
Lula vence quarta vez e mercados tremem no Brasil
Flávio Bolsonaro recusa-se a aceitar a derrota horas depois do resultado, enquanto futuros cambiais e ETFs ligados à bolsa brasileira caem na sessão asiática
Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito para um quarto mandato não consecutivo como presidente do Brasil, derrotando o senador de extrema-direita Flávio Bolsonaro na segunda volta, segundo o The Guardian. O jornal britânico classifica o resultado como histórico, num país onde a polarização política marcou toda a campanha.
Horas depois de confirmado o resultado, Bolsonaro disse ser "impossível conceder" a derrota, de acordo com o The Guardian, que acompanha a reacção em directo. A recusa reabre a questão de saber se o processo eleitoral brasileiro vai enfrentar contestação formal, à semelhança do que aconteceu noutros ciclos eleitorais recentes no país.
A reacção dos mercados foi imediata. Segundo o Wall Street Journal, o desfecho surpreendeu investidores e já está a penalizar activos brasileiros: futuros cambiais do real e fundos negociados em bolsa (ETFs) que seguem acções locais caíram na sessão asiática desta madrugada. O jornal descreve o resultado como susceptível de "martelar" tanto a moeda como as bolsas brasileiras nos próximos dias.
O timing da eleição coincide com um momento delicado para os mercados emergentes, sensíveis a sinais de instabilidade política em economias com peso relevante nas carteiras internacionais. Um quarto mandato de Lula implica continuidade de uma agenda económica já conhecida dos investidores, mas a contestação de Bolsonaro introduz um factor de incerteza que os mercados tendem a penalizar de forma desproporcionada face ao risco real.
O que ainda não está claro é até onde irá a contestação de Bolsonaro, se existe margem legal para recurso e qual será a reacção da bolsa de São Paulo quando abrir. Também por confirmar fica o impacto concreto sobre o câmbio do real nas próximas sessões e se a volatilidade inicial se dissipa ou se consolida como tendência.
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