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O Farol em Voz Juros a máximos de décadas abalam mercados 3 min 32 · subscrever
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Manchete
Financial Times

Mercado de dívida dos EUA estabiliza após pior venda desde 2002

As taxas das obrigações do Tesouro a dez anos atingiram o nível mais alto em 24 anos antes de a pressão vendedora abrandar esta semana.

O mercado global de obrigações encontrou alguma estabilidade nos últimos dias, depois de uma semana de vendas pesadas ter empurrado a rendibilidade das obrigações do Tesouro norte-americano a dez anos para o nível mais alto desde 2002, segundo o Financial Times.

A subida das taxas longas tem um efeito directo sobre quem vive de crédito e de avaliações de activos: encarece o financiamento de dívida pública e privada, pressiona os múltiplos das acções de crescimento e arrasta consigo, com desfasamento, as taxas europeias, incluindo as que determinam o custo das hipotecas em Espanha e Portugal. Quando o Tesouro norte-americano paga mais para se financiar a dez anos, todo o resto do mercado de crédito reajusta os seus próprios preços de referência.

O Financial Times não detalha, nas notícias disponíveis, as causas precisas da venda desta semana nem os números exactos atingidos pela rendibilidade a dez anos. O episódio surge num contexto de outras tensões que também mexem com os mercados de matérias-primas e energia: a Casa Branca ameaça proibir exportações de gasóleo para baixar os preços internos antes das eleições de Novembro, uma medida que analistas citados pelo jornal comparam aos efeitos adversos que teve, décadas atrás, uma proibição semelhante aplicada à soja. Também esta semana, a Amazon procura colocar junto de investidores obrigações referenciadas a 8 mil milhões de dólares em chips da Nvidia, um movimento lido como tentativa de aliviar o balanço da empresa face ao peso crescente do investimento em inteligência artificial.

Fica por saber se a estabilização observada agora é um ponto de viragem ou apenas uma pausa técnica antes de nova pressão vendedora. O mercado continua sensível a qualquer sinal sobre a trajectória da política orçamental norte-americana e sobre as intenções da Reserva Federal relativamente às taxas de juro de curto prazo, duas variáveis que, por agora, nenhuma fonte disponível permite dar como resolvidas.

Futebol
Liga Portugal — classificação à 7.ª jornada
# Clube J V E D GM GS DG P
1 Porto 7 7 0 0 18 3 +15 21
2 Benfica 7 5 1 1 22 7 +15 16
3 Sporting 7 4 3 0 17 8 +9 15
4 Santa Clara 7 4 3 0 11 4 +7 15
5 Arouca 7 3 2 2 10 7 +3 11

Traço à esquerda: lugar de prova europeia. Fonte: ESPN.

Record

Portugal vence na Dinamarca sem Ronaldo no banco

Hjulmand, antigo médio do Sporting e agora selecionador dinamarquês, admite "máximo respeito" pelo capitão ausente.

A selecção portuguesa venceu a Dinamarca por 4-2, em Copenhaga, na terceira jornada da Liga das Nações, no primeiro jogo da equipa sem Cristiano Ronaldo desde que este deixou de ser opção para a convocatória, segundo o Record.

A ausência do capitão não travou a Caravela, que se manteve firme fora de casa e somou mais uma vitória na fase de grupos. Rafael Leão foi uma das figuras do encontro e vestiu a camisola número sete, habitualmente usada por Ronaldo, um gesto que o próprio avançado explicou após o apito final: "De certeza que Cristiano está em casa feliz com a vitória", disse, citado pelo zerozero.

Do lado dinamarquês, Morten Hjulmand, antigo médio do Sporting e agora no comando técnico da selecção da Dinamarca, analisou a derrota da sua equipa com palavras de deferência para o antigo clube e para o capitão português. Segundo o Record, Hjulmand deixou uma mensagem de "força Sporting" e manifestou "máximo respeito" por Ronaldo, tendo ainda comentado as diferenças que nota na selecção portuguesa sob o comando de Jesus, sem detalhar em que medida essas diferenças se traduziram no resultado desta quinta-feira.

