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O Farol em Voz França em alerta, petróleo dispara, nuvem esgotada 2 min 06 · subscrever
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Manchete
Financial Times

França mobiliza 70 mil polícias antes de novo dia de protesto

Uma semana depois de motins nacionais, o governo tenta conter a rua enquanto as contas públicas e a ameaça de Marine Le Pen se agravam ao mesmo tempo

França prepara-se para um novo dia de protesto nacional, uma semana depois de motins que já tinham varrido o país. Segundo a BBC, mais de 70 000 agentes policiais vão ser destacados, face ao receio de que os manifestantes desrespeitem as restrições impostas às manifestações.

O dispositivo de segurança surge num momento em que, de acordo com o Financial Times, a desordem em Paris coincide com um esgotamento mais profundo: o país está a ficar sem dinheiro, sem paciência e sem respostas políticas para a sua crise orçamental. É nesse vazio que Marine Le Pen espera, pronta a capitalizar o descontentamento que o governo não consegue gerir nem a rua nem as contas.

A combinação é explosiva para quem olha para França como âncora da zona euro. Um Estado com défice difícil de controlar, incapaz de aprovar reformas de consolidação sem provocar nova vaga de protestos, é um risco que os mercados de dívida soberana não podem ignorar por muito mais tempo. A pressão sobre o spread da dívida francesa face à alemã tende a reagir a qualquer sinal de paralisia governativa prolongada.

O que se segue nas próximas semanas é a tentativa do governo de equilibrar duas frentes que se alimentam mutuamente: conter a contestação social sem ceder terreno orçamental, e evitar que essa contenção alimente ainda mais o discurso de Le Pen sobre um Estado que já não controla nem a rua nem as finanças.

O que ainda não se sabe é se este dia de protesto marca um pico de tensão ou apenas mais um episódio de uma crise que se vai arrastar. Também não está claro até que ponto o governo tem margem orçamental para ceder às exigências da rua sem comprometer de vez a credibilidade das contas públicas francesas junto dos investidores internacionais.

Opinião de um fanático
José Leonelas

Ilibado, dizem do Kaique. Fiquei contente, com a mesma cara que fiz quando a minha mulher jurou que a culpa do café entornado foi da chávena.

No podcast dizem que a transição é péssima. Concordo sem reservas, até porque fui eu que disse isso ao genro há duas semanas, antes de ele me chamar exagerado.

Hoje é o Académico de Viseu, que o treinador deles trata por adversário rico em surpresas, coitado. Arrisco três a zero e Kaique sem sobressaltos, porque ilibado uma vez chega para a vida toda.

Futebol
Liga Portugal — classificação à 9.ª jornada
# Clube J V E D GM GS DG P
1 Porto 8 8 0 0 20 4 +16 24
2 Benfica 8 6 1 1 24 7 +17 19
3 Sporting 8 5 3 0 20 9 +11 18
4 Santa Clara 8 5 3 0 12 4 +8 18
5 Ac. Viseu 8 4 2 2 11 10 +1 14

Traço à esquerda: lugar de prova europeia. Fonte: ESPN.

zerozero

Sporting recebe Académico de Viseu com baliza em aberto

Leão é terceiro e invicto na Liga Portugal, mas a crítica aos problemas defensivos sobrevive à vitória na Taça e ao empate europeu

O Sporting recebe este sábado o Académico de Viseu, em Alvalade, a contar para a nona jornada da Liga Portugal. Bruno Pinheiro, treinador da equipa de Viseu, fez a antevisão do jogo e recusou o papel de comparsa: "o futebol é rico em surpresas", disse, segundo o zerozero.

O adversário chega a Alvalade depois de a equipa leonina somar 18 pontos em oito jornadas, com cinco vitórias e três empates, sem qualquer derrota. É um registo que deixa o Sporting no terceiro lugar, atrás do Porto, líder isolado com pleno de vitórias, e do Benfica, segundo classificado.

A discussão em torno da baliza do Sporting continua, no entanto, a dominar a conversa à volta da equipa. Segundo o Record, Kaique foi ilibado da responsabilidade pela derrota sofrida na Champions League frente ao LASK Linz, ainda que tenha sofrido os primeiros três golos do encontro. O guarda-redes mantém-se na frente da corrida pelo lugar de titular.

