
Petróleo dispara e arrasta bolsas e dívida europeia
Ataques à infra-estrutura saudita e o risco de confronto entre os Estados Unidos e o Irão elevam o Brent acima dos 111 dólares e reacendem a venda de obrigações na zona euro.
As bolsas mundiais recuaram esta quarta-feira depois de o petróleo ter subido mais de 2%, com o Brent a ultrapassar os 111 dólares por barril, segundo o Wall Street Journal. Os investidores reagiram a novos ataques contra infra-estruturas energéticas da Arábia Saudita e ao agravamento do risco de confronto directo entre os Estados Unidos e o Irão, dois factores que ameaçam a já frágil recuperação da oferta de crude no Médio Oriente.
A subida dos preços da energia chega numa altura particularmente sensível para a zona euro. Segundo o Financial Times, o sell-off da dívida soberana europeia aprofundou-se nas últimas sessões, um movimento que antecede este choque petrolífero mas que a nova pressão inflacionária só tende a agravar. O jornal nota que a região não se pode limitar a esperar que as yields norte-americanas desçam: tem problemas orçamentais e de competitividade próprios que precisam de resposta interna, independentemente do que fizer a Reserva Federal.
O efeito já se sente fora dos mercados de acções e dívida pública. A Blackstone anunciou um corte nas avaliações da sua carteira imobiliária, com o presidente do grupo, Jonathan Gray, a atribuir o ajuste a taxas de juro mais elevadas e a uma volatilidade de mercado que tem adiado o regresso de capital aos investidores através de ofertas públicas iniciais. Para um investidor com exposição a activos reais entre Portugal e Espanha, a leitura é directa: o custo de financiamento sobe, as saídas por via de IPOs atrasam-se e as avaliações ajustam-se em baixa antes de qualquer sinal de estabilização.
Fica por responder até que ponto os ataques à Arábia Saudita vão afectar de forma duradoura a produção efectiva de petróleo, ou se representam um choque pontual que os mercados absorvem em dias. Também não está claro se o Banco Central Europeu vai antecipar alguma resposta à pressão inflacionária renovada, nem se a tensão entre Washington e Teerão evolui para algo que justifique um prémio de risco geopolítico mais permanente nos preços da energia.
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