
França mobiliza 70 mil polícias antes de novo dia de protesto
Uma semana depois de motins nacionais, o governo tenta conter a rua enquanto as contas públicas e a ameaça de Marine Le Pen se agravam ao mesmo tempo
França prepara-se para um novo dia de protesto nacional, uma semana depois de motins que já tinham varrido o país. Segundo a BBC, mais de 70 000 agentes policiais vão ser destacados, face ao receio de que os manifestantes desrespeitem as restrições impostas às manifestações.
O dispositivo de segurança surge num momento em que, de acordo com o Financial Times, a desordem em Paris coincide com um esgotamento mais profundo: o país está a ficar sem dinheiro, sem paciência e sem respostas políticas para a sua crise orçamental. É nesse vazio que Marine Le Pen espera, pronta a capitalizar o descontentamento que o governo não consegue gerir nem a rua nem as contas.
A combinação é explosiva para quem olha para França como âncora da zona euro. Um Estado com défice difícil de controlar, incapaz de aprovar reformas de consolidação sem provocar nova vaga de protestos, é um risco que os mercados de dívida soberana não podem ignorar por muito mais tempo. A pressão sobre o spread da dívida francesa face à alemã tende a reagir a qualquer sinal de paralisia governativa prolongada.
O que se segue nas próximas semanas é a tentativa do governo de equilibrar duas frentes que se alimentam mutuamente: conter a contestação social sem ceder terreno orçamental, e evitar que essa contenção alimente ainda mais o discurso de Le Pen sobre um Estado que já não controla nem a rua nem as finanças.
O que ainda não se sabe é se este dia de protesto marca um pico de tensão ou apenas mais um episódio de uma crise que se vai arrastar. Também não está claro até que ponto o governo tem margem orçamental para ceder às exigências da rua sem comprometer de vez a credibilidade das contas públicas francesas junto dos investidores internacionais.
Porto
Benfica
Sporting
Santa Clara
Ac. Viseu