A defesa leonina continua também sob escrutínio fora dos relatos oficiais. No podcast Canto do Sporting, citado pelo zerozero, foi deixado o aviso de que os problemas da equipa não se resumem aos centrais: "a transição do Sporting é péssima", resume um dos comentadores, apontando falhas estruturais na forma como a equipa passa da defesa ao ataque.

É com esse pano de fundo que Rui Borges prepara a receção ao Académico de Viseu, equipa que ocupa a quinta posição e que chega a Alvalade com 14 pontos. Bruno Pinheiro aposta na capacidade de surpresa da sua equipa para explorar as fragilidades que têm sido apontadas ao conjunto leonino nas últimas semanas.

F1 & Ténis
Motorsport

Leclerc lidera sexta-feira de treinos em Austin

A Ferrari domina as duas sessões livres do GP dos Estados Unidos, mas quatro equipas chegam equilibradas ao fim de semana que pode coroar Antonelli campeão.

Charles Leclerc fechou a sexta-feira do Circuito das Américas no topo da tabela de tempos, depois de liderar o treino livre 1 e confirmar a vantagem no treino livre 2 com 1m35,291s, à frente de Kimi Antonelli. Segundo a Motorsport.com, foi um dia perfeito para o monegasco, mas o próprio avisou que convém não criar expectativas: Austin tem historial de surpresas entre sessões e a pista evolui depressa ao longo do fim de semana.

O retrato que Lawrence Barretto traça para a F1.com é o de uma luta a quatro: Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull surgem com ritmos próximos depois do primeiro dia de pista, sem que nenhuma equipa tenha mostrado vantagem clara em condições de corrida. Lando Norris reconheceu dificuldades em tirar partido do McLaren MCL40, descrevendo como 'muito difícil' maximizar o potencial do carro, uma frase que a Motorsport.com associa a um upgrade final de temporada que a equipa ainda tenta afinar.

Do lado da Red Bull, Isack Hadjar teve o dia oposto: mudanças de afinação deixaram o carro 'impossível de conduzir', segundo as suas próprias palavras à F1.com, com o francês a lutar por aderência durante todo o treino livre 2.

O fim de semana pode ainda ficar marcado por um registo histórico. Kimi Antonelli está a um resultado de se tornar o campeão mais jovem da história da Fórmula 1, superando o recorde de Sebastian Vettel, que foi coroado em 2010 no GP de Abu Dhabi aos 23 anos. À Motorsport.com, o piloto da Mercedes admitiu não ter memória própria desse momento, por ser ainda criança na altura.

Fora da pista, Christian Horner disse à CBS News, em declarações citadas pela Motorsport.com, que não tem pressa em voltar à Fórmula 1 e que poderia viver sem nunca mais trabalhar no paddock, meses depois de ter sido afastado da Red Bull Racing. Adrian Newey respondeu entretanto às críticas que Horner lhe dirige no seu novo livro sobre os anos difíceis da equipa com os motores Renault, dizendo à Sky Sports que o antigo chefe não terá compreendido totalmente a sua frustração na altura.

No ténis, Katie Boulter recuperou o estatuto de número um britânica ao bater Antonia Ruzic em três sets nos quartos de final do Japan Open, avançando para as meias-finais do torneio, segundo a BBC.

Mercados & Economia
Movimento da sessão por posiçãoSESSÃO (%)EMIM iShares MSCI EM IMI-2.68%MEUD Amundi Stoxx Europe -1.12%SPXS Invesco S&P 500-0.92%IBCI iShares € Inflation -0.05%XEON Xtrackers €STR+0.02%VGEA Vanguard EUR Govt Bo+0.11%TOTAL-0.99%
O Farol · movimento da sessão

Petróleo dispara acima de 117 dólares com receio no Irão

A ameaça de Teerão contra refinarias do Golfo soma-se a juros americanos mais altos e pressiona bolsas e carteira do leitor

O Brent subiu 3,14% esta sexta-feira e ultrapassou os 117 dólares por barril, o nível mais alto em mais de seis meses, depois de Teerão ameaçar ataques de retaliação contra refinarias e centros de dados no Golfo, segundo o Guardian. O mercado lê a ameaça como sinal de que novos ataques dos Estados Unidos ao Irão são um cenário real, não apenas retórica.

