
Orcel prepara tomada de controlo do Commerzbank
A UniCredit quer substituir dez membros do conselho e afastar o presidente executivo do banco alemão já em Janeiro, segundo pessoas próximas ao processo citadas pelo Financial Times.
A UniCredit avança para uma fase mais agressiva na disputa pelo controlo do Commerzbank. De acordo com o Financial Times, que cita pessoas familiarizadas com os planos, o presidente executivo do banco italiano, Andrea Orcel, prepara-se para substituir dez membros do conselho de administração do banco alemão e afastar o seu actual presidente executivo, possivelmente já em Janeiro.
O movimento surge depois de meses de tensão entre as duas instituições, com Berlim a resistir à ideia de perder o controlo de um dos seus maiores bancos comerciais para um concorrente estrangeiro. A UniCredit já detém uma posição relevante no capital do Commerzbank, construída de forma gradual, o que lhe permitiu ganhar influência sem lançar formalmente uma oferta pública de aquisição.
Se confirmado, o plano marca uma escalada significativa: substituir metade do conselho e destituir a liderança executiva equivale a assumir de facto o comando estratégico do banco, mesmo sem uma fusão jurídica imediata. Para Orcel, seria a concretização de uma ambição que já expressara publicamente de transformar a UniCredit num dos grandes grupos bancários pan-europeus, com o Commerzbank como peça central.
O desfecho tem implicações que ultrapassam a Alemanha. Uma consolidação bancária transfronteiriça desta escala testaria a tolerância política de Berlim perante a entrada de capital italiano num sector considerado estratégico, e serviria de precedente para outras tentativas de fusão dentro da união bancária europeia, um projecto que Bruxelas tenta relançar há anos sem sucesso.
Fica por saber se o governo alemão, que continua a deter uma participação directa no Commerzbank desde o resgate de 2008, vai intervir para travar a manobra, e se o actual conselho de administração terá margem para resistir à pressão accionista. O Financial Times não avança, para já, uma data definitiva para a votação em assembleia geral nem o desfecho previsto para a liderança executiva do banco alemão.
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