
Trump promete 5 000 dólares a cada eleitor antes das midterms
A proposta, sem financiamento identificado, custaria mais de 1 bilião de dólares e surge com o presidente em mínimos de popularidade
Donald Trump prometeu, num discurso longo na convenção republicana, pagar 5 000 dólares a cada cidadão adulto dos Estados Unidos caso o Partido Republicano retenha o controlo da Câmara dos Representantes e do Senado nas eleições intercalares de Novembro, segundo o The Guardian. O presidente pediu ainda aos eleitores para "fingirem que estou no boletim de voto", apesar de as sondagens o colocarem em níveis de desaprovação elevados a menos de dois meses da votação.
A Financial Times estima que a medida custaria mais de um bilião de dólares aos cofres públicos, sem que Trump tenha indicado qualquer fonte de financiamento ou mecanismo legislativo para a viabilizar. O anúncio surge numa fase em que a administração enfrenta pressão sobre défice e dívida, e em que a Reserva Federal e outros bancos centrais, incluindo o Banco do Japão, debatem o ritmo de subida de taxas num contexto de volatilidade cambial e obrigacionista, segundo a Financial Times.
A jogada segue um padrão já conhecido: transformar uma eleição legislativa numa espécie de referendo pessoal, mesmo sem o seu nome nas urnas. Para investidores com exposição a dívida soberana norte-americana, a promessa acrescenta incerteza a um cenário já tenso, numa altura em que Trump também ligou a evolução da guerra no Irão e o preço do petróleo ao calendário eleitoral de Novembro, de acordo com a BBC. Qualquer sinal de despesa pública avultada e não financiada tende a pressionar rendimentos de tesouro e a reforçar a narrativa de risco fiscal que já pesa sobre o dólar.
Fica por esclarecer se a proposta chegará a ser formalizada como iniciativa legislativa ou se permanece promessa de campanha sem tradução prática, como aconteceu com anúncios semelhantes no passado. Também não é claro como os mercados de dívida vão reagir caso o Congresso avance seriamente com a ideia, nem que efeito terá sobre a Reserva Federal, que já enfrenta pressão política directa da Casa Branca sobre a condução da política monetária.
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