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O Farol em Voz Juros a 5%, petróleo a disparar 2 min 29 · subscrever
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Manchete
Financial Times

Juro japonês a 10 anos ultrapassa 3% e arrasta dívida global

A venda maciça de obrigações soberanas alastra de Washington a Tóquio e reacende o custo do dinheiro em todo o mundo

O rendimento das obrigações do Tesouro japonês a dez anos ultrapassou os 3% pela primeira vez, segundo o Financial Times, um nível que confirma o fim de uma era de dívida barata em Tóquio. O movimento acompanha uma venda continuada de dívida pública a nível global, que se seguiu a uma subida acentuada dos custos de financiamento dos Estados Unidos.

O gatilho imediato foi a escalada dos juros das obrigações do Tesouro norte-americano, que o Financial Times descreve como uma "subida histórica". Os investidores institucionais, confrontados com rendimentos mais atractivos em Washington, têm vindo a reduzir posições noutras dívidas soberanas, incluindo a japonesa, o que empurra os respectivos juros para cima em cadeia.

A subida do juro japonês tem peso próprio: o Japão é há décadas uma das maiores fontes de capital barato para os mercados globais, através do chamado carry trade. Um juro doméstico mais alto reduz o incentivo para os investidores japoneses financiarem activos no estrangeiro, o que pode retirar liquidez a mercados accionistas e de dívida fora do país.

O quadro complica-se com sinais de fraqueza na economia chinesa. O Financial Times reporta uma deterioração dos indicadores de investimento doméstico, o que aumenta a pressão sobre Pequim para reforçar o estímulo orçamental numa altura em que o custo do crédito sobe a nível global.

Do lado industrial, fabricantes norte-americanos enfrentam uma nova vaga de inflação nas cadeias de fornecimento, associada às tarifas de Donald Trump e à guerra no Irão, com a procura por componentes ligados à inteligência artificial a apertar ainda mais a oferta, segundo o Financial Times.

Para quem tem capital exposto a mercados obrigacionistas ou a crédito indexado, a questão central é se esta subida de juros é um ajuste pontual ou o início de uma normalização mais duradoura das taxas globais. O Financial Times não avança uma previsão sobre até onde pode ir o juro japonês, nem sobre o efeito que uma retirada de capital japonês teria sobre os mercados accionistas ocidentais. Também não está claro se Pequim vai responder com estímulo suficiente para travar a deterioração dos seus indicadores de investimento antes que o efeito se propague a outras economias asiáticas.

Futebol
Liga Portugal — classificação à 6.ª jornada
# Clube J V E D GM GS DG P
1 Porto 6 6 0 0 15 2 +13 18
2 Benfica 6 5 1 0 21 4 +17 16
3 Sporting 6 4 2 0 15 6 +9 14
4 Santa Clara 6 4 2 0 11 4 +7 14
5 Estrela da Amadora 6 2 4 0 14 12 +2 10

Traço à esquerda: lugar de prova europeia. Fonte: ESPN.

Record

Sporting sem Ba até à paragem FIFA

O central lesionou-se frente ao Alverca e a direcção do clube garante confiança total em Rui Borges apesar dos tropeços recentes.

Ba não volta a jogar pelo Sporting antes da próxima paragem FIFA. O central queixa-se do joelho direito depois de ter cumprido os 90 minutos frente ao Alverca e Rui Borges não voltou a chamá-lo desde então, segundo o Record.

A ausência chega numa altura em que o técnico leonino enfrenta as primeiras críticas da época. Segundo o Record, o presidente do Sporting mantém-se seguro quanto ao trabalho de Rui Borges e considera que os empates com o Estrela da Amadora e o Famalicão não alteram a confiança da direcção no treinador.

O plantel ocupa o terceiro lugar da Liga Portugal, com 14 pontos em seis jornadas, à frente do Santa Clara pela diferença de golos e a quatro pontos do líder FC Porto, que continua invicto.

No futebol feminino, Brenda Pérez e Georgia falaram ao zerozero sobre a ligação ao clube. As leoas terminaram a última edição da Liga BPI a 13 pontos do Benfica, mas as duas jogadoras garantem que essa distância não abala a ambição do grupo.

