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O Farol em Voz Fed sob pressão, juros nos máximos e Madrid sem vencedor esperado 2 min 38 · subscrever
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Manchete
The Guardian

Economistas pedem ao Fed subida de juros, contra Trump

Sondagem da Financial Times com a Booth School mostra maioria de economistas a defender aperto monetário para conter a inflação, numa altura em que a Casa Branca pressiona por cortes nas taxas.

A maioria dos economistas inquiridos pela Financial Times, em parceria com a Booth School of Business da Universidade de Chicago, defende que a Reserva Federal deveria subir as taxas de juro para travar a inflação, segundo o jornal britânico. A recomendação choca directamente com a pressão pública exercida por Donald Trump para que o banco central corte custos de financiamento, numa altura em que a Casa Branca tenta condicionar a política monetária americana.

O momento não é acidental. A independência da Fed tornou-se um dos temas mais sensíveis da economia global depois de meses de ataques públicos de Trump aos responsáveis da instituição, incluindo tentativas de substituir membros do conselho antes do fim dos respectivos mandatos. Uma subida de juros contrariando a Casa Branca seria lida pelos mercados como um sinal de que o banco central continua a resistir à captura política, algo que investidores institucionais consideram essencial para a credibilidade da dívida e da moeda norte-americanas.

O contexto de mercado ajuda a explicar a urgência do debate. Segundo a Financial Times, o fundo soberano da Nova Zelândia, um dos de melhor desempenho a nível mundial com um crescimento de 14% no último ano apesar de estar subponderado em tecnológicas americanas, admite agora esperar uma correcção nas acções. A conjugação de avaliações esticadas em bolsa, sobretudo em torno da inteligência artificial, com uma possível subida de juros nos Estados Unidos, aumenta o risco de um ajuste mais brusco nos mercados accionistas globais, incluindo na Europa.

Para quem gere capital a partir de Madrid ou Lisboa, o efeito não é teórico. Uma Fed mais restritiva tende a valorizar o dólar, encarecer o financiamento em euros indexado a referências americanas e pressionar os múltiplos de empresas tecnológicas cotadas na Europa que dependem de capital barato. Um recuo nas bolsas, se vier a confirmar-se, testaria também a exposição de fundos de pensões e de poupança reformada a activos americanos sobrevalorizados.

O que ainda não se sabe é se a Fed vai de facto seguir a recomendação da maioria dos economistas inquiridos ou ceder à pressão política de Trump, e qual das duas opções os mercados já têm incorporada nos preços actuais. A próxima reunião do comité de política monetária deverá clarificar a direcção, mas o desfecho permanece em aberto.

Futebol
Liga Portugal — classificação à 6.ª jornada
# Clube J V E D GM GS DG P
1 Porto 6 6 0 0 15 2 +13 18
2 Benfica 6 5 1 0 21 4 +17 16
3 Sporting 6 4 2 0 15 6 +9 14
4 Santa Clara 6 4 2 0 11 4 +7 14
5 Estrela da Amadora 6 2 4 0 14 12 +2 10

Traço à esquerda: lugar de prova europeia. Fonte: ESPN.

Record

Sporting fica a contar baixas antes da pausa FIFA

Rui Borges já assumia como perdido o período até à deslocação a Braga, com vários jogadores a rumar às respectivas selecções

As convocatórias para a pausa internacional começam a chegar ao quartel-general do Sporting CP e os primeiros futebolistas já fazem as malas, segundo o Record. Rui Borges tinha dado como perdido este período de treinos até à visita a Braga, ciente de que o plantel ficaria reduzido durante vários dias.

Entre os que deixam Alcochete está Silas Andersen. O médio de 22 anos foi chamado pela selecção da Dinamarca para os sub-21, a contar para a qualificação para o Europeu do escalão, de acordo com o zerozero.

No capítulo europeu, o Lens, adversário do Sporting na fase de liga da Champions, anunciou o despedimento de Dino Toppmöller. O técnico alemão, que tinha chegado ao clube francês no início da época, saiu depois de divergências com a direcção sobre a contratação de um treinador adjunto português, avança o zerozero.

