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O Farol em Voz Petróleo dispara, juros franceses batem recorde e o Sporting tropeça 2 min 12 · subscrever
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Manchete
WSJ

Petróleo dispara e arrasta bolsas e dívida europeia

Ataques à infra-estrutura saudita e o risco de confronto entre os Estados Unidos e o Irão elevam o Brent acima dos 111 dólares e reacendem a venda de obrigações na zona euro.

As bolsas mundiais recuaram esta quarta-feira depois de o petróleo ter subido mais de 2%, com o Brent a ultrapassar os 111 dólares por barril, segundo o Wall Street Journal. Os investidores reagiram a novos ataques contra infra-estruturas energéticas da Arábia Saudita e ao agravamento do risco de confronto directo entre os Estados Unidos e o Irão, dois factores que ameaçam a já frágil recuperação da oferta de crude no Médio Oriente.

A subida dos preços da energia chega numa altura particularmente sensível para a zona euro. Segundo o Financial Times, o sell-off da dívida soberana europeia aprofundou-se nas últimas sessões, um movimento que antecede este choque petrolífero mas que a nova pressão inflacionária só tende a agravar. O jornal nota que a região não se pode limitar a esperar que as yields norte-americanas desçam: tem problemas orçamentais e de competitividade próprios que precisam de resposta interna, independentemente do que fizer a Reserva Federal.

O efeito já se sente fora dos mercados de acções e dívida pública. A Blackstone anunciou um corte nas avaliações da sua carteira imobiliária, com o presidente do grupo, Jonathan Gray, a atribuir o ajuste a taxas de juro mais elevadas e a uma volatilidade de mercado que tem adiado o regresso de capital aos investidores através de ofertas públicas iniciais. Para um investidor com exposição a activos reais entre Portugal e Espanha, a leitura é directa: o custo de financiamento sobe, as saídas por via de IPOs atrasam-se e as avaliações ajustam-se em baixa antes de qualquer sinal de estabilização.

Fica por responder até que ponto os ataques à Arábia Saudita vão afectar de forma duradoura a produção efectiva de petróleo, ou se representam um choque pontual que os mercados absorvem em dias. Também não está claro se o Banco Central Europeu vai antecipar alguma resposta à pressão inflacionária renovada, nem se a tensão entre Washington e Teerão evolui para algo que justifique um prémio de risco geopolítico mais permanente nos preços da energia.

Opinião de um fanático
José Leonelas

Cinco minutos a ganhar, mais remates, mais posse, e perdemos. Isto não é futebol, é um assalto com estatísticas a favor da vítima. E vem o LASK, que nem nome de equipa parece, cá fazer-nos isto em Alvalade.

O genro, esse, ligou-me ao intervalo só para perguntar se eu já tinha desistido. Eu não desisto nunca, desligo o telefone é diferente. Dominámos tudo menos a única coisa que conta, que é o marcador, isso qualquer um domina.

Desta vez nem há fantasma a quem apontar o dedo, dizem eles. Pois eu aponto: ao próprio dedo, que já deve estar cansado de apontar para tanta incompetência disfarçada de azar.

Futebol
Liga Portugal — classificação à 8.ª jornada
# Clube J V E D GM GS DG P
1 Porto 8 8 0 0 20 4 +16 24
2 Benfica 8 6 1 1 24 7 +17 19
3 Sporting 8 5 3 0 20 9 +11 18
4 Santa Clara 8 5 3 0 12 4 +8 18
5 Ac. Viseu 8 4 2 2 11 10 +1 14

Traço à esquerda: lugar de prova europeia. Fonte: ESPN.

zerozero

Sporting perde em casa com o LASK na Champions

Os leões entraram a vencer aos cinco minutos, dominaram a posse e remataram mais, mas saíram derrotados de Alvalade seis anos depois do último encontro com os austríacos

O Sporting voltou a perder na Liga dos Campeões e fê-lo em casa, frente ao LASK, numa noite que repete o guião da ronda anterior: desperdício do fator-casa. Os austríacos regressaram a Alvalade seis anos depois do último confronto entre as duas equipas e saíram de Lisboa com os três pontos.

