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O Farol em Voz Luxo cai, crédito tech acende alarme, Europa em protesto 2 min 09 · subscrever
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Manchete
Financial Times

Luxo europeu perde 250 mil milhões de euros em valor de mercado

O arrefecimento da procura chinesa junta-se à correcção nas bolsas globais e penaliza um sector que vivia da expansão asiática

Os grupos de luxo europeus viram o seu valor de mercado cair cerca de 250 mil milhões de euros, segundo o Financial Times. A queda reflecte dois movimentos que se sobrepõem: o abrandamento da procura dos consumidores chineses, que durante uma década sustentou o crescimento do sector, e o arrefecimento generalizado dos mercados accionistas globais nas últimas semanas.

O timing não é acidental. A economia chinesa atravessa um período de consumo mais cauteloso, com famílias a adiar compras discricionárias num contexto de incerteza no imobiliário e no emprego. Para marcas que construíram grande parte da sua expansão de margem sobre o apetite da classe média alta chinesa, tanto dentro do país como em viagens pela Europa e pela Ásia, a travagem é directa e mede-se em receita.

A isto junta-se um segundo factor, mais lato: a correcção nas bolsas mundiais retirou liquidez e apetite de risco a sectores com múltiplos de avaliação elevados, como é tradicionalmente o caso do luxo. Quando os investidores reduzem exposição a activos caros, as acções que mais subiram em anos anteriores são também as que mais recuam. O efeito combinado, procura mais fraca e menor tolerância ao risco, explica a dimensão da perda de valor em tão pouco tempo.

Para o investidor com posições em bolsas europeias, a questão imediata é se este é um ajuste conjuntural, ligado ao ciclo chinês, ou o início de uma reavaliação estrutural de um modelo de negócio que assentou demasiado numa única geografia de crescimento. Os próximos resultados trimestrais das grandes casas de luxo serão o primeiro teste real a essa hipótese.

O que ainda não está claro é se Pequim vai reagir com estímulo ao consumo interno que inverta a tendência, nem até que ponto as marcas europeias conseguem compensar a quebra chinesa com outros mercados, dos Estados Unidos ao Médio Oriente. Sem esses dados, qualquer previsão sobre a duração da queda é prematura.

Opinião de um fanático
José Leonelas

Rui Borges já tirou pontos ao Sporting e isso não se esquece, anota-se. Vem para Alvalade com ar de quem conhece a casa por dentro, e eu já disse ao genro: esse homem tem ficha.

O genro, claro, riu-se e disse que o Sporting também já perdeu pontos sozinho, sem ajuda de ninguém. Deixei passar, que hoje é domingo e a minha mulher não gosta de gritaria antes do almoço.

Previsão: três a zero, com o Paulo Simão a marcar um e a estragar outro, porque poupança é poupança mas talento não se poupa. Se falhar, a culpa é do calendário, que esse sim devia jogar contra o Viseu.

Futebol
Liga Portugal — classificação à 9.ª jornada
# Clube J V E D GM GS DG P
1 Porto 9 9 0 0 21 4 +17 27
2 Benfica 8 6 1 1 24 7 +17 19
3 Sporting 8 5 3 0 20 9 +11 18
4 Santa Clara 8 5 3 0 12 4 +8 18
5 Arouca 9 5 2 2 12 7 +5 17

Traço à esquerda: lugar de prova europeia. Fonte: ESPN.

Record

Sporting recebe Viseu de Rui Borges para esquecer o LASK

Os leões tentam reagir à primeira derrota da época na Liga dos Campeões diante de um técnico que já lhes roubou pontos no passado

O Sporting recebe este domingo o Académico de Viseu, às 20h30, no Estádio José Alvalade, em jogo da 9.ª jornada da Liga Portugal. Os leões, terceiros classificados com 18 pontos, procuram reagir à derrota com o LASK Linz (2-3), a primeira da época, segundo o zerozero.

Do outro lado está Rui Borges, treinador do Académico de Viseu que, de acordo com o Record, já sabe o que é tirar pontos ao Sporting e cujo percurso até ao Viseu foi aberto pela saída de Bruno Pinheiro. É um adversário que conhece a casa por dentro.

A gestão do plantel continua a condicionar as escolhas de Rúben Amorim. O Record nota que o plano de poupanças para a Allianz Cup começou já diante do Portimonense, com jogadores como Zekri, Paulo Simão, Mauro Couto e Tanlongo a surgirem como opções para somar minutos na terça-feira, frente ao Marítimo.