No resto da Liga Portugal, o FC Porto continua a explorar as bolas paradas como arma decisiva: sete dos 16 golos marcados nasceram de lances de bola parada, segundo o Record, e em quatro jogos foi assim que a equipa de Francesco Farioli desbloqueou o resultado.

O Arouca perdeu com o Santa Clara na estreia de Rukavina, que mostrou olhos na baliza apesar da derrota, de acordo com o Record.

Na Amadora, o Rio Ave empatou a três bolas com o Estrela, resultado que deixou Sotiris Sylaidopoulos com reacções críticas após o jogo, conforme relatou o zerozero.

F1 & Ténis
BBC Ténis

Zverev conquista segundo Grand Slam no US Open

O alemão bateu Ben Shelton em quatro sets numa final decidida por detalhes, seis anos depois de perder o mesmo troféu

Alexander Zverev venceu o US Open pela primeira vez, batendo Ben Shelton por 6-3, 7-6 (7-6), 5-7, 6-2 na final de singulares masculinos. É o segundo título de Grand Slam da carreira do alemão, segundo a BBC.

A vitória fecha um ciclo que começara com dor: Zverev perdeu a final do mesmo torneio há seis anos, frente a Dominic Thiem. Desta vez, de acordo com a BBC, manteve-se ‘zen’ nos momentos decisivos, mesmo depois de ceder o terceiro set após ter estado a controlar o jogo.

O quarto set voltou a mostrar o Zverev dominante da primeira manga: um 6-2 sólido que travou a reacção de Shelton e fechou o troféu sem sobressaltos.

Em Fórmula 1, o Grande Prémio de Espanha deixou um sabor amargo a Lando Norris. Na estreia do circuito de Madring, o britânico da McLaren liderava confortavelmente quando um Virtual Safety Car, accionado após o abandono de Lance Stroll, apanhou-o a segundos da entrada nas boxes. O atraso custou-lhe a vitória e resumiu-se a terceiro lugar, atrás de Kimi Antonelli, que venceu a corrida e fechou a etapa europeia do calendário.

O episódio gerou polémica extra-pista: Guenther Steiner, antigo chefe da Haas, classificou de ‘pouco profissional’ o momento em que Norris apareceu a beber uma Coca-Cola na sala de arrefecimento pós-corrida, segundo a Motorsport.com. Norris, entretanto, trocou o volante do MCL39 pelo do McLaren MCL-HY, o hypercar de Le Mans, completando o primeiro teste completo com o carro em Portimão, dois dias depois da corrida em Madrid.

O campeonato segue agora para o Azerbaijão, com o Grande Prémio de Baku marcado excepcionalmente para sábado em 2026, à medida que a época avança para a fase asiática do calendário.

Mercados & Economia
Movimento da sessão por posiçãoSESSÃO (%)IBCI iShares € Inflation -0.30%XEON Xtrackers €STR+0.02%VGEA Vanguard EUR Govt Bo+0.05%MEUD Amundi Stoxx Europe +0.56%SPXS Invesco S&P 500+1.02%EMIM iShares MSCI EM IMI+1.15%TOTAL+0.62%
O Farol · movimento da sessão

Petróleo dispara e juros dos EUA tocam 5% pela primeira vez desde 2023

Ataques a oleoduto saudita empurram o Brent acima dos 108 dólares e reacendem o medo de inflação que já tinha travado a curva de juro

O Brent subiu 1,23% esta segunda-feira, acima dos 108 dólares por barril, depois de drones dos Houthi terem atingido infra-estruturas na Arábia Saudita e deixado fora de serviço, por semanas, o oleoduto Leste-Oeste que liga os campos do golfo ao Mar Vermelho, segundo o Jornal de Negócios. Com o Estreito de Ormuz já condicionado, essa artéria de 1 200 quilómetros é a válvula de escape do crude saudita: a sua paragem retira opções de exportação numa altura em que o mercado já estava nervoso.

A reacção mais imediata foi na dívida soberana. Os juros a dez anos do Tesouro dos EUA chegaram aos 5%, um nível que não se via desde 2023, segundo o The Guardian. O mecanismo é directo: petróleo mais caro alimenta expectativas de inflação, e quem compra obrigações a dez anos exige um cupão maior para compensar a erosão do poder de compra futuro. Isso traduz-se em preços mais baixos e yields mais altos, um movimento que se propaga da dívida americana à europeia.

