
Trump expulsa CNN, Politico e MS Now da Casa Branca
A decisão chega a semanas das eleições intercalares e reacende o debate sobre os limites da Primeira Emenda nos Estados Unidos
Donald Trump anunciou o banimento da CNN, da MS Now e da Politico do acesso às instalações da Casa Branca, segundo avançou a BBC. A medida junta-se a uma longa lista de confrontos entre o presidente e órgãos de comunicação social que considera hostis, uma relação que a própria BBC descreve como tensa e recorrente ao longo de toda a sua carreira política.
O momento não é neutro. Os Estados Unidos aproximam-se das eleições intercalares e a decisão surge numa altura em que a Casa Branca já enfrenta escrutínio sobre outras instituições culturais e mediáticas. Em Washington, milhares de manifestantes concentraram-se junto ao Kennedy Center depois de o presidente ter sido fotografado com um cartaz alusivo à demolição do edifício, segundo relatou o Guardian. O padrão que emerge é o de uma administração disposta a usar o controlo do acesso institucional como instrumento de pressão sobre vozes críticas.
As reacções ao banimento dos órgãos de imprensa foram imediatas. Segundo o Guardian, críticos classificaram a medida como uma violação dificilmente mais flagrante da Primeira Emenda, que protege a liberdade de imprensa na Constituição americana. A gravidade da acusação não é menor: trata-se de um dos pilares do sistema constitucional dos Estados Unidos, e não da primeira vez que esta administração é acusada de o testar.
Para quem tem capital exposto a activos americanos, o episódio não é um detalhe de política interna. Instituições previsíveis são parte do preço que os mercados pagam pelos títulos do Tesouro e pelo dólar como reserva de valor. Cada sinal de erosão nas regras que regem o acesso à informação e o funcionamento das instituições públicas soma-se a um risco político que, até agora, os investidores tendem a descontar como ruído passageiro.
Fica por saber se a exclusão destes órgãos será alvo de contestação judicial e com que argumentos. Não é claro também se outros meios serão visados nas próximas semanas, nem que efeito prático terá a medida sobre a cobertura das eleições intercalares. O que o material disponível não permite ainda avaliar é se este episódio marca uma escalada isolada ou o início de um padrão mais sistemático de restrição ao acesso da imprensa durante o resto do mandato.
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