O Farol

Est. 2026
Preço: livre
Tiragem: um
Diário Independente de Um Só Leitor — Madrid
Instantâneo
08:00 CET
Cotações diferidas
O Farol em Voz Petróleo dispara, Ormuz em risco e o Sporting perde dois pontos 2 min 18 · subscrever
0:00
Manchete
Financial Times

Petróleo dispara a 108 dólares com Ormuz em risco

Estados do Golfo adiam encontro decisivo com o Irão e reacendem o receio de bloqueio na rota que escoa um quinto do petróleo mundial

O petróleo subiu para 108 dólares o barril esta segunda-feira, depois de os Estados do Golfo terem adiado uma reunião crucial com o Irão sobre o Estreito de Ormuz, avança o Financial Times. O adiamento trava, para já, os esforços diplomáticos para garantir a normalidade da navegação numa das rotas mais sensíveis do comércio energético global.

O Estreito de Ormuz escoa uma fatia significativa do petróleo e do gás natural liquefeito que chega aos mercados internacionais. Qualquer sinal de instabilidade nessa passagem tende a traduzir-se de imediato em prémio de risco no preço do crude, e foi isso que aconteceu assim que se soube do adiamento das conversações.

Para quem gere capital entre Portugal e Espanha, o efeito mais directo chega pela factura energética e pela inflação importada, num momento em que os bancos centrais já enfrentam pressão para não baixar a guarda. Nos Estados Unidos, o Financial Times nota que Kevin Warsh, à frente da Fed, está em rota de colisão com Donald Trump: os mercados esperam uma subida de juros para conter riscos inflacionistas, decisão que o preço do petróleo só torna mais provável e mais incómoda para a Casa Branca.

A tensão em Ormuz soma-se a outro sobressalto nos mercados esta segunda-feira: as acções ligadas a inteligência artificial recuaram a nível global depois de responsáveis do sector pedirem um abrandamento no ritmo de desenvolvimento da tecnologia, segundo o Financial Times. A japonesa SoftBank, accionista da OpenAI, chegou a cair 13% em bolsa. É um dia em que o apetite pelo risco esfria em várias frentes ao mesmo tempo, não só na energia.

Fica por saber quando será remarcado o encontro entre os Estados do Golfo e o Irão, e se o adiamento reflecte apenas uma questão de agenda ou um endurecimento de posições que possa, de facto, ameaçar o tráfego naval em Ormuz. Também não é claro se a Fed vai mesmo avançar com uma subida de juros no imediato ou se vai esperar por mais dados antes de testar a paciência de Trump.

Opinião de um fanático
José Leonelas

Um a um em Famalicão, e o genro já tinha o telefone na mão antes de o árbitro apitar para o intervalo dos descontos. Eu não atendo a provocações, mas atendi, disse-lhe que Inácio ia lá para defender, não para inaugurar golos alheios, e desliguei antes de ele responder.

Excesso de confiança, dizem. Eu digo gestão de vantagem à moda antiga: ganhar dois a zero e depois entregar o resultado aos pontos como quem devolve troco a mais. Suárez marcou de penálti e safou a tarde, os suplentes entraram para gastar gasolina, não para a poupar.

Do árbitro nem falo, que ainda hoje há quem ache que fui eu que inventei o golo anulado ao Flávio Gonçalves só para ter do que me queixar. Registo fica feito: perdemos dois pontos, o FC Porto fica a quatro, e o meu genro vai dormir com um sorriso que me vai custar o café de amanhã.

Futebol
Liga Portugal — classificação à 6.ª jornada
# Clube J V E D GM GS DG P
1 Porto 6 6 0 0 15 2 +13 18
2 Benfica 6 5 1 0 21 4 +17 16
3 Sporting 6 4 2 0 15 6 +9 14
4 Santa Clara 6 4 2 0 11 4 +7 14
5 Arouca 6 3 1 2 8 5 +3 10

Traço à esquerda: lugar de prova europeia. Fonte: ESPN.

Record

Sporting perde vitória em Famalicão nos descontos

Penálti de Luis Suárez não chegou para evitar um empate que deixa os leões a quatro pontos do líder FC Porto

O Sporting não conseguiu manter uma vantagem construída a ferros e saiu de Famalicão com um ponto em vez de três. Luis Suárez converteu um penálti que quebrou a resistência minhota, mas o Famalicão respondeu já nos descontos, com Gonçalo Inácio envolvido na jogada do golo do empate, segundo o Público.