As bolsas tecnológicas somaram outra frente de pressão. Os líderes da Anthropic, da OpenAI e da SpaceX pediram um abrandamento no desenvolvimento de inteligência artificial, alegando riscos de segurança, e as acções ligadas ao sector recuaram, segundo o The Guardian e o Jornal de Negócios. Donald Trump classificou o apelo de conspiração. O resultado combinado, petróleo a subir e tecnologia a cair, empurrou o S&P 500 e o Stoxx 600 para perdas de cerca de meio ponto percentual.

A carteira do leitor fechou o dia a subir 0,62%, um resultado que contraria a fotografia dos índices. A explicação está no câmbio: o EUR/USD caiu 0,48%, ou seja, o dólar valorizou face ao euro, o que beneficiou as posições ligadas a activos em dólares. É por isso que o SPXS ganhou 1,02% em euros mesmo com o S&P 500 a perder 0,48% em dólares, e que o EMIM subiu 1,15% apesar da fraqueza generalizada em bolsas emergentes. O núcleo europeu, MEUD, subiu 0,56%, destacando-se da queda do Stoxx 600 e do DAX.

A leitura contra o plano continua a apontar para a mesma direcção. VGEA, o lastro de dívida soberana em euros, mantém-se 10,1 pontos percentuais abaixo do peso-alvo de 28%, mesmo depois de um dia quase plano, com 0,05%. Numa sessão em que os juros sobem por causa do petróleo e não por sinal de crescimento, esse desvio não pede pressa, mas continua a marcar onde deve ir o próximo reforço.

Tecnologia
Salesforce

Agente da Salesforce resolve 96% dos pedidos da TSA sem escalada

A Agência de Segurança dos Transportes dos EUA usa o agente Ace para tratar 100 mil conversas por mês, um caso concreto de Agentforce em produção à escala federal

A Transportation Security Administration norte-americana implementou Ace, um agente construído sobre a plataforma Agentforce da Salesforce, para responder a dúvidas de viajantes sobre segurança aeroportuária. Segundo a Salesforce, o agente processa 100 000 conversas por mês e resolve 96% das questões de rotina sem intervenção humana.

O número relevante não é o volume, mas a taxa de resolução sem escalada: mostra que a arquitectura de Agentforce consegue manter um agente dentro do domínio de conhecimento definido (regras de bagagem, tempos de espera, documentação) sem recorrer a um humano na maioria dos casos, o que reduz custo operacional numa agência com picos de procura sazonais.

Do lado dos modelos, Noam Brown, investigador da OpenAI, disse que a prioridade da empresa para agentes de IA não é a automação de tarefas de escritório, mas a automação da própria investigação em IA. O modelo mais recente, GPT-6 Astra, mostrou ganhos em tarefas profissionais como design de jogos e transcrição de partituras, mas o objectivo declarado de treino é tornar os modelos melhores a fazer investigação e desenvolvimento de IA, segundo a The Information.

Nos mercados, a reacção de Wall Street a um eventual abrandamento do desenvolvimento de IA favoreceu fornecedores de software empresarial. De acordo com a The Information, a ServiceNow subiu 7% e a Salesforce quase 5% numa sessão em que investidores leram o abrandamento como alívio para empresas que temiam ver os seus produtos substituídos por agentes genéricos.

Em aquisições, a OpenAI comprou a Glass Imaging, startup fundada por ex-engenheiros da Apple especializada em qualidade de imagem para câmaras de smartphone, por 300 milhões de dólares, segundo o Wall Street Journal citado pela The Information e pela TechCrunch. A startup tinha sido avaliada em 100 milhões de dólares numa ronda de financiamento no ano passado, o que sugere ambição de hardware próprio por parte da OpenAI.

Portugal & Espanha
Expresso

BPP admite mais reembolsos, mas sem prazo definido

Enquanto o tribunal ainda não valida a primeira distribuição, o país discute também vagas escolares e o estado da democracia

O Tribunal do Comércio de Lisboa ainda não validou a distribuição parcial de 8,4% aos credores comuns do Banco Privado Português, um processo que arrasta os 80 milhões de euros prometidos há meses. Segundo o Público, o liquidatário admite que haverá pagamentos posteriores aos credores, mas não avança nem calendário nem montantes, deixando em aberto quando e quanto mais será recuperado.

