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Manchete
Financial Times

Yields japonesas em máximo agravam sell-off obrigacionista global

O contágio às dívidas asiáticas reabre a questão da intervenção cambial e testa a paciência dos bancos centrais

As taxas de juro da dívida pública japonesa atingiram esta semana um novo máximo, num movimento que a Financial Times enquadra num sell-off mais alargado nos mercados obrigacionistas das economias avançadas. Segundo a Capital Economics, citada pelo jornal britânico, o que está em curso é uma revisão em alta e generalizada das expectativas sobre onde vão parar as taxas de juro de referência, não um episódio isolado do Japão.

O momento não é acidental. Depois de anos de políticas monetárias ultra-acomodatícias, os investidores começam a precificar um ciclo mais longo de juros elevados nas principais economias, à medida que a inflação se revela mais persistente do que os bancos centrais gostariam de admitir. O Wall Street Journal nota que o sell-off na dívida norte-americana já contagiou os mercados de obrigações asiáticos, mesmo com o petróleo a recuar perante notícias de uma possível reabertura do Estreito de Hormuz.

Em Tóquio, o desconforto tem uma segunda frente: a fraqueza do iene. A ministra das Finanças japonesa, Satsuki Katayama, confirmou à Financial Times que Donald Trump levantou o tema numa conversa com a primeira-ministra Sanae Takaichi, deixando em aberto a possibilidade de uma nova intervenção cambial, alegadamente com o aval do secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent. Uma intervenção coordenada, a confirmar-se, seria o sinal mais claro de que Washington e Tóquio consideram a situação insustentável.

Para quem gere capital entre Lisboa, Madrid e os mercados globais, o efeito prático é imediato: o custo do financiamento soberano sobe em simultâneo em várias geografias, pressionando os prémios de risco em toda a dívida de longo prazo, incluindo a periférica europeia. Um sell-off que começa nas obrigações do Estado raramente fica confinado a esse mercado.

Fica por saber se o Banco do Japão vai antecipar uma subida de taxas para travar a queda do iene, se a intervenção cambial discutida entre Trump e Takaichi se materializa de facto, e até que ponto a Reserva Federal está disposta a validar as novas expectativas de mercado antes que o contágio chegue à dívida soberana europeia.

Futebol
Liga Portugal — classificação à 7.ª jornada
# Clube J V E D GM GS DG P
1 Porto 7 7 0 0 18 3 +15 21
2 Benfica 7 5 1 1 22 7 +15 16
3 Sporting 7 4 3 0 17 8 +9 15
4 Santa Clara 7 4 3 0 11 4 +7 15
5 Arouca 7 3 2 2 10 7 +3 11

Traço à esquerda: lugar de prova europeia. Fonte: ESPN.

Record

Sporting formaliza com Nani protocolo de formação

Acordo assinado pelo internacional oficializa uma ligação familiar que já ia além do simbólico, com sobrinho e filho a vestir de leão

O Sporting assinou um protocolo de cooperação na área da formação com Nani, um documento que, segundo o Record, não faz mais do que oficializar uma relação já apalavrada entre o internacional português e o clube de Alvalade.

O jornal recorda que um sobrinho de Nani trocou a formação do Benfica pela do Sporting e que o próprio filho do antigo extremo está a formar-se na academia leonina, um percurso que o próprio acompanha de perto sem esquecer as raízes que o ligam ao clube.

Fora de campo, a Sporting SAD apresentou também o relatório e contas relativo à época 2025/26, com o zerozero a fazer um raio-x aos números publicitados pela sociedade. A análise do director-adjunto do site conclui que o ano financeiro foi positivo para a estrutura leonina, num exercício em que o clube deixou de depender de mais-valias avultadas para equilibrar as contas.

No plano da selecção, e em jogo disputado precisamente em Alvalade, Portugal venceu o País de Gales por 1-0 na estreia de Jorge Jesus como seleccionador, resultado que serviu a estreia da Liga das Nações. João Félix, a passe de Nuno Mendes, marcou aos 22 minutos o golo que decidiu o encontro, o 13.º pela equipa das quinas e o primeiro que lhe vale uma vitória com a camisola nacional, segundo o Record.

