
Luxo europeu perde 250 mil milhões de euros em valor de mercado
O arrefecimento da procura chinesa junta-se à correcção nas bolsas globais e penaliza um sector que vivia da expansão asiática
Os grupos de luxo europeus viram o seu valor de mercado cair cerca de 250 mil milhões de euros, segundo o Financial Times. A queda reflecte dois movimentos que se sobrepõem: o abrandamento da procura dos consumidores chineses, que durante uma década sustentou o crescimento do sector, e o arrefecimento generalizado dos mercados accionistas globais nas últimas semanas.
O timing não é acidental. A economia chinesa atravessa um período de consumo mais cauteloso, com famílias a adiar compras discricionárias num contexto de incerteza no imobiliário e no emprego. Para marcas que construíram grande parte da sua expansão de margem sobre o apetite da classe média alta chinesa, tanto dentro do país como em viagens pela Europa e pela Ásia, a travagem é directa e mede-se em receita.
A isto junta-se um segundo factor, mais lato: a correcção nas bolsas mundiais retirou liquidez e apetite de risco a sectores com múltiplos de avaliação elevados, como é tradicionalmente o caso do luxo. Quando os investidores reduzem exposição a activos caros, as acções que mais subiram em anos anteriores são também as que mais recuam. O efeito combinado, procura mais fraca e menor tolerância ao risco, explica a dimensão da perda de valor em tão pouco tempo.
Para o investidor com posições em bolsas europeias, a questão imediata é se este é um ajuste conjuntural, ligado ao ciclo chinês, ou o início de uma reavaliação estrutural de um modelo de negócio que assentou demasiado numa única geografia de crescimento. Os próximos resultados trimestrais das grandes casas de luxo serão o primeiro teste real a essa hipótese.
O que ainda não está claro é se Pequim vai reagir com estímulo ao consumo interno que inverta a tendência, nem até que ponto as marcas europeias conseguem compensar a quebra chinesa com outros mercados, dos Estados Unidos ao Médio Oriente. Sem esses dados, qualquer previsão sobre a duração da queda é prematura.
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