O Farol

Est. 2026
Preço: livre
Tiragem: um
Diário Independente de Um Só Leitor — Madrid
Instantâneo
11:00 CET
Cotações diferidas
Manchete
Financial Times

Volkswagen corta 100 mil postos até 2030

O maior construtor automóvel europeu admite reduzir a força de trabalho em 15% e cortar a gama de modelos a meio, pressionado por tarifas norte-americanas e concorrência chinesa

A Volkswagen anunciou que vai eliminar 100 000 postos de trabalho até 2030, a maior reestruturação da história do grupo alemão. A decisão, aprovada pelo conselho de administração, abrange as marcas Audi, Porsche, Skoda e a própria Volkswagen, e implica também um corte de metade na gama de produtos oferecidos, segundo avançou o Guardian.

O grupo justifica a medida com o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos às importações de automóveis e com a pressão crescente dos fabricantes chineses, que têm ganho quota de mercado tanto na Europa como na Ásia com veículos eléctricos mais baratos. A Volkswagen já tinha anunciado em fases anteriores parte destes cortes, mas o plano agora confirmado eleva o total a 100 mil postos, cerca de 15% da força de trabalho do grupo.

O anúncio surge num momento em que a indústria automóvel alemã mostra sinais mistos. As encomendas à indústria transformadora alemã subiram pelo terceiro mês consecutivo, segundo dados citados pelo Wall Street Journal, o que sugere alguma resiliência fabril mesmo com custos energéticos elevados. Mas o caso Volkswagen mostra que a recuperação em encomendas não chega para compensar a erosão estrutural de margens num sector que enfrenta simultaneamente electrificação forçada, tarifas e concorrência asiática.

Para os próximos meses, a atenção vai centrar-se na forma como os cortes serão distribuídos entre fábricas na Alemanha e unidades fora do país, incluindo eventuais efeitos sobre fornecedores em Espanha e Portugal, onde a cadeia de componentes automóveis emprega milhares de trabalhadores. Sindicatos alemães já sinalizaram resistência a fechos de unidades produtivas, o que deverá condicionar o calendário de aplicação do plano.

O que ainda não está claro é quantos destes 100 mil postos correspondem a despedimentos efectivos e quantos a reformas antecipadas ou não substituição de saídas naturais, nem que fábricas específicas serão afectadas. A Volkswagen não detalhou também o calendário país a país, o que deixa em aberto o impacto directo sobre a Península Ibérica, onde o grupo mantém unidades relevantes ligadas à cadeia de fornecimento.

Fontes: The Guardian, BBC, WSJ
Futebol
zerozero

Sporting inscreve os dez reforços para a fase de liga da Champions

Nélson Morgado, adjunto do Lens e ex-jogador da formação leonina, antecipa o reencontro com o clube que o formou

O Sporting entregou à UEFA a lista completa para a fase de liga da Liga dos Campeões, incluindo a totalidade dos dez reforços contratados este verão. Kaique Pereira, Ibrahima Ba, Moncef Zekri, Sergi Altimira, Silas Andersen, Issa Doumbia, Pedro Lima, Rodrigo Zalazar, Nestory Irankunda e Jesse Derry ficam disponíveis a Rui Borges desde a primeira jornada da prova milionária, segundo a RTP Desporto.

Um dos adversários dessa fase é o Lens, clube francês onde Nélson Morgado, de 39 anos, é hoje adjunto da equipa técnica. O treinador português passou pela formação do Sporting como jogador e admite ao Record que o encontro terá um significado especial. «Será um momento muito especial», disse, sem esconder a ligação afectiva ao emblema que representou antes de seguir carreira em França.

No plano feminino, o Sporting e o Torreense ficaram esta quinta-feira a conhecer o lote de possíveis adversários para a próxima eliminatória da UEFA Women's Europa Cup. O sorteio, marcado para sexta-feira, coloca as duas formações portuguesas perante caminhos distintos, ambos exigentes, de acordo com o zerozero.

Ainda na frente europeia dos clubes portugueses, o Sporting de Braga divulgou a lista de 49 jogadores inscritos para a fase de liga da Liga Conferência, com destaque para a entrada do médio Tomy Marqués, reforço recente do plantel. Do total, 24 nomes pertencem à chamada lista B, revela a RTP Desporto.

