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O Farol em Voz Petróleo, dívida francesa e a factura da IA 2 min 22 · subscrever
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Manchete
Financial Times

Petróleo a 114 dólares e dúvidas sobre IA afundam bolsas

O crude mais caro desde Maio junta-se ao receio de que a bolha da inteligência artificial esteja a esvaziar-se, numa combinação que já se sente nos indicadores de consumo britânicos

O petróleo Brent superou os 114 dólares por barril esta semana, o valor mais alto desde Maio, segundo o Financial Times e o Wall Street Journal. A subida reflecte o receio de uma escalada entre os Estados Unidos e o Irão, depois de o enviado norte-americano Mike Waltz ter avisado Teerão de que Washington está preparado para um impasse longo caso não haja um acordo nuclear significativo. Teerão, por seu turno, ameaçou alargar os ataques a alvos económicos e civis se for atacada, segundo o WSJ, o que levou Washington a retirar mais militares e diplomatas da região.

A subida do crude surge no mesmo momento em que os mercados accionistas globais recuam, pressionados por um segundo factor: a dúvida crescente sobre a sustentabilidade do investimento maciço em inteligência artificial. O Financial Times descreve o movimento como 'o Inverno a chegar aos mercados', com obrigações e acções a transmitirem o mesmo sinal de desconfiança. A combinação de energia mais cara e correcção nas avaliações tecnológicas é rara: normalmente um dos dois factores compensa o outro nas carteiras diversificadas.

O impacto já é visível fora dos mercados financeiros. No Reino Unido, as vendas a retalho caíram e a confiança do consumidor registou a queda mais rápida desde o referendo do Brexit em 2016, de acordo com o Guardian, numa altura em que o ministro das Finanças britânico prepara o orçamento da próxima semana. O jornal associa directamente a deterioração ao agravamento do conflito no Médio Oriente, que encarece a energia e aperta o orçamento das famílias já pressionadas pelo custo de vida.

Para quem tem exposição a mercados europeus e norte-americanos, a questão central é se se trata de uma correcção técnica nas tecnológicas, amplificada por um choque petrolífero temporário, ou do início de um ciclo mais longo de reavaliação de risco. O Financial Times nota ainda que a estratégia do Tesouro norte-americano de encurtar a maturidade da dívida pública se torna mais arriscada precisamente se a inflação subir e o optimismo em torno da IA esmorecer ao mesmo tempo. Não há, para já, indicação clara de quanto tempo os preços do petróleo vão permanecer nestes níveis, nem se a tensão entre Washington e Teerão evolui para confronto directo ou para negociação.

Opinião de um fanático
José Leonelas

Três golos sofridos em casa, outra vez. O Paulo Alves fala em apatia, o Carlos Freire fala em confiança a mais e qualidade a menos, e eu digo que os dois têm razão, o que só prova que a coisa está mesmo feia.

O genro, à mesa do almoço, veio com a estatística do pior desde 2019/20. Eu não disse nada. Guardei o garfo e o rancor, que são a mesma coisa quando é ele a falar.

Agora vem o Académico de Viseu e o Rui Borges vai mexer no onze, dizem. Pois que mexa: mude quem quiser, que o único jogador que nunca falha nesta casa é o genro a lembrar-me do resultado.

Futebol
Liga Portugal — classificação à 8.ª jornada
# Clube J V E D GM GS DG P
1 Porto 8 8 0 0 20 4 +16 24
2 Benfica 8 6 1 1 24 7 +17 19
3 Sporting 8 5 3 0 20 9 +11 18
4 Santa Clara 8 5 3 0 12 4 +8 18
5 Ac. Viseu 8 4 2 2 11 10 +1 14

Traço à esquerda: lugar de prova europeia. Fonte: ESPN.

Record

Sporting dissecado após derrota europeia, Ba pode voltar

Análises ao jogo com o LASK Linz apontam apatia e falta de qualidade no meio-campo, enquanto a defesa acumula números preocupantes antes da receção ao Académico de Viseu

A derrota do Sporting na Liga Europa, frente ao LASK Linz, continua a ser analisada esta sexta-feira na imprensa desportiva. Segundo o Record, o comentador Paulo Alves destaca a apatia da equipa leonina e as dificuldades em desmontar um adversário organizado atrás da linha da bola, enquanto Carlos Freire aponta excesso de confiança e falta de qualidade no meio-campo como factores da exibição.

