não há "nenhum outro lugar" onde queira estar. O anúncio surge numa altura em que vários contratos de pilotos de topo estão em aberto para 2027, o que tornava a permanência de Norris um dos pontos mais observados do mercado, de acordo com a Sky Sports.

A Fórmula 1 destaca ainda um pormenor específico do acordo que gerou reacções entre adeptos, segundo a Motorsport.com, embora sem detalhar publicamente os termos financeiros ou as cláusulas de saída. O que fica claro é que a McLaren optou por blindar o seu activo mais valioso antes de qualquer especulação de mercado ganhar forma.

No plano desportivo, a Mercedes vive um momento mais incómodo. Depois de um pódio duplo no Grande Prémio dos Países Baixos, o director de engenharia de pista, Andrew Shovlin, classificou o desempenho da equipa nas curvas rápidas de Zandvoort como "lixo", admitindo inconsistência entre pilotos e entre stints, segundo a Motorsport.com. George Russell, que assinou um dos pódios, recompensou depois a equipa com uma sessão de karting privada em Silverstone para os funcionários das bases de Brackley e Brixworth.

A luta pelo desenvolvimento técnico continua a moldar as apostas do campeonato a 11 corridas do final da época, segundo a análise da Fórmula 1, com equipas a trocar de posição relativa consoante a evolução dos pacotes aerodinâmicos. É nesse contexto competitivo que a decisão da McLaren de fixar Norris a longo prazo ganha peso estratégico, retirando um piloto de referência do tabuleiro de contratações antes da temporada de 2027.

Mercados & Economia
Movimento da sessão por posiçãoSESSÃO (%)MEUD Amundi Stoxx Europe -0.71%VGEA Vanguard EUR Govt Bo-0.13%XEON Xtrackers €STR+0.02%IBCI iShares € Inflation +0.19%EMIM iShares MSCI EM IMI+0.37%SPXS Invesco S&P 500+0.70%TOTAL-0.00%
O Farol · movimento da sessão

Warsh assusta mercados e reforça dólar em Jackson Hole

O novo presidente da Fed recusa dar tréguas à inflação e a parte longa da curva reage de imediato, arrastando bolsas europeias e fortalecendo o dólar.

Kevin Warsh usou o seu primeiro grande discurso como presidente da Fed, em Jackson Hole, para deixar claro que a estabilidade de preços continua a ser o único mandato que importa. Segundo o Guardian, não avançou datas nem magnitudes para os próximos movimentos de juros, mas o Jornal de Negócios nota que abriu a porta a uma subida, algo que os mercados não esperavam ouvir de um banqueiro central recém-empossado.

O mecanismo é directo: quando um banco central sinaliza que pode subir juros em vez de os cortar, os investidores exigem mais rendimento para financiar dívida a dez anos, porque o custo de oportunidade de manter obrigações longas aumenta face à liquidez de curto prazo. Foi o que se viu na yield do Tesouro dos EUA a 10 anos, que subiu 0,17%. O dólar valorizou em espelho, com o EUR/USD a cair 0,58%, e Wall Street fechou a semana no vermelho apesar da retórica hawkish costumar ser lida como sinal de confiança na economia. A queda de mais de 12% da PayPal, depois de a compra pela Stripe não se ter concretizado, agravou o saldo negativo da sessão.

No mercado de matérias-primas, o Brent subiu 2,12% depois de Donald Trump anunciar, segundo o Jornal de Negócios, um acordo que dá aos Estados Unidos controlo sobre 65 mil milhões de barris de reservas venezuelanas. Um dólar mais forte encarece o petróleo para quem compra em euros, pelo que o efeito duplo penaliza directamente o custo energético europeu.

Em contraponto, a S&P manteve o rating e a perspectiva da dívida soberana portuguesa, com uma previsão de crescimento do PIB de 1,7% este ano, uma desaceleração ligeira que não altera a leitura de risco sobre Portugal.

A carteira fechou o dia sem variação líquida, mas a composição conta a história do dia: o MEUD caiu 0,71% arrastado pelo Stoxx 600, o SPXS ganhou 0,70% em linha com o S&P 500 e o VGEA perdeu 0,13% com a subida das yields. XEON, IBCI e EMIM mantiveram-se praticamente estáveis. O VGEA continua a ser o sleeve mais subponderado, 10,1 pontos percentuais abaixo do peso-alvo de 28% para dívida soberana em euros, e é para aí que deve apontar o próximo reforço, com yields mais altas a tornarem a entrada menos penalizadora do que parece à primeira vista.

Tecnologia
TechCrunch

Lambda pede 1 mil milhões de dólares em dívida para comprar chips

A neocloud vai usar o financiamento para adquirir GPUs Nvidia que depois arrenda à Microsoft, um modelo que expõe o custo real de sustentar a procura por capacidade de IA

A Lambda fechou uma ronda de dívida privada de 1 mil milhões de dólares destinada à compra de chips Nvidia para infraestrutura de inteligência artificial, segundo avança a TechCrunch. O capital vai financiar hardware que a empresa arrenda à Microsoft, um dos maiores clientes de capacidade computacional para treino e inferência de modelos de larga escala.