O resultado custa a explicar pela superioridade do adversário. Segundo o zerozero, o Sporting entrou a vencer logo aos cinco minutos, dominou a posse de bola ao longo do jogo e rematou mais vezes do que o LASK. Ainda assim, a equipa de Alvalade acabou derrotada, sem que haja, desta vez, circunstâncias extraordinárias a que se possa apontar o dedo, ao contrário de episódios anteriores na competição.

A noite portuguesa na Champions não ficou mal servida apenas pelo Sporting. O zerozero descreve a jornada como de "terror" também para o FC Porto, derrotado no Dragão, naquele que resume uma semana europeia pesada para os dois emblemas.

No resto da fase de liga, o Real Madrid confirmou a boa forma na competição: goleou o RB Leipzig por 4-1, com Bernardo Silva a abrir o marcador, segundo o Guardian. Em Munique, o Bayern empatou 2-2 com o Arsenal, depois de Harry Kane converter um penálti e Declan Rice responder pelos ingleses, numa partida em que Bukayo Saka saiu lesionado.

Na Liga Portugal, o resultado em Alvalade não altera a posição do Sporting na tabela antes da próxima jornada: os leões mantêm-se no terceiro lugar, com 18 pontos, atrás do líder FC Porto, que soma 24 em oito jogos e ainda não perdeu nem empatou, e do Benfica, segundo classificado com 19. O Santa Clara acompanha o Sporting com os mesmos 18 pontos.

F1 & Ténis
Motorsport

McLaren reforça carro para travar ameaça da Red Bull

A equipa de Woking leva actualizações ao Circuit of the Americas depois do motor Red Bull Ford Powertrains ter vencido pela primeira vez, na Malásia

O Grande Prémio dos Estados Unidos, este fim de semana no Circuit of the Americas, chega com a McLaren a tentar travar uma Red Bull em recuperação na tabela do campeonato. Segundo a Sky Sports, a equipa britânica vai introduzir novas actualizações ao carro em Austin, numa tentativa de manter a vantagem que detém como campeã em título.

A pressão da Red Bull ganhou outro significado nas últimas semanas: o motor Red Bull Ford Powertrains, desenvolvido internamente pela equipa depois da ruptura com a Honda, somou a primeira vitória na Malásia. De acordo com a Motorsport.com, Christian Horner revelou ter recebido chamadas dos accionistas da Red Bull a agradecer o resultado, um marco para um projecto motor que a equipa assumiu como aposta estratégica de longo prazo.

Do lado da Mercedes, a resposta ao fim de semana passa por uniformizar o material. A equipa confirmou, segundo a Sky Sports, que Kimi Antonelli e George Russell vão ambos utilizar a especificação mais recente do carro em Austin, depois de Russell ter corrido em Singapura com uma versão anterior.

A Ferrari juntou-se à lista de equipas com libré especial para a corrida, apresentando um desenho de inspiração técnica em tons de branco e traços de esquiço, feito em parceria com a HP. Fora da pista, a cidade de Austin espera um impacto económico próximo de mil milhões de dólares com a chegada do circuito, segundo estimativas citadas pela Motorsport.com.

No ténis, sem Grand Slam em curso, destaque para Katie Boulter, que resolveu em menos de uma hora o duelo com Viktorija Golubic e está nos quartos-de-final do Japan Open. Em Gales, Jodie Burrage e Alicia Dudeney avançaram na segunda ronda do Lexus Wrexham Open, segundo a BBC.

Mercados & Economia
Movimento da sessão por posiçãoSESSÃO (%)EMIM iShares MSCI EM IMI-2.24%MEUD Amundi Stoxx Europe -0.74%SPXS Invesco S&P 500-0.62%IBCI iShares € Inflation -0.19%XEON Xtrackers €STR+0.02%VGEA Vanguard EUR Govt Bo+0.04%TOTAL-0.75%
O Farol · movimento da sessão

Juros franceses batem máximo de 24 anos e agitam dívida europeia

A taxa a dez anos de Paris ultrapassa 5% pela primeira vez desde 2002, contagiando as bolsas europeias e pesando sobre a carteira do leitor

A taxa de juro da dívida francesa a dez anos passou pela primeira vez a barreira dos 5% desde 2002, segundo o The Guardian, depois de o governo falhar, mais uma vez, em aprovar o orçamento e de os protestos de rua se intensificarem. O mecanismo é directo: quando o mercado desconfia da capacidade de um Estado controlar o défice, exige mais rendimento para financiar essa dívida, e o preço das obrigações já emitidas cai para compensar. É essa subida de yield que se propaga à parte longa da curva europeia, porque o spread francês face ao Bund alemão alarga e obriga os investidores a reprecificar todo o bloco de dívida soberana em euros.

