
Islândia rejeita reabrir negociações de adesão à UE
O referendo apertado trava o processo de adesão num momento em que as ameaças de Trump à Gronelândia reacenderam o debate sobre o lugar do país no Árctico
A Islândia votou contra a reabertura de negociações de adesão à União Europeia, segundo a RUV, a rádio e televisão pública islandesa, citada pela BBC. A emissora indicou que 52,8% dos votantes rejeitaram a proposta do governo, num escrutínio que se manteve incerto até às fases finais da contagem.
O referendo surge num contexto político particular. De acordo com o Financial Times, a consulta foi motivada, em parte, pelas ameaças do presidente norte-americano Donald Trump de anexar a Gronelândia, um episódio que colocou o Árctico no centro da discussão sobre segurança e soberania na região nórdica. Nesse quadro, o governo islandês tinha proposto retomar conversações com Bruxelas que estavam paradas há anos.
A campanha do não foi descrita pelo Guardian como bem financiada e acusada por adversários de recorrer a alarmismo. O jornal britânico nota ainda que a formulação da pergunta submetida a votação pode ter influenciado o resultado, um factor que analistas islandeses já discutem como possível explicação para a margem apertada.
Para quem acompanha os mercados nórdicos, o resultado tem leitura directa: a coroa islandesa e a política monetária do país continuam fora do quadro do euro, e o Banco Central da Islândia mantém controlo total sobre taxas de juro e câmbio, sem pressão adicional de convergência com Frankfurt. Para Bruxelas, o resultado soma-se a um histórico de recusas islandesas, depois da candidatura suspensa em 2015, e alimenta a narrativa de fadiga de alargamento que já se sente noutros dossiês europeus.
O que ainda não está claro é se este resultado encerra definitivamente a hipótese de adesão islandesa à UE ou se apenas adia a discussão para outro ciclo eleitoral. Também não se sabe até que ponto as tensões em torno da Gronelândia continuarão a pesar na política externa islandesa, nem se o executivo de Reiquiavique vai propor nova consulta a médio prazo. A margem de vitória do não, ligeiramente acima de 52%, deixa a porta aberta a nova tentativa caso o contexto geopolítico no Árctico se altere.




