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O Farol em Voz Petróleo em queda, IA em terra própria 2 min 22 · subscrever
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Manchete
Financial Times

Brent cai para mínimo de um ano com Irão em negociações

A queda do crude chega ao dia em que Trump ameaça o Irão na ONU e os automobilistas europeus pagam mais 40% pelo gasóleo

O petróleo Brent caiu abaixo dos 99 dólares por barril na sessão asiática de hoje, encaminhando-se para a sequência de perdas mais longa em mais de 12 meses, segundo o Financial Times. A descida acontece em simultâneo com conversações sobre o conflito no Médio Oriente, que incluíram, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, um encontro entre responsáveis dos Estados Unidos e do Irão.

O timing não é acidental. Donald Trump usou o discurso na ONU para ameaçar 'aniquilar' o Irão caso não se chegue a um acordo de paz, segundo a BBC e o Wall Street Journal, mas confirmou também que decorrem negociações. Os mercados de energia leem esse duplo sinal, ameaça retórica e canal diplomático aberto, como redução do prémio de risco geopolítico que há meses sustentava os preços do crude acima da média histórica.

A descida do Brent contrasta, no entanto, com o que sentem os automobilistas europeus. O gasóleo subiu cerca de 40% desde o início do ano e custa já 203 milhões de euros por dia a mais aos condutores do continente, segundo o Financial Times. A divergência entre o preço do crude e o preço à bomba explica-se por margens de refinação, fiscalidade e pela estrutura do mercado de gasóleo, mais dependente de importações e de capacidade de refinação europeia do que o petróleo bruto em si.

Para quem gere capital entre Portugal, Espanha e mercados globais, a combinação é relevante em duas frentes. Por um lado, a queda do Brent alivia pressão inflacionista sobre os bancos centrais, num momento em que a Reserva Federal enfrenta pressão política de Trump para cortar juros mais depressa, segundo o Financial Times. Por outro, o custo real da energia para famílias e empresas europeias continua a subir, o que limita o alívio que a descida do crude poderia trazer ao consumo.

Fica por saber se as negociações entre Washington e Teerão produzirão um acordo que sustente a descida do petróleo, ou se a retórica de Trump na ONU antecipa uma escalada que reverta a tendência. Também não está claro quanto tempo os preços do gasóleo europeu continuarão desligados da trajectória do crude, nem que resposta política, se alguma, os governos da União Europeia preparam para essa divergência.

Futebol
Liga Portugal — classificação à 7.ª jornada
# Clube J V E D GM GS DG P
1 Porto 7 7 0 0 18 3 +15 21
2 Benfica 7 5 1 1 22 7 +15 16
3 Sporting 7 4 3 0 17 8 +9 15
4 Santa Clara 7 4 3 0 11 4 +7 15
5 Arouca 7 3 2 2 10 7 +3 11

Traço à esquerda: lugar de prova europeia. Fonte: ESPN.

zerozero

Sporting fecha exercício com lucro de 34,7 milhões

Receitas atingem máximo histórico de 300 milhões de euros no quinto ano seguido de contas positivas

A Sporting SAD apresentou esta semana o relatório e contas do exercício de 2025/26, com um resultado líquido positivo de 34,7 milhões de euros. É o quinto ano consecutivo em que o clube termina a época com lucro, segundo o Record.

O volume de negócios atingiu os 300 milhões de euros, o valor mais elevado de sempre na história do clube, de acordo com o zerozero. O documento detalha ainda o peso da participação na Liga dos Campeões e a relação com fornecedores, dois dos cinco tópicos destacados pelo Record na leitura ao relatório.

Fora das contas, o plantel feminino prepara-se para a segunda eliminatória da UEFA Women's Europa Cup. O Sporting visita o Brondby IF na primeira mão, com Micael Sequeira a mostrar confiança no grupo e a assumir o objectivo de chegar às meias-finais da prova. O Torreense joga na mesma ronda, fora, frente ao FC Kharkiv.

Na Liga Portugal, o Sporting mantém-se no terceiro lugar à sétima jornada, com 15 pontos e ainda sem derrotas, três empates incluídos. O FC Porto lidera com pleno de vitórias e 21 pontos, seguido do Benfica, com 16, depois de cinco triunfos, um empate e uma derrota. O Santa Clara acompanha os leões, também com 15 pontos.