O contágio chegou às bolsas: o Stoxx 600 recuou 0,67% e o DAX 0,52%, penalizados pelo nervosismo soberano francês. O Nikkei 225 caiu 2,65%, arrastado por um sell-off tecnológico mais amplo depois de Tesla e Meta terem desapontado investidores em torno da inteligência artificial, segundo o Jornal de Negócios, enquanto Wall Street resistiu com o S&P 500 a subir 0,58%. O Brent valorizou 3,10%, o que complica ainda mais a narrativa da Casa Branca sobre alívio nos preços dos combustíveis a semanas das legislativas norte-americanas, segundo o The Guardian. O ouro, pelo contrário, cedeu 1,25%, um sinal de realização de lucros que contraria a leitura simples de fuga para activos refúgio.

A carteira do leitor perdeu 0,75% no dia. EMIM foi o maior detractor, com -2,24%, reflectindo a exposição a mercados emergentes correlacionados com a Ásia. MEUD caiu 0,74%, em linha com a queda europeia, e SPXS recuou 0,62% apesar do ganho de Wall Street, penalizado pela conversão cambial. VGEA quase não se mexeu, +0,04%, porque o índice agregado de dívida soberana em euros continua dominado pelo Bund alemão, menos exposto ao stress francês do que os próprios títulos de Paris.

VGEA mantém-se a posição mais subponderada, 8,9 pontos percentuais abaixo do alvo de 28%. O plano do leitor destina o reforço mensal precisamente ao sleeve mais atrasado, e os juros mais altos tornam esse lastro de duração mais barato de comprar, não mais arriscado de manter.

Tecnologia
TechCrunch

Microsoft liga ciberataque chinês a agente de IA autónomo

O grupo Storm-0940 usou o agente Artex para automatizar uma invasão à cadeia de fornecimento da ConnectWise, segundo a Microsoft.

A Microsoft identificou um conjunto de ciberataques atribuídos a um actor alinhado com o Estado chinês, designado Storm-0940, que recorreu a um agente de inteligência artificial chinês chamado Artex para automatizar a comprometedora de uma cadeia de fornecimento ligada à ConnectWise, de acordo com um alerta de segurança da própria Microsoft.

O caso confirma o que os responsáveis de segurança empresarial já temiam: agentes autónomos reduzem o custo de reconhecimento e exploração em larga escala, deslocando a defesa de assinaturas estáticas para detecção de comportamento. Dezenas de organizações terão sido visadas.

Do lado comercial, a Walmart decidiu abrir as portas a agentes de compra automatizados, com limites de gasto e aprovação de transacção configuráveis pelo cliente, numa aposta oposta à da Amazon, que continua a bloquear agentes de IA no seu site, segundo a TechCrunch. A divergência marca uma linha de fractura na forma como o retalho trata tráfego não humano com intenção de compra.

A OpenAI anunciou que os seus modelos, incluindo fluxos de trabalho do Codex, vão ficar disponíveis no Model Garden do Google Cloud, através do respectivo marketplace. A decisão amplia a distribuição da OpenAI para infra-estrutura de um concorrente directo em modelos fundacionais, e sinaliza que a disputa se está a deslocar da camada de modelo para a camada de distribuição empresarial.

A firma israelita de segurança Lava disse ter identificado 32 chips Nvidia Blackwell Ultra B300 em sistemas ligados à rede da China Telecom, operadora estatal chinesa, apesar de o B300 estar sujeito a restrições de exportação para a China. O achado reabre a questão de quão eficazes são os controlos de exportação de hardware de topo para centros de dados.

Em modelos, a startup Recursive lançou o Flint, um modelo de codificação de dimensão reduzida, apto a correr em portátil, que diz ter sido construído maioritariamente pelo seu próprio sistema de investigação em IA, um teste inicial de auto-melhoria aplicada a engenharia de software, segundo a TechCrunch.