A fragilidade defensiva junta-se agora à lista de preocupações. De acordo com o Record, o Sporting regista a pior média de golos sofridos desde a época 2019/20, depois de ter sofrido três golos em casa pela segunda vez desde a chegada de Rui Borges ao comando técnico. Os números contrastam com o arranque competitivo da equipa na Liga Portugal, onde o Sporting soma 18 pontos em oito jornadas, no terceiro lugar, a seis do líder FC Porto.

Rui Borges prepara agora mudanças no onze para o jogo com o Académico de Viseu, referente ao campeonato, numa tentativa de dar mais solidez à retaguarda após a exibição europeia. Segundo o Record, Ibrahima Ba aponta a um regresso à titularidade, com o técnico leonino a procurar reforçar o músculo defensivo da equipa.

No plano dos reforços, o Sporting surge associado ao futsal: de acordo com o especialista internacional Gustavo Muñana, citado pelo Zerozero, o clube de Alvalade está na corrida pela contratação de Marcel Marques, internacional brasileiro que termina contrato com o El Pozo Múrcia em 2030. O jogador de 30 anos é também alvo do Barcelona.

F1 & Ténis
Motorsport

Buracos do COTA dominam antevisão do GP dos EUA

Max Verstappen diz recear precisar de 'uma coluna nova' depois de testar a pista de Austin, enquanto Kimi Antonelli se aproxima do título de 2026.

No dia de imprensa que antecede o Grande Prémio dos Estados Unidos, o estado do piso do Circuito das Américas tornou-se o tema mais comentado nos boxes de Austin. Max Verstappen descreveu a superfície como "fora de controlo" e disse temer precisar de "uma coluna nova" depois de sentir os solavancos do traçado, segundo a Sky Sports.

George Russell e Lando Norris deram-lhe razão. Russell defendeu, à Motorsport, que os circuitos da Fórmula 1 deviam ser repavimentados a cada dois anos, enquanto Norris admitiu tomar comprimidos para a dor de cabeça antes de correr em pistas tão irregulares como a do Texas.

A discussão sobre o asfalto surge num fim de semana em que o título de 2026 pode ficar decidido. Segundo a Sky Sports, Norris elogiou o desempenho de Kimi Antonelli, classificando-o como "dois níveis acima" do colega de equipa Russell ao longo da época, e notou que o italiano chega a Austin à beira de um campeonato histórico. Russell, por seu lado, admitiu à Formula1.com que a temporada "testou o meu carácter e a minha resiliência", mas garantiu que esta não será a sua última oportunidade de lutar pelo título.

Na Red Bull, Verstappen apoiou a extensão de contrato de Laurent Mekies, embora tenha avisado que não é certo que a equipa repita o triunfo alcançado em Austin. Na Ferrari, Charles Leclerc disse ter um objectivo mais importante do que terminar em segundo no Mundial de Construtores, sem detalhar qual, segundo a Formula1.com.

O mercado de pilotos para 2027 também mexeu na Haas. Esteban Ocon defendeu que Rafael Camara "merece a oportunidade" que lhe foi dada pela equipa, mas insistiu que também ele próprio não merece ficar fora da grelha. A Motorsport nota ainda que a próxima vaga na Ferrari deverá opor Oliver Bearman a Camara, consoante a evolução de ambos ao longo da época.

Mercados & Economia
Movimento da sessão por posiçãoSESSÃO (%)EMIM iShares MSCI EM IMI-2.75%MEUD Amundi Stoxx Europe -1.37%SPXS Invesco S&P 500-0.86%IBCI iShares € Inflation -0.05%XEON Xtrackers €STR+0.04%VGEA Vanguard EUR Govt Bo+0.11%TOTAL-1.07%
O Farol · movimento da sessão

França ultrapassa EUA no custo da dívida e trava bolsas

A subida do prémio de risco francês empurra capital para o Tesouro norte-americano, enquanto o petróleo oscila perto dos 115 dólares no fecho da terceira semana de ganhos.

A sessão de sexta-feira ficou marcada por um sinal pouco comum: a taxa de juro da dívida francesa a dez anos ultrapassou a da dívida norte-americana. Segundo o Guardian, o mercado de obrigações de França voltou a ser alvo de vendas depois dos protestos do fim de semana, com os investidores a duvidar da capacidade do governo de aprovar um orçamento. Quando a incerteza política se junta ao défice, o prémio exigido para financiar a dívida sobe, e foi isso que aconteceu: Paris paga agora mais para se financiar do que Washington, uma inversão que há poucos anos seria impensável.