A Record resume o jogo como um final frenético, decidido por um golpe de teatro depois de os leões terem abusado de paciência e, sobretudo, de excesso de confiança na gestão da vantagem. Nas notas aos jogadores, o mesmo jornal aponta Suárez como o melhor em campo, mas nota que a entrada dos suplentes não trouxe o alívio necessário para fechar o resultado.

O árbitro Luís Godinho ficou no centro da discussão pós-jogo. A Record questiona se o golo anulado a Flávio Gonçalves foi bem invalidado e se ficou um penálti por marcar a favor do Famalicão, casos analisados por Marco Ferreira e Jorge Faustino.

Carlos Carvalhal, treinador do Famalicão, reconheceu que a equipa teve ajuda da sorte, mas sublinhou o mérito colectivo. "Tivemos alguma felicidade, mas fizemos muito por isso", disse, citado pelo Zerozero.

O empate deixa o Sporting no terceiro lugar da Liga Portugal, com 14 pontos, a quatro do FC Porto, que lidera invicto com 18. O Benfica, que bateu o Gil Vicente com um bis de Pavlidis e um golo de Prestianni, segundo o Público, sobe a 16 pontos e fica a dois do topo, à espera do clássico com os dragões.

Para o Sporting, o resultado confirma um padrão preocupante: a equipa continua sem perder, mas já divide pontos em jogos que geria com vantagem, um sinal que Rúben Amorim terá de corrigir antes que a distância ao líder se torne difícil de recuperar.

F1 & Ténis
BBC Ténis

Zverev e Rybakina fecham o US Open, Antonelli lidera em Madrid

Os dois títulos de singulares ficam na Europa, enquanto a Fórmula 1 confirma o italiano na frente do campeonato após a estreia do Madring

Alexander Zverev venceu o seu segundo título do Grand Slam ao bater Ben Shelton em quatro sets na final do US Open, seis anos depois de ter perdido a final de 2020, segundo relata a BBC. O alemão manteve, segundo a mesma fonte, uma postura serena ao longo do encontro, contrastando com a derrota que o marcou naquele ano.

No quadro feminino, Elena Rybakina bateu Aryna Sabalenka, bicampeã em título, para conquistar o seu primeiro US Open e o terceiro Grand Slam da carreira, de acordo com a BBC. A vitória tira à bielorrussa a hipótese de um terceiro título consecutivo em Flushing Meadows.

Na Fórmula 1, Kimi Antonelli venceu o Grande Prémio de Espanha, disputado pela primeira vez no traçado do Madring, e reforçou a liderança do campeonato de pilotos com 81 pontos de vantagem, a oitava vitória da época para o piloto da Mercedes, segundo a Formula1.com.

Lando Norris terminou em terceiro depois de ver as suas hipóteses de vitória comprometidas pelo momento em que foi accionado o Virtual Safety Car, explicou Andrea Stella, chefe de equipa da McLaren, à Formula1.com. A paragem obrigatória chegou numa altura desfavorável da corrida, retirando ao britânico a possibilidade de reter a liderança.

Toto Wolff justificou a estratégia de dupla paragem de George Russell, decisão que a Mercedes defendeu como acertada apesar do resultado abaixo do esperado para o piloto britânico, segundo a mesma fonte.

Lewis Hamilton descreveu-se como "sortudo por conseguir chegar" às boxes depois de uma falha nos travões do seu Ferrari nas voltas iniciais, quando disputava a terceira posição com Max Verstappen, avança a Motorsport.com.

Fora da pista, um momento entre Antonelli e o pai, Marco Antonelli, junto à grade após a corrida tornou-se viral, segundo a Motorsport.com, numa época em que o piloto italiano consolida a liderança do campeonato de forma sólida.