O regresso a Alvalade não foi pacífico para João Palhinha. O médio, agora no Benfica, foi assobiado pelo público leonino e reagiu com serenidade aos jornalistas, dizendo que jogar no estádio onde foi formado é «sempre especial» e que os adeptos «racionais» se lembram de que ali ficou «no pior momento do clube», citado pelo zerozero.

F1 & Ténis
Motorsport

Mercedes lidera treinos livres do GP do Azerbaijão

George Russell superou o companheiro Kimi Antonelli em Baku, mas a equipa admite que a vantagem pode não se repetir na qualificação

George Russell terminou a segunda sessão de treinos livres com mais de meio segundo de vantagem sobre Kimi Antonelli, líder do campeonato, e com Max Verstappen a 0,827 segundos, segundo dados da Formula1.com. Foi o piloto britânico, e não o companheiro que lidera o Mundial, quem mostrou o ritmo mais forte da Mercedes na sexta-feira em Baku.

A Motorsport.com nota que a diferença registada nas duas sessões pode não reflectir o cenário real da qualificação, já que a Mercedes se prepara para introduzir um pacote de actualizações para o carro ainda este fim de semana. A equipa acredita estar à frente, mas reconhece que as margens tendem a apertar quando entram os pneus macios e as condições de pista mudam.

Para a McLaren, o dia foi de frustração. Lando Norris descreveu o défice da equipa como uma "faca no coração", depois de ter sido 14.º na primeira sessão, 1,6 segundos mais lento do que o tempo de referência de Russell. Nas declarações à Sky Sports, o piloto britânico classificou o ritmo do carro em Baku como "muito mau" e já não conta disputar a pole position.

Na Racing Bulls, o regresso de Liam Lawson correu sem sobressaltos, mas o dia terminou de forma abrupta para Arvid Lindblad: um toque nas barreiras na segunda sessão obrigou à interrupção com bandeira vermelha, segundo a Formula1.com.

Fora da pista, o antigo piloto David Coulthard avisou que "vão cair cabeças" na Williams se a actualização do FW48 não trouxer um salto imediato de desempenho, de acordo com a Motorsport.com. A equipa de Grove ocupa o nono lugar do campeonato de construtores após 14 corridas, com 11 pontos, depois de uma época marcada por um carro com excesso de peso.

Mercados & Economia
Movimento da sessão por posiçãoSESSÃO (%)EMIM iShares MSCI EM IMI-0.71%VGEA Vanguard EUR Govt Bo-0.68%IBCI iShares € Inflation -0.57%MEUD Amundi Stoxx Europe -0.35%SPXS Invesco S&P 500-0.10%XEON Xtrackers €STR+0.01%TOTAL-0.42%
O Farol · movimento da sessão

Juros da dívida sobem e travam obrigações na carteira

Sell-off nas obrigações soberanas leva juro português a aproximar-se dos 4% e pesa no maior desvio da carteira do leitor

O juro da dívida portuguesa a dez anos aproximou-se esta sexta-feira dos 4%, segundo o Jornal de Negócios, num movimento que os economistas ouvidos pelo jornal classificam como acompanhamento de um sell-off alargado nos mercados obrigacionistas desenvolvidos, e não um sinal específico sobre Portugal. O Tesouro dos EUA a dez anos subiu 0,94% no dia, reforçando essa leitura: quando os investidores exigem mais rendimento para financiar dívida a prazo, os preços das obrigações já emitidas caem, e é essa mecânica que penaliza fundos de duração longa.

Nos Estados Unidos, o efeito chegou ao crédito à habitação: a taxa média do empréstimo hipotecário a 30 anos ultrapassou os 7% pela primeira vez em 20 meses, segundo a Freddie Mac citada pelo Guardian, depois de a Reserva Federal ter subido juros. É o mesmo mecanismo em espelho: juros de referência mais altos encarecem o crédito muito antes de chegarem aos balanços das famílias.