No Benfica, o dia trouxe três notícias distintas. As encarnadas estrearam-se na Liga dos Campeões feminina com um triunfo por 1-2 em Turim, diante da Juventus, e seguem agora para receber o Bayern Munique em Lisboa, segundo o Público. O clube confirmou também que Enzo Barrenechea foi operado com sucesso ao joelho esquerdo, depois da lesão sofrida. Por fim, o norueguês Schjelderup passou a ser representado pela Gestifute, a empresa liderada por Jorge Mendes, avança o Record.

F1 & Ténis
Motorsport

Hadjar recupera lugar na Red Bull antes do GP do Azerbaijão

Lawson regressa à Racing Bulls enquanto Baku celebra dez anos de calendário e Antonelli segue na frente do campeonato

Isack Hadjar volta este fim de semana ao lugar na Red Bull para o Grande Prémio do Azerbaijão, depois de uma lesão no pulso sofrida durante a pausa de Verão o ter afastado dos comandos, segundo a Motorsport.com. A recuperação obrigou-o a evitar conduzir durante semanas, período em que Liam Lawson assumiu o carro como suplente.

Com o regresso de Hadjar, Lawson volta à Racing Bulls, equipa onde tinha começado a época. A Motorsport.com nota que o piloto neozelandês encara agora a corrida de Baku com o futuro em aberto: a passagem pela Red Bull não garantiu continuidade e o mercado de pilotos para 2026 continua por decidir nesse lugar.

O circuito urbano de Baku assinala esta época dez anos de presença no calendário, contando desde a estreia como Grande Prémio da Europa em 2016. Só a temporada de 2020, afectada pela pandemia, ficou de fora da lista de edições disputadas nas ruas da capital azeri, recorda a Motorsport.com.

No campeonato de pilotos, Kimi Antonelli mantém a liderança e a F1.com já avança simulações sobre a corrida mais cedo em que o piloto da Mercedes poderia confirmar matematicamente o título, ainda que as contas dependam de resultados que só se decidem nas próximas rondas. Segue-se um dos troços mais exigentes da época, com Baku a abrir uma tripla jornada que passa por Singapura antes do fim do mês.

No ténis, a Grã-Bretanha perdeu a vantagem nos quartos-de-final da Billie Jean King Cup frente à República Checa, depois de Sonay Kartal ser derrotada por Marie Bouzkova e Katie Boulter também não vencer o seu encontro de singulares, segundo a BBC. A capitã britânica Anne Keothavong disse não ter reparos a apontar à equipa apesar da eliminação.

Em compensação, a seleção britânica assegurou presença nas Finais da Taça Davis pela primeira vez desde 2023, depois de vencer o Equador por 4-0 em Londres, avança a BBC. Fora dos courts, o Tribunal de Arbitragem Desportivo confirmou a improcedência da ação de 15 milhões de libras movida por Tara Moore contra a WTA, relacionada com o caso de doping que a manteve afastada do circuito durante quatro anos.

Mercados & Economia
Movimento da sessão por posiçãoSESSÃO (%)XEON Xtrackers €STR+0.01%IBCI iShares € Inflation +0.39%VGEA Vanguard EUR Govt Bo+0.57%MEUD Amundi Stoxx Europe +1.02%SPXS Invesco S&P 500+1.33%EMIM iShares MSCI EM IMI+2.63%TOTAL+1.24%
O Farol · movimento da sessão

Bolsas sobem e petróleo recua com sinal de Teerão sobre Ormuz

O prémio de risco geopolítico no crude dilui-se num dia em que os juros longos caem e o apetite por risco domina as praças globais

As bolsas fecharam em alta generalizada: o S&P 500 subiu 1,49%, o Stoxx 600 1,02%, o DAX 1,07% e o Nikkei 225 1,38%. Em paralelo, a yield do Tesouro dos EUA a dez anos recuou 0,70%, um movimento típico de dias em que o dinheiro procura risco em acções e alivia a procura por refúgio na dívida soberana.

