
Petróleo dispara a 108 dólares com Ormuz em risco
Estados do Golfo adiam encontro decisivo com o Irão e reacendem o receio de bloqueio na rota que escoa um quinto do petróleo mundial
O petróleo subiu para 108 dólares o barril esta segunda-feira, depois de os Estados do Golfo terem adiado uma reunião crucial com o Irão sobre o Estreito de Ormuz, avança o Financial Times. O adiamento trava, para já, os esforços diplomáticos para garantir a normalidade da navegação numa das rotas mais sensíveis do comércio energético global.
O Estreito de Ormuz escoa uma fatia significativa do petróleo e do gás natural liquefeito que chega aos mercados internacionais. Qualquer sinal de instabilidade nessa passagem tende a traduzir-se de imediato em prémio de risco no preço do crude, e foi isso que aconteceu assim que se soube do adiamento das conversações.
Para quem gere capital entre Portugal e Espanha, o efeito mais directo chega pela factura energética e pela inflação importada, num momento em que os bancos centrais já enfrentam pressão para não baixar a guarda. Nos Estados Unidos, o Financial Times nota que Kevin Warsh, à frente da Fed, está em rota de colisão com Donald Trump: os mercados esperam uma subida de juros para conter riscos inflacionistas, decisão que o preço do petróleo só torna mais provável e mais incómoda para a Casa Branca.
A tensão em Ormuz soma-se a outro sobressalto nos mercados esta segunda-feira: as acções ligadas a inteligência artificial recuaram a nível global depois de responsáveis do sector pedirem um abrandamento no ritmo de desenvolvimento da tecnologia, segundo o Financial Times. A japonesa SoftBank, accionista da OpenAI, chegou a cair 13% em bolsa. É um dia em que o apetite pelo risco esfria em várias frentes ao mesmo tempo, não só na energia.
Fica por saber quando será remarcado o encontro entre os Estados do Golfo e o Irão, e se o adiamento reflecte apenas uma questão de agenda ou um endurecimento de posições que possa, de facto, ameaçar o tráfego naval em Ormuz. Também não é claro se a Fed vai mesmo avançar com uma subida de juros no imediato ou se vai esperar por mais dados antes de testar a paciência de Trump.
Porto
Benfica
Sporting
Santa Clara
Arouca



