
Crise política em Berlim ameaça orçamento europeu de 2 biliões
O desgaste eleitoral do chanceler alemão trava as negociações do quadro financeiro plurianual da União Europeia, justamente quando a economia germânica dava sinais de recuperação
O chanceler alemão, Friedrich Merz, chega às negociações do orçamento comunitário com a autoridade diminuída, depois de o seu partido ter registado maus resultados em eleições regionais, segundo o Financial Times. O enfraquecimento político em casa está a projectar-se sobre Bruxelas, onde a Alemanha é peça central de qualquer acordo sobre o quadro financeiro plurianual da União Europeia, avaliado em cerca de dois biliões de euros.
O momento é particularmente incómodo porque, segundo o mesmo jornal, a economia alemã dá sinais de recuperação e o país teria margem fiscal para tentar gastar-se a si próprio para fora do impasse actual. Berlim tem historicamente puxado pela disciplina orçamental na União Europeia, mas também tem sido o parceiro que garante consensos difíceis entre Estados-membros com posições opostas sobre despesa comum, dívida mutualizada e prioridades de investimento.
Um chanceler sem capital político em casa tem menos margem para ceder em Bruxelas ou para impor concessões aos parceiros europeus. Isso complica um processo negocial que já é, por natureza, moroso: o quadro financeiro plurianual exige unanimidade entre os 27 e o aval do Parlamento Europeu. Para investidores e para governos que dependem de fundos estruturais e de coesão, entre os quais Portugal e Espanha, o calendário e a dimensão final do orçamento condicionam directamente o planeamento de investimento público para a próxima década.
Fica por saber se Merz consegue recompor a base de apoio interna a tempo de influenciar decisivamente as negociações, ou se a fragilidade política alemã se vai traduzir num orçamento europeu mais modesto do que o inicialmente desenhado. Também não é claro, com base na informação disponível, qual o calendário exacto que Bruxelas tem para fechar o dossiê, nem que concessões concretas estão em cima da mesa entre os principais blocos de Estados-membros.
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