O pano de fundo geopolítico ajuda a explicar o recuo do petróleo. As sanções dos EUA ao Irão entram em vigor à meia-noite e a aviação civil iraniana confirma, citada pelas agências Tasnim e Isna, que os aeroportos de Bagdade e Mascate deixam de receber voos iranianos, segundo o Jornal de Negócios. Mas Teerão transmitiu aos EUA condições para a reabertura do estreito de Ormuz, depois de uma reunião entre o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, e o emissário norte-americano Steve Witkoff, que Trump classificou como "muito boa". O mercado lê isto como um sinal de desanuviamento e o Brent recua 0,59%, apesar da escalada formal das sanções.

Trump disse ainda apoiar um banimento das exportações de diesel dos EUA para conter os custos energéticos internos, segundo o Guardian, embora a indústria avise que a medida pode sair pela culatra: restringir a exportação de um produto refinado altera os incentivos de refinação e pode empurrar para cima o preço da gasolina, mesmo com o crude mais barato.

Do lado europeu, um estudo citado pelo Guardian mostra que a UE gasta três vezes mais em importações chinesas do que exporta para a China, com um défice comercial superior a mil milhões de euros por dia em Julho, dias antes da cimeira entre Xi Jinping e Donald Trump. É o tipo de desequilíbrio estrutural que costuma pesar sobre as negociações comerciais bilaterais.

O EUR/USD caiu 0,30%, ou seja, o dólar fortaleceu-se face ao euro. Para um investidor em euros isto corta nos dois sentidos: activos denominados em dólares valem mais quando convertidos, mas um dólar mais forte tende a apertar as condições financeiras globais e a pesar sobre mercados emergentes e matérias-primas cotadas nessa moeda.

A carteira subiu 1,24%, com todas as posições em terreno positivo. EMIM liderou com 2,63% e SPXS somou 1,33%, reflexo directo da subida generalizada das bolsas. VGEA, a componente de dívida soberana em euros, avançou apenas 0,57% e continua a ser o sleeve mais subponderado, com um desvio de -10,2 pontos percentuais face ao peso-alvo de 28%. A queda das yields devia favorecer esta posição, mas o atraso acumulado reforça o caso para que o próximo reforço mensal continue dirigido à duração soberana em euros.

Tecnologia
TechCrunch

Anthropic negoceia centros de dados próprios com a Apollo

A empresa de Claude quer reduzir a dependência dos fornecedores de cloud e tornar-se inquilina directa de infra-estrutura de computação.

A Anthropic está em conversações preliminares para arrendar até 1 gigawatt de capacidade de computação junto da Stream Data Centers, promotora maioritariamente detida pela Apollo Global Management, segundo o The Information. Os centros de dados poderão alojar unidades de processamento tensorial (TPU) desenhadas pela Broadcom e pela Google, o que reforça a aposta da empresa em diversificar fornecedores de silício para lá da Nvidia.

O movimento insere-se num esforço mais amplo da Anthropic para deixar de depender exclusivamente de fornecedores de cloud como a AWS ou a Google Cloud, assinando directamente como inquilina de sites em desenvolvimento. Para uma empresa cuja despesa de treino e inferência cresce ao ritmo dos contratos empresariais que assina, controlar a infra-estrutura física deixa de ser opcional.

Do lado da Microsoft, o The Information avança que a empresa autorizou a equipa de vendas a oferecer descontos de 30% a 50% em subscrições do Copilot a clientes corporativos que se comprometam a grandes volumes de licenças e a pagamentos adicionais indexados ao uso de funcionalidades específicas. A medida acompanha o lançamento de uma "super app" de IA da Microsoft e sinaliza pressão competitiva sobre a margem por assento, à medida que o mercado de agentes empresariais se torna mais disputado.

A OpenAI apresentou o GPT-6 Sol e o GPT-6 Luna, dois modelos pensados para trabalho quotidiano com diferentes equilíbrios entre capacidade e custo, e melhorou o prompt caching do GPT-6 com taxas de acerto mais altas, novos diagnósticos e breakpoints explícitos para reduzir latência e despesa em produção. Num caso de uso concreto, a startup Parallel diz ter cortado a metade o tempo e o custo de investigação de dados do mercado de trabalho recorrendo a agentes construídos sobre o GPT-6 Astra, um dos poucos exemplos citados esta semana de agentes em produção real dentro de uma empresa.

No financiamento aplicado, a Snorkel AI triplicou a avaliação para 3,5 mil milhões de dólares após uma ronda Série E de 350 milhões, reflectindo a procura por dados de treino estruturados à medida que os laboratórios de fronteira competem por qualidade de dataset e não apenas por escala de cálculo.