Portugal & Espanha
Expresso

PCP avança com propostas para travar subida das rendas

Depois de uma noite de protestos ao relento no Rossio, o partido quer revogar a Lei Cristas e alargar contratos de arrendamento a dez anos

Os manifestantes que ocupam o Rossio, em Lisboa, passaram a última madrugada sem tendas, depois de as estruturas terem sido retiradas. Segundo o Público, o protesto decorreu de forma pacífica, mantendo a pressão sobre o Governo em matéria de habitação.

Nesse contexto, o PCP anunciou que vai entregar na Assembleia da República propostas para revogar a chamada Lei Cristas e reforçar a regulação das rendas. O partido defende o alargamento dos contratos de arrendamento habitacional para dez anos e um maior apoio às cooperativas de habitação, segundo o Público.

A iniciativa surge numa altura em que o PCP acusa o executivo de propor medidas que, na sua leitura, significam "mais especulação imobiliária". O Governo ainda não respondeu publicamente às propostas comunistas, que deverão ser discutidas nas próximas semanas em sede parlamentar.

Fontes: Público, Público
Europa & EUA
The Guardian

Macron quer travar protestos e fala em actos sediciosos

Governo francês promete banir manifestações não sindicais no sábado, enquanto a direita trumpista nos EUA usa a agitação como argumento eleitoral

O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou de "actos sediciosos" a violência da "extrema-esquerda" nos protestos deste fim-de-semana e garantiu que o Estado mostrará "determinação absoluta" para os conter, segundo o The Guardian.

O ministro adjunto do Interior, Jean-Didier Berger, anunciou medidas policiais para a resposta às manifestações previstas para sábado. Em Lyon, as autoridades já proibiram por completo as concentrações não convocadas por sindicatos, de acordo com a Politico Europe.

O endurecimento chega depois de dias de distúrbios que levaram à aceleração de processos judiciais contra manifestantes. Advogados citados pelo The Guardian acusam a classe política de alimentar a pobreza e a revolta que agora pretende punir com sentenças exemplares.

Nos Estados Unidos, meios de comunicação próximos de Donald Trump aproveitaram as imagens de confrontos em França para reforçar a narrativa de que a desordem na Europa valida as suas posições, segundo o The Guardian. Trump já tinha procurado capitalizar politicamente a crise francesa esta semana.

O Vigia · as quatro medalhas do dia
As quatro medalhas do diaOUROPRATABRONZELATA
Christian Horner
Ouro
Christian Horner
O chefe de equipa que trocou a Honda por um motor feito em casa, apostando o ego e o orçamento na jogada.
O motor Red Bull Ford Powertrains venceu pela primeira vez, na Malásia, segundo a Motorsport.com.
Horner recebeu chamadas dos accionistas a agradecer. Aposta de longo prazo começa a pagar, e o adeus à Honda parece cada vez menos um divórcio mal pensado.
Walmart
Prata
Walmart
O retalhista que decidiu dar o cartão de crédito a um robô, enquanto a Amazon tranca a porta a sete chaves.
A Walmart abriu-se a agentes de compra automatizados por IA, com limites de gasto configuráveis, segundo a TechCrunch.
Enquanto a Amazon desconfia da própria tecnologia que ajudou a popularizar, a Walmart arrisca primeiro. Pode sair caro, mas pelo menos não sai pela calada.
Partido Comunista Português
Bronze
Partido Comunista Português
O partido que ainda acredita que revogar leis resolve mercados, mas desta vez acertou no alvo certo.
O PCP anunciou propostas para revogar a Lei Cristas e alargar contratos de arrendamento a dez anos, segundo o Público.
Depois de uma noite de protestos no Rossio, o PCP oferece coerência onde o Governo oferece hesitação a olhar para o Chega.
Emmanuel Macron
Lata
Emmanuel Macron
O presidente que chama sediciosos aos cidadãos pela rua que ele próprio ajudou a incendiar com o orçamento.
Macron classificou os protestos de 'actos sediciosos', enquanto o juro francês a dez anos ultrapassava os 5% pela primeira vez desde 2002, após novo falhanço orçamental.
Culpar a rua é mais fácil do que aprovar um orçamento. Os mercados já perceberam quem está realmente a causar instabilidade em Paris.
O Farol · edição de quinta-feira, 22 de outubro de 2026 · gerado às 15:07 · arquivo · PDF
Fotografias creditadas aos respectivos autores. Nenhuma fotografia de actualidade é gerada por IA — o retrato de José Leonelas é a ilustração de um colunista fictício.