
Petróleo aproxima-se dos 100 dólares após ataques dos EUA ao Irão
Washington atacou petroleiros iranianos e Teerão respondeu contra uma base norte-americana na Jordânia, numa escalada que already se sente no preço do crude
Os Estados Unidos atacaram petroleiros iranianos e o Irão respondeu visando uma base militar norte-americana na Jordânia, segundo a BBC. A troca de ataques fez o preço do petróleo aproximar-se dos 100 dólares por barril, um patamar que não se via há vários trimestres.
A escalada surge depois de meses de tensão latente entre Washington e Teerão, com ataques pontuais que até agora não tinham atingido directamente infra-estruturas petrolíferas nem bases militares de forma tão explícita. A BBC descreve o episódio como o culminar de uma sequência de ataques mútuos, sem detalhar ainda a origem exacta da actual escalada.
Para quem gere capital entre Portugal, Espanha e os mercados globais, o efeito imediato é o custo da energia. Uma subida sustentada acima dos 100 dólares pressiona a factura energética de economias importadoras líquidas de crude, como a portuguesa e a espanhola, e reacende o risco de inflação importada num momento em que os bancos centrais já debatiam quando e quanto cortar juros. Refinarias, companhias aéreas e sectores intensivos em energia são os primeiros a sentir o impacto nas margens.
Os mercados de crude tendem a reagir de forma desproporcionada nas primeiras horas de qualquer escalada no Golfo Pérsico, sobretudo quando há risco, ainda que hipotético, de disrupção nas rotas de exportação que passam pelo Estreito de Ormuz. Um agravamento duradouro da tensão poderia levar seguradoras e operadores a exigir prémios de risco mais altos para navios que transitam na região, com efeitos em cascata nos custos logísticos globais.
Fica por saber a extensão real dos danos nos petroleiros atacados, se a base na Jordânia sofreu baixas ou apenas danos materiais, e sobretudo se esta troca de ataques marca uma viragem para um confronto mais alargado ou permanece, como episódios anteriores, um pico de tensão que arrefece nos dias seguintes. Os mercados petrolíferos vão continuar a precificar essa incerteza enquanto não houver clareza política de ambos os lados.
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