O jogo serve de referência para o novo ciclo da selecção nacional na ausência do capitão histórico, num momento em que o debate em torno do futuro de Ronaldo continua a dividir opiniões, como lembra um ensaio publicado esta semana pelo Público sobre o que chama o "herói trágico" do futebol português.

F1 & Ténis
Motorsport

Verstappen o mais rápido no regresso a Sepang

Red Bull lidera o primeiro treino do Grande Prémio do Bahrain, corrida disputada na Malásia, enquanto três pilotos arrancam com penalizações na grelha

Max Verstappen marcou o tempo mais rápido no primeiro treino livre do Grande Prémio do Bahrain, prova que esta época se disputa no circuito de Sepang, na Malásia. O piloto da Red Bull fez 1m37,520s, batendo George Russell, da Mercedes, por 0,383 segundos, numa sessão sem interrupções.

Sepang recebe a Fórmula 1 pela primeira vez desde 2017. Os pilotos descreveram um traçado diferente do habitual no calendário actual, com o calor e a humidade da Malásia a somarem-se ao desafio técnico, segundo a Formula1.com.

A grelha de partida de amanhã já tem alterações confirmadas. Isack Hadjar, Arvid Lindblad e Franco Colapinto foram penalizados por troca de componentes de unidade motriz. Colapinto chega a esta corrida já a cumprir uma descida de cinco posições transitada de Baku.

O piloto da Alpine falou aos jornalistas sobre o episódio no Azerbaijão, onde tocou no companheiro de equipa Pierre Gasly numa reentrada após safety car. Colapinto disse que ninguém fala do abuso que também recebe nas redes sociais, segundo a Motorsport.com.

Fora da pista, a Mercedes revelou em Sepang o primeiro pacote de actualizações sérias ao W17 em cinco meses. A equipa lidera o campeonato de construtores por 160 pontos sobre a Ferrari, com seis vitórias em dez corridas, o que levou a imprensa especializada a questionar se o título está praticamente decidido.

No ténis, sem Grand Slam em disputa, destaque para o regresso de Sonay Kartal ao circuito WTA. A britânica, que esteve seis meses afastada por lesão, venceu Andrea Lazaro Garcia no China Open. A WTA confirmou ainda que todos os torneios combinados de categoria 1000 vão pagar prémios iguais a partir de 2027. Em Tóquio, Kei Nishikori, antigo número quatro do mundo, encerrou a carreira num momento emotivo no Japan Open.

Mercados & Economia
Movimento da sessão por posiçãoSESSÃO (%)EMIM iShares MSCI EM IMI-0.64%MEUD Amundi Stoxx Europe -0.46%XEON Xtrackers €STR+0.01%VGEA Vanguard EUR Govt Bo+0.05%IBCI iShares € Inflation +0.11%SPXS Invesco S&P 500+0.52%TOTAL-0.10%
O Farol · movimento da sessão

Venda de dívida soberana atinge juros dos EUA e Reino Unido

Yields a máximo de 24 anos em Washington e acima de 6% em Londres reacendem o debate sobre défices insustentáveis, enquanto a carteira do leitor fecha o dia quase estável.

A liquidação de obrigações soberanas que já se arrastava há semanas ganhou intensidade esta quarta-feira. Os juros da dívida pública norte-americana a dez anos subiram para o nível mais alto em 24 anos, segundo o Guardian, enquanto os juros do Reino Unido a 30 anos ultrapassaram brevemente os 6%, um patamar não visto desde 1998.

O mecanismo é simples de descrever e difícil de travar: quando os investidores desconfiam de que um défice público é insustentável, exigem um prémio de prazo mais elevado para financiar esse Estado a longo prazo. Isso empurra os preços das obrigações para baixo e os yields para cima, numa espiral que se alimenta a si própria se o mercado continuar a testar a credibilidade fiscal.

Na zona euro, o pano de fundo é distinto. Itália pediu à Comissão Europeia alívio das regras orçamentais perante a subida da inflação, segundo o Jornal de Negócios, num dia em que são conhecidas as estimativas rápidas da inflação de setembro. A dívida soberana em euros não acompanhou a fuga de capitais vista em Londres e Washington: o Tesouro dos EUA a dez anos perdeu 1,06% em preço, mas a exposição europeia do leitor, via VGEA, fechou praticamente plana, com um ganho marginal de 0,05%.