F1 & Ténis
Formula 1

Antonelli enfrenta penalização em casa no GP de Itália

A Mercedes prepara um plano de reboque em pista para as qualificações de Monza, mesmo com Russell e Antonelli a discutir o título de 2026.

O Grande Prémio de Itália chega com Kimi Antonelli na liderança do campeonato e à espera de festejar em casa, mas uma mudança de motor vai empurrá-lo para o fundo da grelha. Segundo a Motorsport.com, o piloto italiano soma uma vantagem de 59 pontos sobre George Russell e Lewis Hamilton antes desta corrida, o que não impede a penalização de arrancar de trás.

George Russell confirmou que a Mercedes vai trabalhar em equipa nas qualificações de Monza apesar da disputa pelo título entre os dois pilotos: Antonelli vai dar reboque a Russell nas voltas rápidas, uma prática comum no traçado italiano, onde o rasto aerodinâmico vale décimas decisivas.

Na Ferrari, a evolução de motor estreada em casa só chega a um piloto e não é da Scuderia oficial: é Oliver Bearman quem recebe a nova unidade de potência na Haas. Ayao Komatsu explicou a escolha, ligada à forma como a equipa gere a introdução progressiva da actualização ADUO ao longo da grelha de clientes.

Max Verstappen chega a Monza com expectativas contidas depois do abandono precoce em Zandvoort. O tetracampeão da Red Bull definiu um objectivo realista para o fim de semana, reconhecendo que o traçado de baixa carga aerodinâmica não favorece o pacote actual do carro.

Do lado da McLaren, Oscar Piastri procura respostas para uma quebra de rendimento que já dura várias corridas. O australiano falou de uma "questão maior" a resolver com a equipa antes de Monza, sem detalhar se o problema é de configuração ou de conceito do carro.

A Fórmula 1 também confirmou uma alteração regulamentar para 2027: as distâncias de corrida vão encolher para 290 quilómetros, ajustando o equilíbrio entre potência eléctrica e motor de combustão previsto no novo regulamento técnico.

No ténis, Alexander Zverev foi vaiado no Open dos Estados Unidos depois de pedir a troca de raquete por volta das duas da madrugada, durante o encontro com Quentin Halys. O alemão reconheceu depois, em declarações citadas pela Sky Sports, que a sua exibição tinha sido fraca.

Mercados & Economia
Movimento da sessão por posiçãoSESSÃO (%)XEON Xtrackers €STR+0.02%IBCI iShares € Inflation +0.10%VGEA Vanguard EUR Govt Bo+0.21%MEUD Amundi Stoxx Europe +0.50%SPXS Invesco S&P 500+0.72%EMIM iShares MSCI EM IMI+0.97%TOTAL+0.55%
O Farol · movimento da sessão

Iene dispara com juros do Banco do Japão à vista

A perspectiva de um aperto monetário em Tóquio agita os mercados de dívida globais e trava o rali accionista fora dos EUA e do Japão

O iene subiu ao nível mais alto face ao dólar em um mês, segundo o Guardian, depois de sinais de que o Banco do Japão se prepara para subir taxas de juro. A lógica é directa: taxas mais altas em Tóquio tornam o iene mais atractivo para deter, o que reverte parte do carry trade que durante anos financiou posições em activos de maior risco por todo o mundo com dinheiro emprestado barato em ienes. Quando esse fluxo se inverte, mesmo que parcialmente, a pressão sente-se primeiro na dívida soberana global.

É essa a origem do bond sell-off que o próprio Guardian assinala nos mercados britânicos esta sexta-feira: preços de obrigações a cair, yields a subir, hipotecas mais caras. Nos EUA, o Tesouro a dez anos recuou 0,71%, reflectindo essa mesma pressão vendedora. A bolsa de Lisboa abriu em terreno negativo, penalizada pela EDP e pelo BCP, num dia em que o Stoxx 600 e o DAX ficaram praticamente parados, enquanto o S&P 500 e o Nikkei avançaram mais de um por cento, sinal de que o desconforto está concentrado na parte longa da curva europeia e não nas acções.

