
Volkswagen corta 100 mil postos até 2030
O maior construtor automóvel europeu admite reduzir a força de trabalho em 15% e cortar a gama de modelos a meio, pressionado por tarifas norte-americanas e concorrência chinesa
A Volkswagen anunciou que vai eliminar 100 000 postos de trabalho até 2030, a maior reestruturação da história do grupo alemão. A decisão, aprovada pelo conselho de administração, abrange as marcas Audi, Porsche, Skoda e a própria Volkswagen, e implica também um corte de metade na gama de produtos oferecidos, segundo avançou o Guardian.
O grupo justifica a medida com o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos às importações de automóveis e com a pressão crescente dos fabricantes chineses, que têm ganho quota de mercado tanto na Europa como na Ásia com veículos eléctricos mais baratos. A Volkswagen já tinha anunciado em fases anteriores parte destes cortes, mas o plano agora confirmado eleva o total a 100 mil postos, cerca de 15% da força de trabalho do grupo.
O anúncio surge num momento em que a indústria automóvel alemã mostra sinais mistos. As encomendas à indústria transformadora alemã subiram pelo terceiro mês consecutivo, segundo dados citados pelo Wall Street Journal, o que sugere alguma resiliência fabril mesmo com custos energéticos elevados. Mas o caso Volkswagen mostra que a recuperação em encomendas não chega para compensar a erosão estrutural de margens num sector que enfrenta simultaneamente electrificação forçada, tarifas e concorrência asiática.
Para os próximos meses, a atenção vai centrar-se na forma como os cortes serão distribuídos entre fábricas na Alemanha e unidades fora do país, incluindo eventuais efeitos sobre fornecedores em Espanha e Portugal, onde a cadeia de componentes automóveis emprega milhares de trabalhadores. Sindicatos alemães já sinalizaram resistência a fechos de unidades produtivas, o que deverá condicionar o calendário de aplicação do plano.
O que ainda não está claro é quantos destes 100 mil postos correspondem a despedimentos efectivos e quantos a reformas antecipadas ou não substituição de saídas naturais, nem que fábricas específicas serão afectadas. A Volkswagen não detalhou também o calendário país a país, o que deixa em aberto o impacto directo sobre a Península Ibérica, onde o grupo mantém unidades relevantes ligadas à cadeia de fornecimento.