Fora dos onzes principais, o Sporting continua a mandar na modalidade de futsal. A equipa orientada por Nuno Dias goleou o Sp. Braga em Minho, segundo o Record, e afasta-se na liderança da Liga Placard.

Na frente da Liga Portugal, o FC Porto manteve o registo de pleno ao vencer por 1-0 no terreno do Gil Vicente, resultado que o Público descreve como um triunfo sofrido depois de dois desaires seguidos na Liga dos Campeões. Os dragões somam nove vitórias em nove jogos e lideram com 27 pontos.

Em Barcelos, o técnico do Gil Vicente, Luís Pinto, destacou à SportTV a capacidade da sua equipa em sair por dentro da estrutura do FC Porto, apesar da derrota. Já o lateral Ricardo Esgaio foi homenageado pelos 250 jogos no campeonato, mas ouviu assobios dos adeptos do FC Porto, recordando o seu passado no Sporting, segundo o Record.

O Vitória de Guimaraes goleou o Marítimo por 5-0, com Jakupovic e Lucas Furtado em destaque, de acordo com o Record. A jornada fecha-se ainda com Rio Ave-Famalicão e Nacional-Sp. Braga, este último marcando o confronto entre dois clubes que mudaram recentemente de treinador.

F1 & Ténis
Motorsport

Antonelli surpreende com pole em Austin, Ferrari falha

O líder do campeonato tira o máximo da actualização da Mercedes, enquanto a Scuderia não passa de um quarto e quinto lugar depois de dominar os treinos livres

Kimi Antonelli garantiu a pole position para o Grande Prémio dos Estados Unidos, numa qualificação que surpreendeu pela ordem à frente. O piloto da Mercedes, líder do campeonato, considera o resultado a recompensa pelo trabalho da equipa em afinar a actualização trazida da Malásia, que até agora se tinha revelado difícil de explorar.

Max Verstappen e Isack Hadjar seguem-no na grelha, à frente de uma Ferrari que prometia mais. Charles Leclerc larga em quarto, Lewis Hamilton em quinto, depois de a Scuderia ter liderado as sessões de treinos livres de sexta e sábado. Hamilton atribuiu o défice à falta de velocidade nas rectas, insuficiente para converter o ritmo mostrado nos treinos em posições na grelha.

Leclerc admite que tanto ele como Hamilton já ultrapassaram, por vezes, a linha de agressividade entre companheiros de equipa, e definiu antes da corrida os limites a respeitar na primeira curva de Austin, onde ambos partem lado a lado.

George Russell, sexto classificado pela Mercedes, aproveitou a qualificação dececionante para pedir uma revisão regulamentar: os carros actuais, diz, são forçados a correr demasiado baixo e demasiado rígidos, um ponto que considera estar a penalizar o espectáculo e a fiabilidade.

Na Williams, Alexander Albon resumiu o fim de semana com frustração, falando em problemas estruturais que a equipa não consegue resolver a curto prazo. Na Racing Bulls, Liam Lawson optou por não sair para a pista na Q3, sacrificando a sua própria posição na grelha para poupar pneus e dar a Arvid Lindblad melhores condições de corrida, depois de o companheiro de equipa ter recebido uma penalização de grelha.

A Alpine viu-se obrigada a emitir um comunicado de apoio a Franco Colapinto depois de Jeremy Clarkson, convidado da Sky Sports F1 e apoiante da equipa este fim de semana, ter sugerido em comentário controverso que a penalização do piloto argentino se devia à sua nacionalidade.

Fora da categoria rainha, a britânica Alisha Palmowski sagrou-se campeã da F1 Academy de 2026 com três corridas de antecedência, depois de recuperar do oitavo para o segundo lugar na corrida de grelha invertida em Austin, vencida por Alba Larsen.

Mercados & Economia
Movimento da sessão por posiçãoSESSÃO (%)MEUD Amundi Stoxx Europe -0.29%IBCI iShares € Inflation -0.08%SPXS Invesco S&P 500-0.03%XEON Xtrackers €STR+0.02%VGEA Vanguard EUR Govt Bo+0.05%EMIM iShares MSCI EM IMI+0.40%TOTAL-0.04%
O Farol · movimento da sessão

Mercado começa a cobrar seguro contra o risco da IA

O custo de proteger dívida das grandes tecnológicas disparou em dois meses, enquanto as bolsas fecham no vermelho e os juros longos sobem nos EUA.