Mercados & Economia
Movimento da sessão por posiçãoSESSÃO (%)IBCI iShares € Inflation -0.30%XEON Xtrackers €STR+0.02%VGEA Vanguard EUR Govt Bo+0.05%MEUD Amundi Stoxx Europe +0.56%SPXS Invesco S&P 500+1.02%EMIM iShares MSCI EM IMI+1.15%TOTAL+0.62%
O Farol · movimento da sessão

Petróleo dispara com o Irão e trava o corte de juros da Fed

Brent sobe mais de 2% e reforça a tese de que a Fed vai subir juros em vez de os cortar, o que empurra a parte longa da curva e testa a paciência da carteira em dívida soberana

O Brent subiu 2,08% depois de Donald Trump ter dito que os Estados Unidos sairão do Irão a não ser que decidam "ficar com o petróleo", segundo o Jornal de Negócios. A frase reacende o prémio de risco geopolítico no crude e complica a vida a quem espera inflação em queda constante.

É esse o pano de fundo da tensão relatada pelo Jornal de Negócios entre Kevin Warsh e a Casa Branca: Trump quer juros mais baixos, mas os dados apontam para uma subida da Fed na próxima reunião. Um petróleo mais caro alimenta directamente as expectativas de inflação, e são essas expectativas que movem a parte longa da curva: o Tesouro dos EUA a 10 anos subiu 0,63% porque o mercado exige mais rendimento para compensar a perda de poder de compra futuro de um cupão fixo.

O EUR/USD desceu 0,32%, um dólar mais forte que corta nos dois sentidos para um investidor em euros. Penaliza quem compra energia ou bens importados em dólares, mas valoriza qualquer posição em activos denominados em dólares no momento de a converter de volta. É parte da explicação para o SPXS ter subido 1,02%, mais do que o próprio S&P 500 (+0,86%) em dólares.

A carteira do leitor somou 0,62% no dia, puxada por EMIM (+1,15%) e SPXS (+1,02%), enquanto VGEA mal se mexeu (+0,05%) com as yields a subir, o que pressiona os preços da dívida soberana em sentido inverso. É precisamente esse sleeve, com um desvio de -10,1 pontos percentuais face ao peso-alvo de 28%, que continua mais subponderado. Um contexto de yields mais altas não garante nada sobre o preço amanhã, mas torna a duração progressivamente mais barata para quem tem de reforçar segundo o plano.

Tecnologia
TechCrunch

Anthropic fecha acordo de computação de 13,7 mil milhões com a Rum Group

O contrato de seis anos surge numa vaga de acordos de infraestrutura que expõe a dependência da Nvidia de poucos clientes e a corrida por energia para os centros de dados

A Anthropic assinou um acordo de computação avaliado em 13,7 mil milhões de dólares ao longo de seis anos com a Rum Group, empresa com raízes nas redes sociais e ligações antigas à administração Trump, segundo uma fonte próxima do processo citada pela The Information.

O contrato é o mais recente de uma série de acordos de cloud computing que a Anthropic tem fechado nos últimos meses, à medida que a empresa expande a capacidade de treino e inferência para os seus modelos Claude, de acordo com a mesma publicação.

A dependência de poucos clientes de grande dimensão tornou-se um risco visível para a Nvidia. Jensen Huang tem investido em neoclouds e outras empresas de IA precisamente para diversificar a base de compradores, segundo a The Information, numa altura em que alguns dos maiores clientes podem reduzir compras futuras.

A corrida por capacidade computacional está a colidir com a resistência das comunidades aos centros de dados. Amazon, Microsoft e Oracle têm reforçado ofertas financeiras a municípios e reguladores para obter aprovação de novas instalações, e têm assumido posições públicas contra as utilities que propõem transferir parte dos custos para os consumidores, segundo a The Information.

Em paralelo, a Anthropic, a OpenAI e a Google discutiram em privado a criação de um organismo de normas de segurança para o sector, antes de Dario Amodei apelar publicamente, no sábado, a uma coordenação entre empresas de IA para testes e auditorias, segundo fontes citadas pela The Information.

Fora do plano de infraestrutura, a Perplexity confirmou estar a usar o modelo Astra da OpenAI para escrever comunicações, alterar software e monitorizar sistemas em produção, com verificações humanas menos frequentes do que exigiam modelos anteriores, segundo a OpenAI.

Portugal & Espanha
Expresso

Juros mais altos apertam Orçamento e casa fica mais cara em Espanha

Lisboa prepara o OE de 2027 com a factura da dívida a pesar de novo, enquanto Madrid confirma que comprar casa nunca esteve tão difícil

O Orçamento do Estado que o Governo entrega dentro de um mês vai lidar com um regresso indesejado: o agravamento dos encargos com juros da dívida pública, depois de vários anos de alívio nesta rubrica, segundo o Público. A tendência complica a margem orçamental num momento em que outras despesas, como o custo do IRS Jovem, continuam a pressionar as contas, segundo o economista Sérgio Vasques em opinião no mesmo jornal.

