
Petróleo aproxima-se dos 100 dólares após ataque saudita
Riade atribui aos Houthi do Iémen o ataque a instalações energéticas, e a subida arrasta consigo o gás europeu às portas do Inverno
O preço do petróleo aproximou-se esta manhã dos 100 dólares por barril, depois de as autoridades sauditas terem confirmado que algumas instalações energéticas foram atacadas, segundo o The Guardian. Riade atribuiu o ataque aos Houthi do Iémen, movimento alinhado com o Irão que já visou repetidamente infra-estruturas petrolíferas sauditas noutras ocasiões.
A subida acontece num momento em que a Europa tenta reforçar as reservas de gás antes do Inverno. O preço do gás para entrega no mês seguinte no Reino Unido subiu esta manhã, de acordo com o mesmo jornal, acrescentando pressão a um mercado energético que já enfrentava restrições de oferta. Para um leitor com exposição a mercados ibéricos, a subida do crude traduz-se directamente no custo da electricidade em Espanha, onde o gás natural ainda marca preço em parte do mix eléctrico, e nos combustíveis em Portugal, onde os preços na bomba seguem de perto as cotações internacionais.
O momento não é indiferente ao contexto financeiro mais amplo. No Reino Unido, as taxas de juro da habitação atingiram esta segunda-feira o nível mais alto desde Junho, segundo o Guardian, um sinal de que as condições de financiamento continuam a apertar-se antes mesmo de o choque energético se traduzir em inflação. Se o petróleo mantiver a trajectória para os 100 dólares, os bancos centrais europeus enfrentarão o dilema entre travar a subida de preços e não sufocar economias já fragilizadas pelo custo do crédito.
O que ainda não está claro é a extensão dos danos nas instalações sauditas, nem se Riade vai recorrer às suas reservas estratégicas para suavizar o choque na oferta. Também não se sabe se a Organização dos Países Exportadores de Petróleo vai reagir com um ajuste na produção, nem durante quanto tempo os preços vão permanecer perto da fasquia simbólica dos 100 dólares. Os próximos dias, com a reacção dos mercados asiáticos e europeus, deverão dar a primeira indicação sobre se este é um pico passageiro ou o início de uma nova fase de tensão nos mercados de energia.
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