As bolsas fecharam a sessão em queda generalizada: o S&P 500 perdeu 0,52%, o Stoxx 600 recuou 0,31% e o DAX caiu 0,75%. Por trás do movimento está um sinal que vem do mercado de crédito, não das acções: o custo dos seguros contra incumprimento (credit default swaps) ligados às grandes tecnológicas atingiu máximos, segundo o Jornal de Negócios. O volume semanal destes contratos passou de menos de 2 mil milhões de dólares em Julho para mais de 9 mil milhões em Setembro, com a CoreWeave a concentrar as maiores preocupações.

O mecanismo é directo: as big tech financiam o capex gigantesco de centros de dados e chips de IA cada vez mais com dívida, não apenas com cash flow operacional. Quando os investidores começam a pagar mais para se protegerem contra o incumprimento dessa dívida, estão a dizer que o risco de que o retorno desse investimento não apareça a tempo de pagar os juros deixou de ser teórico.

Do lado das taxas, a yield do Tesouro norte-americano a 10 anos subiu 0,71%, o que significa preços mais baixos na obrigação: o mercado exige mais remuneração para financiar a dívida pública dos EUA a prazos longos. O dólar enfraqueceu 0,27% face ao euro, e tanto o Brent (-1,30%) como o ouro (-1,29%) recuaram, um sinal de que não há fuga clássica para activos refúgio, apesar da aversão ao risco em acções e crédito.

Em Portugal, o presidente da CIP, Armindo Monteiro, afastou a hipótese de o investimento privado crescer 10% para compensar a queda do investimento público com o fim do PRR, lembrando que a subida dos juros também limita o financiamento das empresas, de acordo com o Jornal de Negócios.

A carteira fechou o dia com uma variação de -0,04%, arrastada por MEUD e SPXS, enquanto EMIM subiu 0,40%. O desvio mais acentuado continua em VGEA, 8,8 pontos percentuais abaixo do peso-alvo de 28%. Com as yields longas a subir, a dívida soberana em euro fica a entrar mais barata para quem ainda tem esse reforço por fazer.

Tecnologia
TechCrunch

OpenAI inverte domínio da Anthropic em código empresarial

Corte de preços da OpenAI está a deslocar a quota de mercado de agentes de codificação dentro de empresas que antes dependiam quase por completo da Anthropic

A Rippling, fornecedora de software de recursos humanos, oferece um caso concreto de como a guerra de preços entre OpenAI e Anthropic está a alterar decisões de compra dentro de equipas de engenharia. Segundo o The Information, em Maio os modelos da Anthropic processavam 57% do trabalho de codificação de centenas de engenheiros da empresa, contra 16% da OpenAI.

A situação inverteu-se desde então: os modelos da OpenAI passaram a cobrir 52% desse trabalho, de acordo com a mesma fonte. A mudança não resulta de um salto de capacidade anunciado publicamente, mas de uma estratégia de preços agressiva por parte da OpenAI, que tem vindo a comprimir margens para ganhar quota em cargas de trabalho de produção.

Para equipas de engenharia que correm agentes de codificação a escala, o custo por token deixou de ser uma variável secundária e passou a pesar directamente na escolha do fornecedor de modelo. Quando dois modelos competem num patamar semelhante de qualidade percebida para tarefas de código, a diferença de preço decide o roteamento do tráfego, sobretudo em organizações que já construíram camadas de abstracção capazes de trocar de modelo sem reescrever a aplicação.

O episódio ilustra uma dinâmica mais ampla: a margem elevada da Anthropic, construída sobre a reputação dos modelos Claude em tarefas de engenharia, funciona simultaneamente como vantagem de marca e como vulnerabilidade comercial. Qualquer concorrente dispensado a sacrificar margem no curto prazo consegue, como mostra o caso Rippling, deslocar volume real de produção em poucos meses.

Para quem gere infra-estrutura de IA em ambiente empresarial, a lição prática é que contratos e integrações com fornecedores de modelos devem assumir volatilidade de preços e desempenho relativo como norma, não excepção. A arquitectura que sobrevive a este ciclo é a que trata o modelo subjacente como componente substituível, não como dependência fixa.