Nas bolsas, a reação foi mais nervosa na Europa do que nos EUA: o Stoxx 600 caiu 1,30% e o DAX 1,03%, arrastados pela subida dos juros de longo prazo, enquanto o S&P 500 ganhou 0,19%, sinal de que Wall Street ainda não traduziu o choque obrigacionista em vendas de ações. O dólar reforçou-se 0,58% face ao euro, o que penaliza quem detém ativos em dólares sem cobertura cambial mas barateia matérias-primas cotadas na moeda americana: o Brent recuou 0,91% apesar das tensões no estreito de Ormuz, onde um petroleiro foi atacado, segundo o Jornal de Negócios.

A carteira do leitor fechou o dia com uma perda total de 0,10%, puxada sobretudo pelas quedas de 0,46% em MEUD e 0,64% em EMIM, as duas posições mais expostas a ações e, por isso, mais sensíveis ao nervosismo acionista europeu. XEON e IBCI mantiveram-se estáveis, como seria de esperar de liquidez e dívida indexada à inflação num dia de juros em alta.

O desvio mais acentuado face ao plano continua em VGEA, 10,3 pontos percentuais abaixo do peso-alvo de 28%. O facto de esta posição ter resistido ao sell-off global, ao contrário do Tesouro norte-americano, reforça a lógica original de a usar como lastro de duração na carteira: o próximo reforço mensal, segundo as regras definidas, deverá continuar a apontar para este sleeve.

Tecnologia
Salesforce

Salesforce liga agentes em equipa para gerar receita

Clientes da Salesforce descrevem a passagem de copilotos individuais para equipas de agentes, enquanto a Microsoft perde mais um executivo de topo e a OpenAI fecha a maior ronda de financiamento de sempre

A Salesforce divulgou testemunhos de clientes sobre a passagem de implementações agénticas isoladas para fluxos de trabalho coordenados entre vários agentes. Segundo a empresa, o padrão que separa quem obtém retorno real de quem fica preso em pilotos é a disciplina de ouvir os utilizadores e definir métricas antes de escalar, não a sofisticação do modelo escolhido.

Na mesma linha, a Salesforce apresenta o Slack como plataforma de "multiplayer AI": em vez de um agente a responder a um utilizador de cada vez, o objectivo passa a ser vários agentes e várias pessoas a trabalhar o mesmo problema em simultâneo, dentro do canal onde a equipa já colabora. A aposta é que a unidade de valor deixa de ser a produtividade individual e passa a ser a produtividade da organização.

Na Microsoft, Ryan Roslansky, vice-presidente executivo responsável pelas aplicações Office, anunciou que sai no final do ano, mais um nome numa vaga de saídas de executivos nas últimas semanas, segundo o The Information. A publicação lê a sucessão de saídas como sinal de uma transição de negócio em curso, não de crises isoladas.

A Nvidia e a SoftBank concluíram cada uma o último desembolso de 10 mil milhões de dólares dos 30 mil milhões prometidos à ronda da OpenAI, perfazendo 20 mil milhões de dólares combinados, de acordo com o The Information. A ronda, anunciada em Março com 122 mil milhões de dólares em compromissos, fica assim encerrada.

A OpenAI confirmou ter despedido três investigadores de segurança por violação das políticas internas sobre informação corporativa sensível, incluindo partilha com uma organização externa de avaliação de IA, segundo o The Information e o The Wall Street Journal.

Um tribunal federal nos Estados Unidos arquivou os processos movidos pela Chegg e pela Penske Media contra a Google a propósito dos resumos gerados por IA nos resultados de pesquisa, segundo o The Information.

Portugal & Espanha
El País

Habitação tensiona parlamento espanhol e debate português

Em Madrid, o Congresso vota hoje decretos de habitação sem maioria à vista; em Lisboa, a reforma do arrendamento divide governo e oposição

O Congresso dos Deputados espanhol vota esta sexta-feira os decretos de habitação do Governo de Pedro Sánchez, que segundo o El País dificilmente obterão luz verde. O Junts entregou ao Executivo um texto próprio para servir de "ponto de partida" a um novo decreto, condição que faz depender de o Governo retirar as suas propostas actuais. O impasse mantém-se mesmo com acampadas em várias cidades espanholas a reclamar medidas mais fortes de controlo de rendas.

