
Fundo da Jefferies exposto a nova alegada fraude de facturas
Point Bonita, que já tinha financiado o colapso da First Brands, surge agora como grande credor da Radiant World, segundo o Financial Times
Um fundo gerido pela Jefferies, a Point Bonita, aparece exposto em cerca de 500 milhões de dólares a um segundo caso de alegada fraude de facturas, desta vez envolvendo a empresa Radiant World, avança o Financial Times. O mesmo fundo já tinha estado no centro do colapso da First Brands Group, um dos casos mais discutidos do ano no crédito privado norte-americano.
A repetição do padrão, dois anos consecutivos com o mesmo veículo de investimento a financiar operações que acabam por se revelar problemáticas na sua contabilidade de facturação, levanta a questão de saber se houve falhas de due diligence ou se o modelo de negócio da Point Bonita assenta, por construção, em risco de crédito mais opaco do que o divulgado aos investidores.
O timing não é indiferente. O mercado de crédito privado tem crescido a um ritmo que preocupa reguladores dos dois lados do Atlântico, precisamente porque estruturas como a da Point Bonita permitem financiamento fora do escrutínio bancário tradicional. Um segundo episódio de fraude ligado ao mesmo gestor tende a alimentar o argumento de quem defende mais supervisão sobre este segmento, numa altura em que a Jefferies enfrenta já perguntas de investidores institucionais sobre a exposição agregada do banco a este tipo de veículo.
Para quem tem capital colocado em fundos de crédito privado ou em papel da própria Jefferies, a questão imediata é de contágio: quanto desta exposição está isolada num único fundo satélite e quanto pode reflectir-se no balanço ou na reputação da casa-mãe. Ainda não há confirmação sobre a dimensão total das perdas, sobre se a Radiant World nega as acusações, nem sobre se reguladores norte-americanos vão abrir uma investigação formal ao caso. Até haver mais clareza sobre estes pontos, qualquer avaliação do impacto real é prematura.