Portugal & Espanha
Expresso

Portugal promete excedente, Madrid discute despejo emblemático

Enquanto Montenegro assegura crescimento acima da média europeia, um caso de despejo no Retiro expõe as tensões do mercado de arrendamento espanhol

Luís Montenegro, em Nova Iorque para a Assembleia Geral das Nações Unidas, garantiu que Portugal vai fechar o ano com excedente orçamental e um crescimento económico superior à média da União Europeia, segundo o Expresso. O primeiro-ministro aproveitou a deslocação aos Estados Unidos para apelar ao investimento norte-americano no país, associando a solidez das contas públicas a um argumento de atractividade externa.

Em Madrid, a situação de Maricarmen, vizinha do bairro do Retiro, tornou-se símbolo da crise habitacional espanhola. Segundo o El País, cerca de uma centena de activistas e vizinhos acamparam durante a noite junto ao prédio onde vive a idosa, na tentativa de impedir a chegada da comissão judicial responsável pelo despejo. O Sindicato de Inquilinas mobilizou-se para travar a execução, num episódio que ilustra a pressão crescente sobre o parque habitacional das grandes cidades espanholas.

Os dois casos correm em paralelo mas apontam para questões distintas: a sustentabilidade das contas públicas portuguesas e a fragilidade do mercado de arrendamento espanhol, onde os despejos continuam a mobilizar movimentos sociais organizados.

Fontes: Expresso, El País
Europa & EUA
The Guardian

UE retira dois oligarcas russos da lista de sanções

Usmanov e Fridman saem da lista negra de Bruxelas enquanto o bloco prolonga restrições a quase 3 000 alvos ligados à invasão da Ucrânia

A União Europeia decidiu remover os empresários russos Alisher Usmanov e Mikhail Fridman da sua lista de sanções, segundo o The Guardian. A medida surge no momento em que Bruxelas renova as restrições a quase 3 000 pessoas e entidades ligadas à invasão russa da Ucrânia.

A presidência irlandesa do Conselho da UE, citada pelo jornal britânico, descreveu a saída dos dois oligarcas como "um compromisso difícil" alcançado entre os Estados-membros perante o prazo de renovação do regime de sanções.

O caso ilustra as tensões internas no bloco sobre como equilibrar a pressão sobre Moscovo com os interesses jurídicos e económicos ligados a alguns dos visados, num dossiê que continua a dividir capitais europeias três anos e meio depois do início da guerra.

Fontes: The Guardian
O Vigia · as quatro medalhas do dia
As quatro medalhas do diaOUROPRATABRONZELATA
Sporting Clube de Portugal
Ouro
Sporting Clube de Portugal
O clube de Alvalade que aprendeu a contar dinheiro tão bem quanto pontos.
Lucro de 34,7 milhões e receita recorde de 300 milhões de euros, quinto ano seguido no verde, segundo o Record.
Prova que discurso inflamado e contas certas não se excluem.
Ed Davey
Prata
Ed Davey
Líder dos Lib Dems, o partido que existe para ser a alternativa a quem já não quer alternativas.
Discursou em Brighton sobre erguer um 'firewall' de deputados contra o Reform UK, segundo o Guardian.
Aposta tudo na antipatia alheia; resta saber se chega para governar.
Andy Burnham
Bronze
Andy Burnham
Presidente da Grande Manchester, hoje embaixador acidental do Reino Unido junto de Trump.
Trump chamou-lhe 'natural businessman' após o encontro na Assembleia Geral da ONU, segundo o Guardian.
Elogio de Trump é sempre bilhete de ida incerto.
União Europeia
Lata
União Europeia
Bruxelas, campeã mundial de listas negras que sabe sempre abrir uma excepção a tempo.
Retirou Usmanov e Fridman da lista de sanções ao mesmo tempo que renovava restrições a quase 3 000 alvos, segundo o Guardian.
Chama-se compromisso difícil; parece apenas selecção de amigos.
O Farol · edição de quarta-feira, 23 de setembro de 2026 · gerado às 07:46 · arquivo · PDF
Fotografias creditadas aos respectivos autores. Nenhuma fotografia de actualidade é gerada por IA — o retrato de José Leonelas é a ilustração de um colunista fictício.