Essa fuga de capital da dívida francesa teve como contrapartida uma procura acrescida por Treasuries, cujo rendimento a dez anos caiu cerca de 3,75% em termos relativos. É o mecanismo clássico de 'flight to quality': quando um emissor soberano europeu assusta o mercado, o dinheiro refugia-se no activo considerado mais seguro, fazendo subir o preço e descer a taxa de juro. Essa mesma procura por segurança ajuda a explicar a pressão sobre as bolsas, com o S&P 500 a recuar 1,21% e o Stoxx 600 a ceder 0,33%.

No petróleo, o Brent caiu 3,31% na sessão, mas segundo o Jornal de Negócios aproxima-se dos 115 dólares e encaminha-se para a terceira semana consecutiva de ganhos, um nível que já pesa na política interna dos Estados Unidos a caminho das legislativas. O euro perdeu 0,30% frente ao dólar, um movimento que penaliza o valor em euros de activos denominados em dólares no mesmo dia em que esses activos beneficiaram da procura por segurança.

A carteira do leitor recuou 1,07%, puxada pela queda de 2,75% em EMIM e de 1,37% em MEUD, ambas reflexo directo do dia vermelho nas bolsas. VGEA manteve-se praticamente estável, com ganho de 0,11%, cumprindo o seu papel de lastro face à turbulência da dívida soberana. XEON também não se moveu, como seria de esperar de uma posição de liquidez.

Face ao plano, VGEA continua a ser o sleeve mais subponderado, com desvio de -8,8 pontos percentuais perante um peso-alvo de 28%. Num dia em que a dívida soberana europeia esteve no centro das atenções por razões opostas às boas, a regra de reforço mensal aponta naturalmente para essa lacuna, sem que isso implique qualquer leitura sobre o preço de curto prazo.

Tecnologia
Salesforce

Salesforce prepara-se para cobrar por agentes externos como Claude

A partir do próximo mês, as empresas terão de registar agentes de IA de terceiros antes de os deixar operar dentro das aplicações Salesforce

Salesforce está a liderar entre os fornecedores de software empresarial uma mudança que vai alterar o custo de usar IA externa dentro dos seus produtos. Segundo a The Information, a empresa prepara-se para exigir que os clientes registem formalmente qualquer agente de IA externo, incluindo o Claude da Anthropic, antes de o autorizar a automatizar tarefas dentro de aplicações como Agentforce ou Data Cloud.

O registo é descrito como um primeiro passo: a etapa seguinte será cobrar cada vez que esses agentes externos executarem acções dentro do ecossistema Salesforce. A medida pode entrar em vigor já no próximo mês, de acordo com a mesma fonte.

A decisão marca uma viragem na forma como as empresas de software empresarial tratam o tráfego de agentes de terceiros. Até agora, a integração de modelos externos em plataformas como Salesforce funcionava largamente sem custos adicionais explícitos, desde que a empresa cliente já pagasse a licença base. Transformar essa integração num ponto de cobrança altera o cálculo económico de quem decide orquestrar fluxos de trabalho com Claude, GPT ou outros modelos fora do Agentforce nativo.

Para equipas de arquitectura que hoje combinam múltiplos agentes de fornecedores diferentes dentro do mesmo pipeline, a mudança introduz um custo de transacção novo por cada chamada externa que atravesse a camada Salesforce. Isso favorece, em teoria, soluções que permaneçam dentro do perímetro Agentforce e penaliza arquitecturas híbridas que dependiam de Claude ou outros modelos para tarefas específicas dentro de um CRM ou plataforma de dados já ancorada em Salesforce.

A iniciativa surge numa altura em que a Anthropic tenta consolidar a posição do Claude como motor de agentes dentro de ferramentas empresariais de terceiros, um território onde até agora enfrentava menos fricção de custos do que a integração directa de infra-estrutura. Se Salesforce avançar com a cobrança por uso, outros fornecedores de plataformas empresariais, como Microsoft ou ServiceNow, poderão seguir o mesmo caminho para proteger as suas próprias camadas de agentes nativos.

Portugal & Espanha
El País

Lisboa estuda seguro obrigatório, Madrid trava arrendamento irregular

As Finanças portuguesas ligam o seguro de catástrofes ao financiamento do INEM, enquanto o Consumo espanhol ordena a retirada de milhares de anúncios de arrendamento de temporada

O Ministério das Finanças prepara um pacote de seguros obrigatórios contra catástrofes para todas as habitações em Portugal, ainda sem data de entrada em vigor, segundo o Público. O Ministério da Saúde já incorporou o efeito no orçamento: estima um aumento de 117 milhões de euros nas taxas que financiam o INEM, "sustentado pela expectativa de alargamento da obrigatoriedade" dessas apólices.