Em Lisboa, o Ministério da Educação chegou a acordo com cerca de 30 diretores escolares para colocar, através da distribuição por turmas já existentes, os alunos que ainda aguardavam vaga, avança o Expresso. O problema mantém-se por resolver noutros concelhos do país, onde centenas de estudantes continuam sem colocação no início do ano lectivo.

Um relatório internacional citado pelo Expresso identifica onze anos consecutivos de recuo democrático global, com mais países a perder do que a ganhar terreno em liberdades civis. Portugal surge entre os países com queda mais acentuada na liberdade de expressão no período entre 2020 e 2025.

Europa & EUA
The Guardian

Caças da NATO abatem drone sobre a Lituânia

Aparelho terá entrado a partir da Bielorrússia, um dia depois de a Polónia recuperar destroços de outro drone

Caças da NATO abateram um drone que violou o espaço aéreo da Lituânia, segundo o The Guardian. O incidente ocorreu perto da aldeia de Pratkunai, no centro-sul do país, depois de as autoridades terem emitido um alerta em Vílnius e na região circundante.

De acordo com relatos citados pelo jornal britânico, o aparelho entrou em território lituano vindo da Bielorrússia. A Polónia, por seu lado, tinha destacado caças menos de um dia antes, após recuperar destroços de outro drone detectado no seu território.

A sucessão de incidentes junto à fronteira oriental da NATO surge num momento em que a aliança mantém patrulhas reforçadas no flanco leste. Nem Vílnius nem a Polónia atribuíram formalmente a origem dos aparelhos a uma acção deliberada de Moscovo ou Minsk, mas os episódios reacendem a atenção sobre a segurança do espaço aéreo báltico.

O caso ocorre em paralelo às negociações sobre a guerra na Ucrânia, com Volodymyr Zelensky a condicionar qualquer cessar-fogo energético a um compromisso russo verificável, segundo o mesmo jornal.

Fontes: The Guardian
O Vigia · as quatro medalhas do dia
As quatro medalhas do diaOUROPRATABRONZELATA
Supremo Tribunal dos Estados Unidos
Ouro
Supremo Tribunal dos Estados Unidos
Nove togas que já viram de tudo e continuam a não se impressionar com pedidos de bilionários com mandato.
Rejeitou o pedido de Donald Trump para restringir o voto por correspondência nas intercalares de Novembro, sem explicar a decisão, segundo o Observador.
Não precisou de argumentos: bastou dizer não. É o tipo de silêncio que faz mais pela democracia do que qualquer discurso.
Fernando Alexandre
Prata
Fernando Alexandre
O ministro que prometia reformar a escola portuguesa e agora reforça turmas para tapar buracos que a reforma não resolveu.
Chegou a acordo com cerca de 30 diretores escolares em Lisboa para colocar alunos sem vaga, mas o problema mantém-se noutros concelhos, segundo o Expresso.
Remendo eficaz em Lisboa, reforma ainda em coma no resto do país: resolveu o sintoma sem tocar na doença.
Jorge Mendes
Bronze
Jorge Mendes
O empresário que nunca teve um cliente que, na sua opinião, não merecesse a Bola de Ouro.
Defendeu que Yamal é favorito ao prémio 'por muita diferença', segundo o Observador.
Objectividade zero, conflito de interesses cem por cento: fala de futebol como quem já leu o contrato que vai assinar.
Lata
Banco Privado Português
O banco extinto que ainda não aprendeu a dizer 'quando' aos credores que continuam a esperar o dinheiro.
O tribunal ainda não validou o pagamento de 8,4% aos credores comuns e o liquidatário admite mais reembolsos, sem prazo nem montante, segundo o Público.
Promete reembolsos mas não diz quando nem quanto: a única certeza é que a espera, essa, paga-se sempre a tempo.
O Farol · edição de terça-feira, 15 de setembro de 2026 · gerado às 08:01 · arquivo · PDF
Fotografias creditadas aos respectivos autores. Nenhuma fotografia de actualidade é gerada por IA — o retrato de José Leonelas é a ilustração de um colunista fictício.