Na Liga Portugal, o FC Porto lidera isolado com 18 pontos e pleno de vitórias, seguido do Benfica com 16. O Sporting soma 14, tal como o Santa Clara, depois de seis jornadas sem perder. No FC Porto, André Silva marca posição como titular esperado para o clássico, apesar da concorrência de Gimenez e Samu, segundo o Record.

No Sp. Braga, Jonas Wind viu o esforço ser recompensado com o primeiro golo pela equipa, fruto de meses de trabalho para recuperar a forma física. Já o Gil Vicente recupera Diogo Prioste, médio emprestado pelo Benfica que falhou o jogo na Luz por indisponibilidade contratual. O Moreirense, por seu lado, investiu cerca de 4 milhões de euros a rejuvenescer o plantel, numa aposta que baixou significativamente a média de idades do grupo, de acordo com o Record.

F1 & Ténis
Formula 1

Safety car virtual tira vitória a Norris em Madrid

Antonelli venceu a estreia do Grande Prémio de Espanha no Madring depois de a McLaren gerir mal o tempo de reacção ao VSC.

Lando Norris tinha construído uma vantagem de seis segundos nas primeiras 12 voltas do Grande Prémio de Espanha, disputado pela primeira vez no traçado urbano de Madrid. Essa margem, e não a falta dela, acabou por ditar a derrota: segundo o principal de equipa da McLaren, Andrea Stella, citado pela Motorsport.com, ultrapassar no Madring revelou-se praticamente impossível, o que transformou qualquer decisão de box numa aposta de alto risco.

Foi essa aposta que saiu mal. Quando um Virtual Safety Car entrou em pista, a McLaren chamou Norris às boxes, mas o momento escolhido anulou a vantagem construída em pista. O analista Jolyon Palmer, na Formula1.com, considera que a chamada não fez sentido: em lugar de proteger a liderança, cimentou a perda da corrida, já que Norris saiu da paragem sem espaço para recuperar a posição perante o tráfego que se formou à sua frente.

Kimi Antonelli aproveitou o desfecho para vencer, com a Mercedes a explicar, através do director-adjunto Bradley Lord, porque decidiu Russell fazer duas paragens mesmo tendo arrancado com pneus duros: a equipa alemã leu o VSC como janela para diferenciar estratégia num traçado onde ultrapassar em pista quase não acontecia.

A corrida em casa correu mal a Carlos Sainz, que não viu a bandeira de xadrez ao volante da Williams, numa tarde que a Formula1.com descreve como tormentosa. Yuki Tsunoda também não pontuou, 14º pela Racing Bulls, depois de sofrer danos avultados num toque com o espanhol.

A Ferrari mantém o foco no carro deste ano. Fred Vasseur garantiu à Motorsport.com que a Scuderia vai continuar a desenvolver o SF-26 apesar de as hipóteses de título se reduzirem, depois de Lewis Hamilton ter abandonado em Madrid por avaria nos travões e ficar a 101 pontos de Antonelli no campeonato.

No ténis, Jack Draper anunciou que não volta a competir esta época. O antigo número quatro do mundo disse à BBC que o objectivo é regressar ao circuito logo no arranque do próximo ano.

Mercados & Economia
Movimento da sessão por posiçãoSESSÃO (%)EMIM iShares MSCI EM IMI-2.11%MEUD Amundi Stoxx Europe -0.52%SPXS Invesco S&P 500-0.30%XEON Xtrackers €STR-0.01%VGEA Vanguard EUR Govt Bo+0.00%IBCI iShares € Inflation +0.09%TOTAL-0.58%
O Farol · movimento da sessão

Juros da dívida dos EUA nos máximos de 19 anos

A yield a 10 anos tocou 5,041% e o secretário do Tesouro chama-lhe sucesso, mas o mercado lê subida de risco geopolítico e inflação

A yield das obrigações do Tesouro dos EUA a 10 anos atingiu 5,041% na terça-feira, o nível mais alto em 19 anos, segundo o Jornal de Negócios. O movimento de venda nas obrigações soberanas, que já dura semanas, está a ser alimentado sobretudo pela escalada do preço do petróleo, que reintroduz pressão inflacionista nas expectativas dos investidores.