A operação junta-se a uma série de empréstimos semelhantes contraídos por operadores de neocloud ao longo dos últimos meses, um sinal de que o crescimento do sector depende cada vez mais de alavancagem financeira e não apenas de capital próprio ou de receita operacional. O modelo de negócio assenta em comprar GPUs a crédito, arrendá-las a hyperscalers como a Microsoft e amortizar a dívida com os contratos de utilização.

Este esquema levanta uma questão estrutural para quem decide onde alojar cargas de IA: a dependência de dívida por parte dos fornecedores de infraestrutura significa que a disponibilidade e o preço de GPUs alugadas ficam sujeitos ao risco de crédito desses operadores, não apenas à procura de mercado. Para engenharias que dimensionam capacidade a médio prazo, isso implica avaliar não só o preço por hora de computação, mas a solidez financeira de quem a fornece.

A TechCrunch nota que este é apenas o mais recente de vários acordos de dívida do género, sublinhando o custo elevado de manter o actual ritmo de expansão do boom de IA. Enquanto a procura por capacidade continuar a crescer mais depressa do que a oferta de chips, é provável que mais neoclouds recorram a instrumentos de dívida em vez de capital próprio para financiar aquisições de hardware, transferindo parte do risco de capex para os mercados de crédito.

Fontes: TechCrunch
Portugal & Espanha
El País

Governo poe estrategia de baterias em consulta publica

Lisboa quer travar avanço da bombagem hidroelétrica e das baterias com um plano de ação sujeito a escrutínio até 16 de Setembro

O Governo português colocou em consulta pública a estratégia nacional para o armazenamento de energia, segundo o Expresso. O documento define um plano de ação destinado a dinamizar o investimento em baterias e em bombagem hidroelétrica, duas tecnologias apontadas como centrais para gerir a intermitência da produção renovável. A consulta decorre até 16 de Setembro, prazo em que empresas do sector e outros interessados podem apresentar contributos antes da versão final.

Em Espanha, o Governo espera realojar em duas a três semanas os migrantes que continuam nas ruas de Ceuta desde há um mês, segundo o Expresso. A ministra da Saúde espanhola associa o calendário à preparação de espaços de acolhimento na cidade autónoma, um dos pontos de maior pressão migratória na fronteira sul da União Europeia.

Fontes: Expresso, Expresso
Europa & EUA
Politico Europe

Alemanha culpa Rússia por ataque em Leipzig

Chanceler Friedrich Merz prepara sanções contra entidades russas, em paralelo com novas medidas da União Europeia

O governo alemão prepara-se para atribuir à Rússia a responsabilidade por um ataque em Leipzig, segundo o Politico Europe. O chanceler Friedrich Merz deverá anunciar sanções contra entidades russas, a par de novas medidas puniivas coordenadas com Bruxelas.

A decisão surge num momento de escalada da tensão entre Berlim e Moscovo, que se soma à guerra na Ucrânia. Segundo o mesmo meio, um drone russo atingiu um armazém de munições junto a zonas residenciais na Ucrânia, matando 27 pessoas. A polícia ucraniana abriu uma investigação para apurar porque é que o material estava armazenado perto de habitações.

O episódio ocorre enquanto a Comissão Europeia prepara o discurso do Estado da União de Ursula von der Leyen, que deverá dar destaque às políticas de clima e inteligência artificial, mas que decorre também sob pressão crescente da frente russa.

Bruxelas e Berlim não confirmaram ainda o calendário exacto das novas sanções.

O Vigia · as quatro medalhas do dia
As quatro medalhas do diaOUROPRATABRONZELATA
Rui Borges
Ouro
Rui Borges
Treinador que transforma craques em números: o Sporting resolveu o jogo em 45 minutos.
Sporting venceu o Rio Ave por 4-0, com Luis Suárez a bisar e o jogo decidido ainda na primeira parte.
Borges não perde tempo com sustos: mata o jogo antes do intervalo e poupa os nervos aos adeptos.
Guarda Nacional Republicana
Prata
Guarda Nacional Republicana
A polícia que ainda persegue contrabandistas em vez de tuítes.
A GNR deteve dez homens por contrabando em Vila do Bispo, após detectar movimentações suspeitas de duas viaturas.
Trabalho de rotina bem feito, sem drama: prova que paciência e vigilância ainda apanham contrabandistas antes das manchetes.
Meta Platforms
Bronze
Meta Platforms
A gigante que prefere pagar multa a admitir culpa.
Segundo Paulo Portas, a Meta chegou a acordo para evitar uma condenação mais severa.
Negociar em vez de responder é estratégia legítima, mas soa mais a fuga calculada do que a arrependimento.
Andy Burnham
Lata
Andy Burnham
O reformista que descobriu, já no poder, que os grandes doadores também votam.
O Guardian recorda que Burnham defendia um limite de 500 000 libras para doações políticas antes de chegar a Downing Street; agora recua.
Trocar princípios por gabinete é clássico, mas fazê-lo tão depressa devia, pelo menos, ter vergonha na cara.
O Farol · edição de sábado, 29 de agosto de 2026 · gerado às 13:05 · arquivo · PDF
Fotografias creditadas aos respectivos autores. Nenhuma fotografia de actualidade é gerada por IA — o retrato de José Leonelas é a ilustração de um colunista fictício.