No Banco Central Europeu, Isabel Schnabel anunciou a saída da Comissão Executiva para assumir um cargo sénior no FMI, segundo comunicado da instituição, uma perda de peso na ala mais associada à cautela sobre inflação. No mesmo dia, Philip Lane apresentou uma leitura sobre as perspectivas da economia da área do euro, sinal de que o banco central continua a calibrar o discurso num contexto de juros ainda elevados.

No plano comercial, a Comissão Europeia avisou Washington de que uma proibição de exportações de gasóleo dos EUA, avançada por Donald Trump antes das eleições intercalares, prejudicaria ambos os lados e agravaria os preços dos combustíveis na Europa. Ainda assim, o Brent recuou 1,28% no dia, um lembrete de que o mercado de petróleo continua a reagir mais à procura global do que a anúncios políticos.

A carteira do leitor perdeu 0,42%, arrastada sobretudo pela dívida soberana europeia (VGEA, -0,68%), pela dívida ligada à inflação (IBCI, -0,57%) e pelos emergentes (EMIM, -0,71%), todos sensíveis à subida de juros do dia. VGEA continua a ser a posição mais subponderada face ao plano, 10,3 pontos percentuais abaixo do peso-alvo de 28%: um dia de perdas nesta classe não altera a lógica de reforço, mas reforça a razão de ser da meta, já que juros mais altos hoje significam melhor remuneração futura para quem ainda tem de completar essa fatia.

Tecnologia
Salesforce

Salesforce mostra nova arquitectura de agentes em Dreamforce

A consultora EY avisa que a maioria das empresas ainda não vê retorno mensurável do investimento em inteligência artificial

A EY afirma que as empresas continuam sem conseguir demonstrar ganhos de receita ou reduções de custos substanciais com o uso de IA, segundo a The Information. Um responsável da consultora citado pela publicação nota que nenhum cliente pede para abrandar a despesa, mas vários já perguntam onde está o retorno sobre o investimento.

É neste contexto que a Salesforce apresentou, na Dreamforce 2026, o que descreve como a próxima fase da sua arquitectura de agentes. Segundo a empresa, os anúncios incluem uma arquitectura headless, o Slack Code e agentes treinados para funções específicas dentro das organizações. A companhia argumenta, num texto próprio, que a fase de disrupção do software como serviço por via da IA, a que chama SaaSpocalypse, já passou e que agora se trata de integrar esses agentes no funcionamento diário das empresas.

Na concorrência directa da camada de modelos, a Anthropic pediu aos accionistas que aprovem uma nova estrutura societária antes de uma eventual entrada em bolsa. De acordo com a The Information, o desenho dá a Dario Amodei e aos seis co-fundadores uma classe especial de acções com controlo colectivo de voto na maioria das matérias, à semelhança do modelo usado pela Palantir.

A Databricks anunciou a compra da Row Zero, concorrente do Excel especializada em folhas de cálculo para análise de grandes volumes de dados, segundo a própria empresa. O negócio reforça a aposta da Databricks em governar dados massivos dentro de ferramentas familiares aos utilizadores finais.

Do lado da infraestrutura, a Oracle enviou um aviso de força maior sobre o centro de dados do projecto Stargate no Novo México, segundo a TechCrunch. O aviso permite à empresa atrasar pagamentos caso a instalação não cumpra o prazo de entrada em funcionamento previsto para 2028.

Na camada de silício, a DensityAI, fundada há um ano por antigos responsáveis do programa de supercomputação Dojo da Tesla, está em conversações avançadas para uma ronda de financiamento de centenas de milhões de dólares que a avaliaria em 10 mil milhões de dólares, avança a The Information.

Portugal & Espanha
El País

Governo espanhol tenta destravar decreto da habitação

Madrid resgata o texto travado em julho, mas Junts, pressionado pelo caso Maricarmen, complica a votação sobre despejos

O Governo de Pedro Sánchez volta a apresentar o decreto de habitação que não conseguiu aprovar em julho, com medidas que penalizam subidas de renda, facilitam a construção e reforçam a protecção do inquilino, segundo o El País.

O texto junta interesses dificilmente compatíveis: promotores e municípios pedem mais licenças e menos burocracia, enquanto associações de inquilinos exigem tectos mais duros aos senhorios. O executivo tenta um equilíbrio que satisfaça os parceiros parlamentares sem os quais não tem maioria.

