
Mercado de dívida dos EUA estabiliza após pior venda desde 2002
As taxas das obrigações do Tesouro a dez anos atingiram o nível mais alto em 24 anos antes de a pressão vendedora abrandar esta semana.
O mercado global de obrigações encontrou alguma estabilidade nos últimos dias, depois de uma semana de vendas pesadas ter empurrado a rendibilidade das obrigações do Tesouro norte-americano a dez anos para o nível mais alto desde 2002, segundo o Financial Times.
A subida das taxas longas tem um efeito directo sobre quem vive de crédito e de avaliações de activos: encarece o financiamento de dívida pública e privada, pressiona os múltiplos das acções de crescimento e arrasta consigo, com desfasamento, as taxas europeias, incluindo as que determinam o custo das hipotecas em Espanha e Portugal. Quando o Tesouro norte-americano paga mais para se financiar a dez anos, todo o resto do mercado de crédito reajusta os seus próprios preços de referência.
O Financial Times não detalha, nas notícias disponíveis, as causas precisas da venda desta semana nem os números exactos atingidos pela rendibilidade a dez anos. O episódio surge num contexto de outras tensões que também mexem com os mercados de matérias-primas e energia: a Casa Branca ameaça proibir exportações de gasóleo para baixar os preços internos antes das eleições de Novembro, uma medida que analistas citados pelo jornal comparam aos efeitos adversos que teve, décadas atrás, uma proibição semelhante aplicada à soja. Também esta semana, a Amazon procura colocar junto de investidores obrigações referenciadas a 8 mil milhões de dólares em chips da Nvidia, um movimento lido como tentativa de aliviar o balanço da empresa face ao peso crescente do investimento em inteligência artificial.
Fica por saber se a estabilização observada agora é um ponto de viragem ou apenas uma pausa técnica antes de nova pressão vendedora. O mercado continua sensível a qualquer sinal sobre a trajectória da política orçamental norte-americana e sobre as intenções da Reserva Federal relativamente às taxas de juro de curto prazo, duas variáveis que, por agora, nenhuma fonte disponível permite dar como resolvidas.
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