Um petróleo mais caro alimenta a inflação importada e reduz a margem dos bancos centrais para cortar juros. É por isso que a parte longa da curva reagiu: a yield do Tesouro dos EUA a 10 anos subiu 0,71%. Juros reais mais altos, por sua vez, retiram atractivo ao ouro, que caiu 1,29% apesar do ambiente de aversão ao risco, um movimento que normalmente favoreceria o metal.

Wall Street fechou a semana no vermelho, com o S&P 500 a recuar 0,52%, pressionado pela tecnologia e pelo custo da energia, segundo o Jornal de Negócios. A Moderna teve a pior sessão da sua história na quinta-feira, após uma fuga de informação sobre os resultados da vacina contra o melanoma, que a farmacêutica e a Merck vão apresentar oficialmente este sábado, em Madrid.

Na Europa, o Stoxx 600 perdeu 0,31% e o DAX 0,75%. A Moody's manteve o rating da França em Aa3, com perspectiva negativa, confiando que Paris aprove um orçamento para 2027 capaz de conter o défice, segundo o Jornal de Negócios. Do lado comercial, Donald Trump recuou em parte das tarifas ao Canadá para ajudar a senadora republicana Susan Collins, em dificuldades no Maine, segundo o Guardian, um lembrete de como a política interna americana pode alterar barreiras comerciais sem resolver o fundo da disputa.

O euro desvalorizou 0,27% frente ao dólar. Para um investidor em euros, um dólar mais forte corta nos dois sentidos: valoriza os activos denominados em dólares quando convertidos, mas também torna mais caras as matérias-primas cotadas nessa moeda, caso do próprio petróleo.

A carteira do leitor perdeu 0,99% no dia, arrastada sobretudo pelos emergentes, EMIM, que caíram 2,68%, e pelas acções europeias, MEUD, com menos 1,12%. É um dia vermelho alinhado com o mercado, sem sinal próprio. O sleeve mais subponderado continua a ser a dívida soberana em euros, VGEA, 8,8 pontos percentuais abaixo do alvo de 28%, a posição que o plano aponta para o próximo reforço.

Tecnologia
TechCrunch

AWS está esgotada até 2028, diz Jassy

O CEO da Amazon admite que a procura por capacidade de computação já consumiu as reservas de 2026 e 2027, enquanto a OpenAI reforça a segurança do treino dos seus modelos.

A Amazon Web Services está, na prática, esgotada até 2028. Andy Jassy, CEO da Amazon, disse num podcast da Andreessen Horowitz divulgado na sexta-feira que a capacidade de 2026 está vendida e a de 2027 está largamente comprometida. A empresa reserva apenas uma fracção para procura pontual e para inferência, segundo Jassy.

A afirmação confirma o que já se via nos números de capex da Amazon: a procura por GPUs e infraestrutura de treino supera a oferta disponível, e isso significa filas de espera e contratos plurianuais para qualquer empresa que decida migrar cargas de IA para a nuvem nos próximos dois anos. Para quem planeia capacidade, a mensagem é directa: reservar agora ou aceitar preços de spot.

Do lado da segurança, a OpenAI anunciou duas mudanças de arquitectura no treino dos seus modelos de fronteira. A primeira: deixa de treinar directamente a partir da internet ao vivo, citando riscos significativos, poucas semanas depois de um engenheiro da própria empresa ter dito publicamente que essa solução não funcionaria. A segunda: reforçou o isolamento dos ambientes de treino e avaliação, com ambientes offline e red-teaming de alto consumo computacional, segundo a própria empresa.

Ainda na OpenAI, a empresa detalhou como escalou o seu sistema de armazenamento interno, chamado Habitat, para servir mais de 1 000 milhões de utilizadores do ChatGPT. A solução combina multi-tenancy, cache global e Azure Cosmos DB, com leituras 12 vezes mais rápidas, segundo a empresa. É um dado raro de arquitectura real por trás de um produto de IA em escala de consumo massivo.

No capital de risco, a Reflection AI, criadora de modelos abertos, viu a sua avaliação triplicar em seis meses durante uma ronda de 2,5 mil milhões de dólares, forçando investidores como a B Capital a recorrer a fundos de LP e empréstimos warehouse para garantir posição, segundo o The Information. O episódio mostra a pressão de preço que atravessa agora a camada aplicada do sector.