Portugal & Espanha
Expresso

PSP desmonta acampadas da habitação em Lisboa e Porto

A dispersão com bastonadas coincide com um fim de semana de protestos pela habitação em Espanha e França

A PSP avançou de madrugada sobre as acampadas pelo direito à habitação no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, dispersando os manifestantes em poucos minutos, segundo o Expresso. Houve detenções e imagens mostram agentes a arrastar pessoas e a usar bastonadas, depois de vários avisos ao longo da noite.

O episódio surge na mesma altura em que Barcelona registou confrontos entre jovens e autoridades à margem de uma acampada semelhante, com tentativas de saque a lojas no centro da cidade, segundo o Expresso.

Em Espanha, a mobilização em torno da habitação ganha outra frente: Valeria Racu, porta-voz da Confederación de Sindicatos de Inquilinas, apela à participação na greve de 11 de Novembro, acusando os sucessivos governos de terem "promovido o rentismo", de acordo com o El País.

O tema entra também na campanha para as legislativas de 29 de Novembro. Pedro Sánchez disse ao El País que um executivo do PP com o Vox representaria "recuar 50 anos", numa entrevista em que assumiu como maior erro não ter detectado antes o caso Ábalos.

Europa & EUA
The Guardian

Protestos espalham-se por França e chegam a mais quatro países

Quase mil detenções em Paris, buscas domiciliárias em Milão e manifestações também em Espanha, Albânia e Bélgica.

Centenas de milhares de pessoas saíram às ruas de cidades francesas no sábado, em manifestações que juntaram apoiantes das reivindicações estudantis sobre escolas a protestos contra métodos policiais, segundo o The Guardian.

A polícia fez cerca de mil detenções em todo o país. Em Paris, agentes cercaram parte da multidão, e gás lacrimogéneo foi usado para impedir manifestantes de chegar a centros de outras cidades, de acordo com a mesma fonte.

O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, instruiu as forças policiais a serem "intransigentes" com eventuais desordeiros, segundo o Politico.

O movimento ultrapassou fronteiras: a polícia italiana fez buscas domiciliárias em Milão e houve manifestações em Espanha, Albânia e Bélgica, reportou o The Guardian, que descreveu um dia de mobilização simultânea em vários pontos da Europa.

O Vigia · as quatro medalhas do dia
As quatro medalhas do diaOUROPRATABRONZELATA
Kimi Antonelli
Ouro
Kimi Antonelli
O jovem que herdou o lugar de Hamilton na Mercedes e agora lhe rouba também os holofotes em pista.
Conquistou a pole position em Austin ao explorar finalmente a actualização trazida da Malásia.
Enquanto a Ferrari liderava os treinos e falhava na hora que conta, Antonelli mostrou que saber afinar o carro vale mais do que ser rápido na sexta-feira.
Prata
OpenAI
A empresa que decidiu vencer a Anthropic em código empresarial vendendo mais barato do que custa.
Subiu de 16% para 52% da quota de codificação na Rippling em poucos meses, segundo o The Information.
A guerra de preços está a funcionar como conquista de mercado. A factura das margens apertadas chega depois, como sempre.
Bronze
CoreWeave
Fornecedora de infraestrutura de IA que virou o nome favorito nos pesadelos dos investidores de crédito.
Concentra as maiores preocupações no disparo dos CDS sobre dívida tecnológica, de 2 mil milhões para 9 mil milhões de dólares semanais entre Julho e Setembro.
Ser o centro das atenções do mercado de seguros contra incumprimento não é o protagonismo que uma empresa de capex pesado costuma desejar.
Laurent Nuñez
Lata
Laurent Nuñez
Ministro do Interior francês que acha que mandar a polícia ser "intransigente" resolve o que a rua já não aceita.
Instruiu as forças a serem intransigentes com desordeiros horas antes de os protestos se espalharem a Itália, Espanha, Albânia e Bélgica.
Quase mil detenções em Paris e o movimento continuou a crescer fronteira fora. A intransigência, pelo menos esta, não escalou nada bem.
O Farol · edição de domingo, 25 de outubro de 2026 · gerado às 06:59 · arquivo · PDF
Fotografias creditadas aos respectivos autores. Nenhuma fotografia de actualidade é gerada por IA — o retrato de José Leonelas é a ilustração de um colunista fictício.