
Brent cai para mínimo de um ano com Irão em negociações
A queda do crude chega ao dia em que Trump ameaça o Irão na ONU e os automobilistas europeus pagam mais 40% pelo gasóleo
O petróleo Brent caiu abaixo dos 99 dólares por barril na sessão asiática de hoje, encaminhando-se para a sequência de perdas mais longa em mais de 12 meses, segundo o Financial Times. A descida acontece em simultâneo com conversações sobre o conflito no Médio Oriente, que incluíram, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, um encontro entre responsáveis dos Estados Unidos e do Irão.
O timing não é acidental. Donald Trump usou o discurso na ONU para ameaçar 'aniquilar' o Irão caso não se chegue a um acordo de paz, segundo a BBC e o Wall Street Journal, mas confirmou também que decorrem negociações. Os mercados de energia leem esse duplo sinal, ameaça retórica e canal diplomático aberto, como redução do prémio de risco geopolítico que há meses sustentava os preços do crude acima da média histórica.
A descida do Brent contrasta, no entanto, com o que sentem os automobilistas europeus. O gasóleo subiu cerca de 40% desde o início do ano e custa já 203 milhões de euros por dia a mais aos condutores do continente, segundo o Financial Times. A divergência entre o preço do crude e o preço à bomba explica-se por margens de refinação, fiscalidade e pela estrutura do mercado de gasóleo, mais dependente de importações e de capacidade de refinação europeia do que o petróleo bruto em si.
Para quem gere capital entre Portugal, Espanha e mercados globais, a combinação é relevante em duas frentes. Por um lado, a queda do Brent alivia pressão inflacionista sobre os bancos centrais, num momento em que a Reserva Federal enfrenta pressão política de Trump para cortar juros mais depressa, segundo o Financial Times. Por outro, o custo real da energia para famílias e empresas europeias continua a subir, o que limita o alívio que a descida do crude poderia trazer ao consumo.
Fica por saber se as negociações entre Washington e Teerão produzirão um acordo que sustente a descida do petróleo, ou se a retórica de Trump na ONU antecipa uma escalada que reverta a tendência. Também não está claro quanto tempo os preços do gasóleo europeu continuarão desligados da trajectória do crude, nem que resposta política, se alguma, os governos da União Europeia preparam para essa divergência.
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