
EUA atacam Irão no Estreito de Hormuz, mercados em alerta
Primeiro confronto directo em mais de um mês reabre o risco de bloqueio à passagem de um quinto do petróleo mundial
As forças norte-americanas atacaram lançadores iranianos na ilha de Larak, no Estreito de Hormuz, no que constitui a primeira troca de tiros entre Washington e Teerão em mais de um mês, segundo o The Guardian. O ataque provocou represálias iranianas contra posições dos EUA na região, reabrindo uma frente que parecia contida desde o início do Verão.
O Estreito de Hormuz é a via marítima por onde passa cerca de um quinto do petróleo transaccionado no mundo. Qualquer ameaça, real ou anunciada, a essa passagem tende a mover de imediato os preços do crude e os prémios de risco associados ao transporte marítimo na região, com efeitos que chegam depressa aos custos de combustível e logística na Europa.
A escalada surge num momento em que os mercados globais já estavam a digerir outras tensões: o iene japonês desvalorizou para além dos 160 por dólar depois de um discurso do responsável Warsh em Jackson Hole, com os investidores a apostarem em aperto monetário e as taxas de juro das obrigações niponas a subirem para máximos de três décadas. A coincidência de choques geopolíticos e monetários tende a amplificar a volatilidade, sobretudo em activos ligados à energia e às divisas asiáticas.
Para quem gere carteiras entre Lisboa e Madrid, a leitura imediata é dupla: por um lado, o risco de subida do preço do petróleo bruto pressiona a inflação importada na zona euro, num momento em que o Banco Central Europeu já navega margens estreitas; por outro, a instabilidade no Golfo Pérsico costuma reforçar o dólar como activo de refúgio, o que encarece ainda mais as importações energéticas europeias.
Fica por saber se este episódio se traduz numa escalada sustentada ou se, como aconteceu noutras ocasiões nos últimos meses, se esgota num ciclo de ataque e resposta sem continuidade. Também não é claro, a partir do material disponível, qual foi a extensão real dos danos em Larak nem que outras posições dos EUA na região foram visadas nas represálias iranianas. Os próximos dias, e a reacção dos preços do petróleo em Londres e Nova Iorque, dirão se este é o início de uma nova fase de confronto ou apenas mais um sobressalto contido.