O mecanismo é directo: quando o mercado teme mais inflação futura, exige uma remuneração maior para financiar dívida a longo prazo, o que empurra as yields para cima e os preços das obrigações para baixo. Scott Bessent, secretário do Tesouro norte-americano, defendeu que o programa de recompra de dívida do governo foi um sucesso, segundo o Guardian, mesmo com o custo de financiamento a subir. O Gabinete de Orçamento do Congresso estima que a guerra no Irão já custou mais de 33 mil milhões de euros ao Departamento de Defesa até Agosto, outro factor a pesar no prémio de risco embutido nas taxas.

Nas bolsas, o S&P 500 recuou 0,45% e o Stoxx 600 caiu 0,28%, com o ouro a valorizar 0,85% num sinal clássico de procura por refúgio. O Brent desceu 0,73%, um alívio parcial face à pressão inflacionista que motivou a subida das yields.

A carteira do leitor perdeu 0,58% no dia. O EMIM foi o maior detractor, a cair 2,11%, seguido pelo MEUD com 0,52%. O VGEA, a componente de dívida soberana em euros, manteve-se praticamente estável, mas o seu desvio de 10 pontos percentuais face ao peso-alvo de 28% confirma que continua a ser a posição mais subponderada da carteira. Com as yields globais a subir em conjunto com as norte-americanas, o custo de reconstruir esta posição de lastro pode continuar a ser favorável, mas o plano do leitor aponta para reforços graduais nesse sleeve, não para movimentos precipitados face a um único dia de mercado.

Tecnologia
Salesforce

Salesforce abre o Agentforce a nuvens e modelos rivais

No Dreamforce 2026, a empresa troca a interface fixa por agentes que actuam directamente sobre dados e lógica, e aceita interoperar com a AWS

A Salesforce apresentou no Dreamforce 2026 uma mudança de arquitectura que vai além do lançamento habitual de funcionalidades: o AIforce, uma camada que permite a agentes raciocinar e agir sobre todos os dados, fluxos de trabalho e lógica de negócio dentro da plataforma, sem depender de uma interface fixa, segundo a empresa. Em vez de ecrãs pré-desenhados, a promessa é a de interfaces compostas e geradas em tempo real, onde quer que o trabalho aconteça.

A empresa anunciou também que o grupo de recrutamento Adecco vai alargar o Agentforce Coworker a 40 países, um dos maiores rollouts declarados de agentes de IA em produção dentro de uma única organização, de acordo com a Salesforce. A dimensão do caso é relevante como indicador de escala real de adopção empresarial, ainda que a empresa não tenha detalhado métricas de desempenho ou custo da implementação.

O movimento mais significativo para quem compra estas plataformas veio da parceria com a AWS. As duas empresas anunciaram integrações que levam dados e contexto do Salesforce para o Amazon Quick, colocam agentes da AWS dentro do Slack e adoptam o protocolo Agent2Agent (A2A) para ligar, em voz bidireccional e tempo real, o Agentforce Voice ao Amazon Connect. A Salesforce sublinha que a integração não exige migração de dados, o que reduz o atrito habitual de bloqueio a um único fornecedor e sinaliza uma aposta em interoperabilidade multi-nuvem em vez de ecossistema fechado.

O anúncio surge na mesma semana em que o debate sobre segurança de IA ganhou intensidade fora do Dreamforce. Mark Zuckerberg, da Meta, defendeu que a segurança se tornou uma necessidade competitiva para os laboratórios de modelos, rejeitando implicitamente apelos a um abrandamento colectivo do desenvolvimento, segundo o The Information. Elon Musk propôs que empresas rivais façam revisão cruzada dos modelos umas das outras antes do lançamento. Dois investigadores de segurança da Google DeepMind, Bilal Chughtai e Josh Engels, demitiram-se citando preocupações sobre risco de sistemas mais capazes, de acordo com a mesma fonte.