Nesse tabuleiro, o caso de Maricarmen, mulher despejada aos 87 anos por não figurar como titular do contrato da filha, tornou-se argumento político. O El País nota que a indignação pública pressiona a Junts antes de uma votação chave sobre despejos, forçando o partido independentista a calibrar a distância que quer manter do Governo sem parecer alheado do problema.

Em Portugal, o debate corre em paralelo. Na opinião publicada no Público, Susana Peralta defende que construir mais casas não basta: é preciso garantir que ficam ocupadas por residentes permanentes, e não como investimento parado ou alojamento turístico.

Europa & EUA
The Guardian

Berlim e Madrid discordam sobre regras do "Made in Europe"

Alemanha quer uma aliança larga de parceiros comerciais, Espanha propõe hierarquia que favorece produtores da UE, e Paris quer deixar o Reino Unido de fora

A Comissão Europeia prepara uma política de compras públicas batizada "Made in Europe", pensada para travar a concorrência chinesa em sectores estratégicos. A definição exacta do que conta como europeu tornou-se, entretanto, motivo de disputa entre governos.

Berlim defende um sistema amplo, aberto a uma rede alargada de parceiros comerciais fora da União. Madrid propõe outra arquitectura, um regime escalonado em que os bens fabricados dentro da UE têm prioridade sobre os restantes, segundo o Politico.

Paris junta uma terceira frente ao debate. O Governo francês quer excluir explicitamente o Reino Unido do regime preferencial, argumentando que um país fora do mercado único não pode beneficiar da mesma protecção dada aos Estados-membros, avança o The Guardian.

A discussão ainda não tem desfecho em Bruxelas. O resultado vai determinar que empresas europeias, incluindo espanholas e portuguesas, ficam em vantagem nos concursos públicos que a UE quer blindar da concorrência asiática.

O Vigia · as quatro medalhas do dia
As quatro medalhas do diaOUROPRATABRONZELATA
Elif Eralp
Ouro
Elif Eralp
Vereadora berlinense que descobriu a fórmula que os partidos grandes fingem não perceber: rendas baixas e casas a sério ganham eleições.
Segundo o Guardian, Eralp propõe rendas mais baixas e mais habitação pública numa Berlim onde os partidos mainstream continuam a perder por não perceberem porquê.
Não é ciência de foguetões, é aritmética eleitoral básica: dar à cidade o que os outros só prometem em vésperas de voto.
Pedro Sánchez
Prata
Pedro Sánchez
Primeiro-ministro que tenta encaixar promotores, autarquias e inquilinos no mesmo decreto, com a paciência de quem já perdeu a conta às tentativas.
Segundo o El País, Madrid reapresenta o decreto da habitação chumbado em julho, com o caso Maricarmen a pressionar a Junts antes da votação sobre despejos.
Volta com o mesmo texto e a mesma esperança, à espera que desta vez a aritmética parlamentar dê outro resultado.
Jorge Jesus
Bronze
Jorge Jesus
Selecionador que estreia trocando de casa mas levando os móveis todos, seis jogadores incluídos.
Segundo o Observador, venceu 1-0 na estreia como selecionador nacional apostando em seis futebolistas com quem já tinha trabalhado, sem convencer a crítica.
Ganhar é bom para o currículo. Convencer é outra conversa, e essa ainda nem começou.
António José Seguro
Lata
António José Seguro
Presidente que trocou o protocolo por nove ajustes directos, com o à vontade de quem gasta dinheiro que não é seu.
Segundo o Observador, citando o Sol, Belém fez nove ajustes directos sem concurso, meio milhão de euros, desde que Seguro tomou posse.
Menos de um ano de mandato e já meio milhão gasto sem concurso: um recorde de velocidade, não de exemplo.
O Farol · edição de sexta-feira, 25 de setembro de 2026 · gerado às 08:02 · arquivo · PDF
Fotografias creditadas aos respectivos autores. Nenhuma fotografia de actualidade é gerada por IA — o retrato de José Leonelas é a ilustração de um colunista fictício.