Em Portugal, o executivo prepara alterações à lei do arrendamento que visam incentivar os senhorios a colocar mais casas no mercado de arrendamento, numa altura de subida generalizada de preços. O ex-ministro Pedro Siza Vieira criticou a iniciativa no podcast Bloco Central, do Expresso, considerando que o Governo está "completamente desorientado" perante o problema da habitação. Do lado do Executivo, o argumento central é o de que só o aumento da oferta reduz pressão sobre preços, uma tese contestada por quem defende instrumentos de regulação mais directos sobre rendas.

Fontes: El País, Expresso
Europa & EUA
Politico Europe

Ataque falhado em Leipzig expõe campanha russa na Europa

Documentos obtidos por uma rede de jornalismo europeia ligam bombas-drone, encomendas incendiárias e fogos postos a serviços de informação russos.

Uma investigação da Axel Springer Global Reporters Network, citada pela Politico Europe, traça a origem de um ataque falhado em Leipzig a uma operação mais vasta atribuída à inteligência russa, que inclui bombas transportadas por drones, encomendas incendiárias enviadas pelo correio e ataques de fogo posto em várias cidades europeias.

O caso insere-se naquilo que analistas de segurança já descrevem como uma 'guerra cinzenta' da Rússia contra a Europa, um conjunto de acções abaixo do limiar de conflito armado mas com efeitos físicos e económicos reais. Num podcast da Politico Europe, a especialista Elisabeth Braw nota que a frequência e a sofisticação destes incidentes, sabotagem, incêndios, ciberataques e golpes contra infra-estruturas críticas, têm aumentado, levantando a questão de quem suporta os custos quando empresas privadas são alvo.

Governos europeus não confirmam publicamente, caso a caso, a autoria russa de cada incidente, mas o padrão documentado em Leipzig reforça pedidos de serviços de segurança para reforçar a protecção de infra-estruturas sensíveis, incluindo redes de saúde, um tema também discutido esta semana no Fórum de Gastein, onde um responsável médico da NATO pediu à UE que acelere a preparação para ameaças híbridas.

O Vigia · as quatro medalhas do dia
As quatro medalhas do diaOUROPRATABRONZELATA
Andy Burnham
Ouro
Andy Burnham
O trabalhista que descobre, de vez em quando, que falar claro ainda convence gente.
Segundo Polly Toynbee, no Guardian, Burnham conseguiu reverter a opinião pública sobre o triplo lock das pensões com um discurso de conferência.
Virar uma maioria contra a corrente é raro em política. Agora falta a parte difícil: transformar o aplauso num sistema de cuidados sociais que sobreviva ao Tesouro.
Rafael Leão
Prata
Rafael Leão
O avançado que herdou a camisola do capitão ausente e não se deixou intimidar pelo número.
Vestiu a sete na vitória por 4-2 na Dinamarca, primeiro jogo de Portugal sem Cristiano Ronaldo convocado, segundo o Record.
Carregar um número com história é fácil quando se ganha. Leão fez os dois: carregou e ganhou.
Morten Hjulmand
Bronze
Morten Hjulmand
Ex-médio do Sporting que trocou os relvados portugueses pelo banco dinamarquês, sem trocar a lealdade.
Depois da derrota por 4-2 frente a Portugal, elogiou o antigo clube e deixou uma mensagem de apoio ao Sporting, segundo o Record.
Perder um jogo de selecções e ainda arranjar tempo para mandar beijinhos ao antigo clube é classe. Ou nostalgia mal curada.
Lata
Lacerda Sales
A ex-secretária de Estado que geriu a pandemia e agora gere um processo no DIAP.
O processo do DIAP Regional de Lisboa, consultado pelo Observador, mostra que recebeu cunhas de vários políticos.
Quem passou anos a explicar prioridades aos portugueses em directo podia ter adivinhado que pedir favores deixa rasto em papel timbrado.
O Farol · edição de sexta-feira, 2 de outubro de 2026 · gerado às 08:53 · arquivo · PDF
Fotografias creditadas aos respectivos autores. Nenhuma fotografia de actualidade é gerada por IA — o retrato de José Leonelas é a ilustração de um colunista fictício.