Portugal & Espanha
Expresso

Banco de Portugal sob escrutínio por crédito bonificado

Enquanto famílias enfrentam juros e inflação mais altos, o regulador financeiro concede empréstimos a taxas reduzidas aos seus próprios administradores

Setembro chegou com o regresso às aulas, gasolina mais cara, inflação e juros mais altos, segundo o Expresso. É o cenário em que as famílias portuguesas recomeçam o ano, ao mesmo tempo que surge um caso de contraste dentro do aparelho do Estado.

De acordo com o Público, o governador do Banco de Portugal, Santos Pereira, teve direito a um crédito automóvel de 29 mil euros a taxas reduzidas. Mais quatro administradores da instituição beneficiaram de condições semelhantes. O banco central defende a prática, alegando tratar-se de uma política antiga, com cerca de 230 novos créditos idênticos concedidos todos os anos.

No plano político, o consultor do Presidente da República, Luís Aguiar-Conraria, considera que a Iniciativa Liberal pode encontrar em António José Seguro um aliado para medidas de concentração empresarial, avança o Expresso. O partido liberal defende ainda o alargamento da licença parental até aos oito meses, paga a 100%, caso seja partilhada entre pai e mãe.

Europa & EUA
Politico Europe

Von der Leyen discursa à União com apoio fraco em casa

A presidente da Comissão Europeia apresenta hoje o discurso sobre o Estado da União perante um Parlamento em Estrasburgo e uma opinião pública que mal a reconhece

Ursula von der Leyen profere esta manhã o discurso anual sobre o Estado da União Europeia, o momento mais solene do calendário político de Bruxelas, segundo a Politico Europe. A intervenção decorre no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, e deverá abordar, entre outros temas, a regulação da inteligência artificial, uma das questões que mais tem dividido Estados-membros e indústria.

A véspera do discurso coincidiu com a divulgação de uma sondagem da Politico realizada na Alemanha, que mostra um quadro pouco favorável à presidente da Comissão: 45 por cento dos inquiridos consideram que Von der Leyen está a fazer um mau trabalho. O inquérito indica também que uma parte significativa dos cidadãos europeus não sabe identificar quem ocupa o cargo de presidente da Comissão Europeia.

O contraste entre a centralidade institucional do discurso e o desconhecimento generalizado sobre a própria figura da presidente ilustra uma tensão antiga na construção europeia: a distância entre as decisões tomadas em Bruxelas e a percepção que delas têm os cidadãos nos Estados-membros.

A Comissão não comentou publicamente os resultados da sondagem antes do discurso de hoje.

O Vigia · as quatro medalhas do dia
As quatro medalhas do diaOUROPRATABRONZELATA
FC Porto
Ouro
FC Porto
O único inquilino da liga que ainda não perdeu as chaves de casa.
Lidera isolado com 18 pontos e pleno de vitórias na Liga Portugal.
Enquanto os rivais gerem crises, o FC Porto gere resultados. Raro, e por isso premiado.
Vladimir Putin
Prata
Vladimir Putin
O homem que transforma urnas em decoração de interior.
Milhões de russos votam este fim-de-semana num parlamento cujo resultado já estava escrito, avisa o Guardian.
A eleição finge escolha, não a oferece. Um aviso para democracias que acham imunidade garantida.
Ursula von der Leyen
Bronze
Ursula von der Leyen
A presidente que a Europa mal reconhece pela cara.
45% dos alemães inquiridos pela Politico dizem que faz mau trabalho, na véspera do discurso sobre o Estado da União.
Estrasburgo aplaude, a Alemanha encolhe os ombros.
Banco de Portugal
Lata
Banco de Portugal
O regulador que ensina juros altos aos outros e baixos a si mesmo.
Crédito automóvel de 29 mil euros a taxa reduzida para o governador; mais quatro administradores, semelhante sorte.
Chama-se prática antiga. Devia chamar-se vergonha actual.
O Farol · edição de quarta-feira, 16 de setembro de 2026 · gerado às 07:51 · arquivo · PDF
Fotografias creditadas aos respectivos autores. Nenhuma fotografia de actualidade é gerada por IA — o retrato de José Leonelas é a ilustração de um colunista fictício.