Em Espanha, o Ministério do Consumo ordenou a retirada de 8 300 anúncios irregulares de arrendamento de temporada, a maioria em Madrid, de acordo com o El País. A fiscalização detectou em duas plataformas imóveis turísticos anunciados sob modalidade distinta para contornar a regulação mais apertada que recai hoje sobre o alojamento vacacional.

No plano político, o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, confirmou que tentará formar governo mesmo sem ser a lista mais votada, pactuando com o Vox, e definiu o objectivo como afastar Pedro Sánchez, segundo o El País.

Europa & EUA
The Guardian

Bruxelas exige mais fundos de Londres para a Ucrânia

Líderes europeus querem que o Reino Unido reforce o apoio financeiro a Kiev em 2027, numa cimeira que também discute o futuro das relações pós-Brexit

Líderes da União Europeia vão pressionar Andy Burnham, numa cimeira em Bruxelas, para que o Reino Unido aumente a contribuição financeira para o esforço de defesa da Ucrânia em 2027, segundo o The Guardian. Responsáveis da UE argumentam que Londres, juntamente com o Canadá e o Japão, deve fazer mais para apoiar Kiev, numa altura em que os custos do conflito continuam a pesar sobre os orçamentos europeus.

A cimeira, agendada para 20 de Novembro, serve também para negociar outros dossiers pendentes desde o Brexit. Entre eles está um esquema de mobilidade jovem entre a UE e o Reino Unido, cujo prazo de implementação poderá ser adiado seis meses, de acordo com fontes diplomáticas citadas pelo jornal britânico.

Questões como quotas de vistos, propinas universitárias e sobretaxas de acesso ao sistema de saúde britânico continuam por resolver, o que explica a cautela de Bruxelas em fixar datas rígidas antes de garantir o sucesso político do encontro, descrito como um 'reset' nas relações entre as duas partes.

O Vigia · as quatro medalhas do dia
As quatro medalhas do diaOUROPRATABRONZELATA
Ouro
Salesforce
A casa de software que vendeu a nuvem a meio mundo e agora descobriu uma porta nova: cobrar pedágio a quem lhe entra em casa.
Vai exigir registo de agentes de IA externos, como o Claude, antes de operarem dentro das suas aplicações, segundo a The Information.
Primeiro o registo, depois a factura: Salesforce percebeu que o verdadeiro negócio da IA não é vendê-la, é cobrar portagem a quem a usa dentro de casa alheia.
Prata
Ministério das Finanças de Portugal
O ministério que descobriu como financiar o INEM sem chamar imposto a um imposto: basta obrigar todos a seguro de catástrofes.
Prepara seguro obrigatório contra catástrofes para todas as habitações, já contabilizado como mais 117 milhões de euros para o INEM, segundo o Público.
Orçamentar uma receita antes de a lei existir é optimismo de contabilista. Chamar-lhe seguro em vez de taxa é só marketing fiscal.
Max Verstappen
Bronze
Max Verstappen
O tetracampeão que já viu de tudo em pista e agora teme sair de Austin com uma coluna vertebral nova.
Descreveu o piso do Circuito das Américas como 'fora de controlo' e disse recear precisar de 'uma coluna nova', segundo a Sky Sports.
Quando o homem que trava a 300 km/h se queixa do asfalto, o problema não é a condução, é o piso. Repavimentar custa menos do que uma ressonância.
Alberto Núñez Feijóo
Lata
Alberto Núñez Feijóo
O líder do PP que perdeu a corrida mas quer mesmo assim o troféu, com o Vox a segurar-lhe a escada.
Confirmou que tentará formar governo mesmo sem ser a lista mais votada, pactuando com o Vox, segundo a cobertura desta edição.
Chamar-lhe vontade democrática quando se perde nas urnas e se governa na aritmética é um exercício de ilusionismo que só convence quem já queria acreditar.
O Farol · edição de sexta-feira, 23 de outubro de 2026 · gerado às 09:57 · arquivo · PDF
Fotografias creditadas aos respectivos autores. Nenhuma fotografia de actualidade é gerada por IA — o retrato de José Leonelas é a ilustração de um colunista fictício.