Para um investidor em euros, o dólar mais fraco corta nos dois sentidos: o EUR/USD subiu 0,36%, o que ajuda o poder de compra em bens importados e no petróleo, mas corrói o retorno de qualquer posição em activos denominados em dólares quando convertida para euros, mesmo com o S&P 500 a valorizar.

Em Portugal, o Jornal de Negócios nota que o corte de mais de um terço da dívida pública em seis anos oferece um escudo parcial contra a subida global de juros, já que apenas uma fracção do stock está exposta a refinanciamento imediato às novas taxas. A Fitch pronuncia-se esta sexta-feira sobre o rating nacional e os analistas citados pelo jornal admitem uma subida, depois de já a Standard and Poor's se ter pronunciado.

A carteira do leitor avançou 0,55% no dia, puxada pela EMIM, com 0,97%, e pela SPXS, com 0,72%, ambas sensíveis ao apetite por risco que ainda domina em Wall Street e na Ásia. A VGEA, o sleeve de dívida soberana em euros, subiu apenas 0,21%, penalizada precisamente pelo mesmo bond sell-off que atinge os Treasuries.

É também a VGEA que mais se afasta do plano, com um desvio de 10,1 pontos percentuais face ao peso-alvo de 28%. Um dia de pressão sobre obrigações não altera o papel que a duração desempenha na carteira como lastro a 15 ou mais anos: o próximo reforço mensal continua a apontar para esse sleeve, precisamente porque preços mais baixos hoje significam yields mais atractivos amanhã.

Tecnologia
Salesforce

Nvidia compra a Hugging Face por 12,9 mil milhões

O maior repositório de modelos abertos passa para as mãos do fabricante de GPUs, no mesmo dia em que a OpenAI mostra a Astra a poupar horas de trabalho em auditoria financeira e prototipagem de jogos

A Nvidia confirmou a compra da Hugging Face por 12,9 mil milhões de dólares, segundo a TechCrunch. A plataforma aloja mais de três milhões de modelos e é usada por mais de 18 milhões de programadores, o que a torna o principal ponto de distribuição de modelos abertos do sector.

A operação coloca sob controlo de um único fornecedor de hardware tanto a infra-estrutura de treino como o canal de distribuição de modelos, uma concentração que levanta questões de neutralidade para concorrentes como AWS, Google e Microsoft, cujos clientes dependem do hub para aceder a pesos abertos.

No plano dos modelos, a OpenAI lançou a Astra, descrita pela TechCrunch como uma nova fronteira em uso de computador e browser, com reserva quanto a segurança. A empresa divulgou dois casos de produção: a Legora reviu 41 documentos em minutos, identificou os quatro erros plantados no teste e melhorou o desempenho em quase 40% num fluxo de revisão financeira. A Playco, por seu lado, construiu três protótipos de jogos temáticos a partir de uma base comum e reduziu em 50% as correcções manuais face ao modelo anterior.

A Salesforce simplificou a sua estrutura de preços com três novas edições, Core, Advanced e Max, que passam a incluir Slack, Tableau Next, o Premier Success Plan, segurança de nível empresarial e IA pronta a usar em cada função. Segundo a empresa, a edição Max entrega 60% mais valor do que a Agentforce 1 Edition sem custo adicional. A Smarsh confirmou, separadamente, ter escalado o uso do Agentforce depois de resultados positivos no apoio ao cliente.

No financiamento, a Crusoe terá angariado 3 mil milhões de dólares a uma avaliação de 30 mil milhões, depois de fechar um contrato de 13 mil milhões com a Jane Street, segundo a TechCrunch. A Accel estará em conversações para liderar uma ronda de mil milhões de dólares na Thinking Machines, a uma avaliação de 40 mil milhões, com a startup a registar uma taxa de receita anualizada superior a 100 milhões de dólares.

Portugal & Espanha
El País

Ceuta pressiona Madrid por resposta à vaga migratória

Governo e oposição espanhola discordam sobre a resposta à entrada de imigrantes no enclave norte-africano

A cidade autónoma de Ceuta constituiu-se como acusação particular no processo aberto na Audiência Nacional sobre a recente entrada de imigrantes, segundo o El País.