Portugal & Espanha
Expresso

Habitação tensiona Lisboa e expõe fisco espanhol do arrendamento

Acampada regressa ao Rossio e disputa sobre terreno em Gaia mostram o nó português, enquanto Madrid descobre onde moram os senhorios

O movimento Acampada de Lisboa decidiu, por unanimidade em assembleia popular, voltar a instalar-se no Rossio no sábado. Os manifestantes preparam ainda uma concentração no aeroporto de Lisboa, em data ainda por marcar, segundo o Expresso.

Em Vila Nova de Gaia, o autarca Luís Filipe Menezes acusou o ministro da Defesa, Nuno Melo, de mentir sobre uma reunião que nunca terá existido. Em causa está a cedência de um terreno do ministério onde a câmara quer construir cerca de 3 000 casas, processo que Menezes responsabiliza o governo por travar.

Em Espanha, dados do IRPF citados pelo El País mostram que mais de 30% dos contribuintes nos códigos postais de maior rendimento declaram ganhos com arrendamento, concentração que reforça o debate sobre quem beneficia da subida das rendas nas zonas turísticas e nos bairros mais abastados.

Os dois países partilham o diagnóstico, mas não a resposta: em Portugal discute-se se a crise é de ordem pública ou social, em Espanha a atenção vira-se para quem lucra com o arrendamento.

Europa & EUA
The Guardian

Tiroteio perto de Paris mata um e fere cinco

Macron condena o racismo depois de um homem ter aberto fogo de um carro em duas localidades a oeste da capital francesa

Um homem abriu fogo a partir de um carro nas localidades de Trappes e Verrière, a oeste de Paris, na sexta-feira, matando uma pessoa e ferindo outras cinco, entre elas uma menina de 12 anos, segundo o The Guardian.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, condenou o racismo na sociedade francesa na sequência do ataque, de acordo com a mesma fonte.

O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, emitiu uma declaração sobre o incidente, confirmando a morte de uma pessoa e os ferimentos causados às restantes quatro vítimas, segundo o Guardian.

O Ministério Público francês abriu uma investigação por crime de ódio, tratando o caso como um possível acto de terrorismo, de acordo com o Politico Europe. As autoridades não divulgaram, até à hora de fecho desta edição, a identidade ou o móbil do atirador.

O Vigia · as quatro medalhas do dia
As quatro medalhas do diaOUROPRATABRONZELATA
Andy Jassy
Ouro
Andy Jassy
O CEO que transformou falta de stock em argumento de vendas: gere a nuvem como quem gere uma discoteca lotada à porta.
Disse num podcast que a AWS tem a capacidade de 2026 vendida e a de 2027 largamente comprometida.
Admitir que não há GPUs que cheguem é confessar um problema de investimento disfarçado de triunfo comercial. Os clientes que paguem o spot e agradeçam.
Nuno Melo
Prata
Nuno Melo
O ministro da Defesa que, entre submarinos e caças, também encontra tempo para discutir terrenos em Gaia.
Luís Filipe Menezes acusou-o de mentir sobre uma reunião que nunca existiu, a propósito da cedência de terreno para 3 000 casas.
Quando um autarca chama mentiroso a um ministro da República sem resposta à altura, o silêncio custa mais caro do que a reunião que não houve.
Sébastien Lecornu
Bronze
Sébastien Lecornu
O primeiro-ministro que troca défice por efectivo policial, como se 70 mil agentes pagassem a dívida pública.
Mobilizou mais de 70 000 polícias para conter um novo dia de protesto nacional, uma semana depois dos motins anteriores.
É uma resposta de ordem pública a uma crise orçamental. Marine Le Pen agradece o adiamento: cada polícia na rua é um eleitor a menos a ouvir explicações.
Pedro Passos Coelho
Lata
Pedro Passos Coelho
O ex-primeiro-ministro que pediu uma entrevista para se explicar e conseguiu, em vez disso, confirmar tudo o que já se dizia dele.
Numa entrevista, mostrou, segundo José Manuel dos Santos, não ter ideias à altura do nome nem princípios éticos firmes.
Há auto-retratos que valia mais a pena não ter pintado. Este saiu com todas as manchas à vista e sem ninguém a segurar o espelho.
O Farol · edição de sábado, 24 de outubro de 2026 · gerado às 07:43 · arquivo · PDF
Fotografias creditadas aos respectivos autores. Nenhuma fotografia de actualidade é gerada por IA — o retrato de José Leonelas é a ilustração de um colunista fictício.