
AfD vence eleição na Saxónia-Anhalt sem maioria
O partido de extrema-direita torna-se a força mais votada num Land alemão, num sinal de fractura política que já preocupa investidores na maior economia da zona euro
A Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu as eleições regionais na Saxónia-Anhalt com quase 44% dos votos, segundo resultados preliminares citados pela BBC, tornando-se o maior partido no Land mas ficando aquém da maioria absoluta no parlamento regional. A liderança da AfD classificou o resultado como "histórico".
O resultado surge num momento em que a economia alemã dá sinais claros de fadiga. A produção industrial caiu 1,1% em Julho face ao mês anterior, penalizada pelo sector automóvel, segundo dados do gabinete de estatística Destatis citados pelo Wall Street Journal. A combinação de estagnação industrial no leste do país com o desgaste da coligação federal em Berlim cria o terreno em que o voto de protesto tem crescido eleição após eleição.
Falta ainda saber quem vai governar a Saxónia-Anhalt. Com a AfD isolada pelo chamado "cordão sanitário" dos restantes partidos, a formação de um executivo regional vai exigir uma coligação entre forças que, somadas, ficaram atrás da AfD em número de votos, um cenário que já se repetiu noutros Länder do leste alemão e que tende a produzir governos frágeis ou de gestão.
Para quem olha para a Alemanha como âncora de estabilidade da zona euro, o sinal importa menos pelo resultado regional em si e mais pela trajectória: a AfD consolida-se como primeira força em vários Länder do antigo leste, numa altura em que o governo federal enfrenta pressão orçamental crescente e o sector automóvel, motor histórico da economia alemã, continua a perder tracção face à concorrência chinesa e à transição eléctrica.
Fica por saber se este resultado regional se traduz em ganhos equivalentes da AfD a nível federal nas próximas sondagens, e se a fragilidade das coligações alternativas vai forçar os partidos tradicionais a repensar a estratégia de isolamento do partido, uma questão que os mercados de dívida alemã, já sensíveis à instabilidade orçamental, vão seguir de perto nas próximas semanas.