Em Espanha, o esforço financeiro das famílias para comprar casa própria cresceu nove vezes mais depressa do que na restante zona euro desde 1980, de acordo com o El País. O país lidera agora a lista europeia de esforço económico para aceder a habitação em propriedade, um dado que reforça a pressão sobre o mercado em Madrid e noutras grandes cidades.

Em paralelo, a Lightsource BP reduziu em 35% a dimensão da central solar Sophia, projectada para o distrito de Castelo Branco, depois de mais de 12 mil participações na consulta pública do ano passado, segundo o Expresso. A empresa diz ter incorporado as preocupações das comunidades locais no redesenho do projecto.

Europa & EUA
The Guardian

Rússia atinge comboio perto da fronteira polaca com Johnson a bordo

Ataque com drone atingiu a locomotiva minutos depois de o ex-primeiro-ministro britânico e o antigo director da CIA David Petraeus terem entrado em território polaco

Um drone russo atingiu a locomotiva de um comboio de passageiros perto da fronteira entre a Polónia e a Ucrânia, pouco depois de Boris Johnson e o antigo director da CIA David Petraeus terem cruzado para território polaco no mesmo comboio, segundo a operadora ferroviária ucraniana Ukrainian Railways, citada pelo The Guardian.

As autoridades ucranianas não confirmam se o comboio era o alvo específico do ataque, mas o incidente ocorre num troço sensível da rede ferroviária, usado com frequência por dirigentes e visitantes estrangeiros a caminho de Kiev.

A Polónia e a Ucrânia classificaram o ataque como uma escalada. Um ministro polaco exigiu, segundo o mesmo jornal, um reforço 'duplo' do apoio ocidental a Kiev na sequência do incidente, que soma 1 664 dias de guerra desde a invasão russa.

O episódio surge numa semana marcada também pela cimeira sobre o Árctico, onde o chanceler alemão Friedrich Merz discutiu a estratégia europeia para a região enquanto enfrenta turbulência interna na coligação, segundo o Politico Europe.

O Vigia · as quatro medalhas do dia
As quatro medalhas do diaOUROPRATABRONZELATA
Jensen Huang
Ouro
Jensen Huang
O fornecedor de placas gráficas que decidiu comprar também um seguro contra os próprios clientes.
Investe em neoclouds para diversificar compradores, enquanto a Anthropic fecha 13,7 mil milhões de dólares com a Rum Group, segundo a The Information.
Diversificar antes que os grandes clientes cortem compras é prudência disfarçada de ambição. A Nvidia protege-se da sua própria dependência.
Kevin Warsh
Prata
Kevin Warsh
O responsável da Fed que resiste à vontade presidencial de baixar juros por decreto.
Trump quer juros mais baixos; os dados apontam para uma subida na próxima reunião da Fed, segundo o Jornal de Negócios.
Ler os números em vez do inquilino da Casa Branca devia ser rotina num banco central. Em Washington, hoje, é façanha.
Bronze
Lightsource BP
A promotora que preferiu admitir o erro a insistir num parecer ambiental já reprovado.
Desistiu da central solar prevista para Castelo Branco e Idanha-a-Nova depois de concluir que as alterações exigidas a inviabilizavam financeiramente.
Cortar perdas cedo é o oposto do vício nacional de arrastar projectos mortos até à exaustão dos contribuintes. Raro elogio a uma retirada.
Sporting CP
Lata
Sporting CP
O clube que sabe construir uma vantagem e, com igual dedicação, deitá-la fora nos descontos.
Perdeu um triunfo em Famalicão já em tempo de compensação, apesar do penálti convertido por Luis Suárez, segundo o Público.
Gerir uma vantagem com paciência não é opcional, é o trabalho. A quatro pontos do líder, cada ponto perdido por excesso de confiança pesa a dobrar.
O Farol · edição de segunda-feira, 14 de setembro de 2026 · gerado às 08:00 · arquivo · PDF
Fotografias creditadas aos respectivos autores. Nenhuma fotografia de actualidade é gerada por IA — o retrato de José Leonelas é a ilustração de um colunista fictício.