O Partido Popular classificou de "delirante" a comparência do primeiro-ministro Pedro Sánchez sobre o tema e exigiu o reforço da presença policial e militar no enclave.

Em paralelo, o ministro do Interior, Grande-Marlaska, e o comissário europeu Brunner avançam nas negociações para ajuda europeia de emergência destinada a Ceuta, de acordo com a mesma fonte.

As autoridades detiveram ainda um imigrante marroquino que ameaçou apunhalar um militar destacado na zona, um episódio que alimenta o debate sobre segurança que opõe governo e oposição em torno da gestão da fronteira sul espanhola.

Fontes: El País
Europa & EUA
Politico Europe

AfD à beira de vitória histórica na Alemanha

Sondagens dão à Alternativa para a Alemanha a possibilidade de eleger o primeiro presidente regional de extrema-direita desde 1945

As eleições regionais de domingo na Saxónia-Anhalt podem colocar Ulrich Siegmund, cabeça de lista da AfD, na chefia de um governo estadual alemão, segundo sondagens citadas pelo Politico Europe. Seria a primeira vez que a extrema-direita comanda um Land desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

O Politico Europe nota que o resultado é um problema para o chanceler Friedrich Merz independentemente do desfecho: uma vitória da AfD reforça a força do partido a nível federal, e uma coligação para o bloquear obrigaria a CDU a negociar com a esquerda, algo que Merz tem evitado.

O Guardian recolheu testemunhos de membros de minorias na região, que descrevem o medo de uma vitória da AfD, partido que defende deportações em massa. Alguns dizem estar a considerar deixar o país.

A votação surge numa Alemanha já pressionada por outra frente: a Volkswagen anunciou o corte de 100 mil postos de trabalho até 2030, atribuído pela empresa às tarifas norte-americanas e à concorrência chinesa, segundo o Guardian.

O Vigia · as quatro medalhas do dia
As quatro medalhas do diaOUROPRATABRONZELATA
Ulrich Siegmund
Ouro
Ulrich Siegmund
O cabeça de lista que sonha ser o primeiro presidente regional de extrema-direita desde 1945, e as sondagens dão-lhe razão.
Sondagens citadas pelo Politico Europe dão à AfD a possibilidade de vencer na Saxónia-Anhalt.
Merz fica entalado nos dois lados: bloquear obriga a uma aliança com a esquerda que sempre evitou, deixar passar dá força à AfD a nível federal.
Banco do Japão
Prata
Banco do Japão
O banco central que passou uma década a jurar que nunca subiria juros e agora ameaça fazê-lo mesmo.
O iene disparou ao máximo em um mês com sinais de aperto monetário, travando o carry trade global, segundo o Guardian.
Tóquio move um dedo e as obrigações do mundo inteiro sentem o abanão. Prova de que ninguém saiu mesmo da era do dinheiro grátis.
Bronze
Ministério das Finanças de Portugal
O ministério que descobre que os hospitais precisam de enfermeiros logo quando a falta deles já é notícia todos os dias.
Aprovou documento que permite a contratação de enfermeiros e outros profissionais, segundo o Observador.
Chega tarde, mas chega. Prova-se, uma vez mais, que nem sempre é preciso mais do que uma manchete incómoda para desbloquear uma assinatura.
Volkswagen
Lata
Volkswagen
O maior construtor automóvel da Europa, que passou anos a defender o diesel e só agora repara que a China existe.
O conselho de administração aprovou o corte de 100 000 postos de trabalho até 2030 e vai reduzir a gama de modelos a meio.
Culpar tarifas americanas e concorrência chinesa é fácil. Explicar por que só o conselho só agora percebeu isso, é que ninguém em Wolfsburg se atreve a fazer.
O Farol · edição de sexta-feira, 4 de setembro de 2026 · gerado às 11:00 · arquivo · PDF
Fotografias creditadas aos respectivos autores. Nenhuma fotografia de actualidade é gerada por IA — o retrato de José Leonelas é a ilustração de um colunista fictício.