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O Farol em Voz Lula vence, mercados tremem, Sporting afunda 2 min 13 · subscrever
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The Guardian

Lula vence quarta vez e mercados tremem no Brasil

Flávio Bolsonaro recusa-se a aceitar a derrota horas depois do resultado, enquanto futuros cambiais e ETFs ligados à bolsa brasileira caem na sessão asiática

Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito para um quarto mandato não consecutivo como presidente do Brasil, derrotando o senador de extrema-direita Flávio Bolsonaro na segunda volta, segundo o The Guardian. O jornal britânico classifica o resultado como histórico, num país onde a polarização política marcou toda a campanha.

Horas depois de confirmado o resultado, Bolsonaro disse ser "impossível conceder" a derrota, de acordo com o The Guardian, que acompanha a reacção em directo. A recusa reabre a questão de saber se o processo eleitoral brasileiro vai enfrentar contestação formal, à semelhança do que aconteceu noutros ciclos eleitorais recentes no país.

A reacção dos mercados foi imediata. Segundo o Wall Street Journal, o desfecho surpreendeu investidores e já está a penalizar activos brasileiros: futuros cambiais do real e fundos negociados em bolsa (ETFs) que seguem acções locais caíram na sessão asiática desta madrugada. O jornal descreve o resultado como susceptível de "martelar" tanto a moeda como as bolsas brasileiras nos próximos dias.

O timing da eleição coincide com um momento delicado para os mercados emergentes, sensíveis a sinais de instabilidade política em economias com peso relevante nas carteiras internacionais. Um quarto mandato de Lula implica continuidade de uma agenda económica já conhecida dos investidores, mas a contestação de Bolsonaro introduz um factor de incerteza que os mercados tendem a penalizar de forma desproporcionada face ao risco real.

O que ainda não está claro é até onde irá a contestação de Bolsonaro, se existe margem legal para recurso e qual será a reacção da bolsa de São Paulo quando abrir. Também por confirmar fica o impacto concreto sobre o câmbio do real nas próximas sessões e se a volatilidade inicial se dissipa ou se consolida como tendência.

Opinião de um fanático
José Leonelas

Lenços brancos, disse o treinador, mau era se não houvesse insatisfação. Pois disse eu ao genro, ao telefone, que satisfação nenhuma havia em perder com o Viseu, e ele calado, a saborear, que é benfiquista e tem a cortesia de não festejar à minha frente, mas eu via-lhe os dentes.

Não sou de assobiar, mas assobiei, baixinho, para o Suárez não ouvir, que o homem igualou o Peyroteo e mereceu aplausos, não a vergonha de levar dois do João Guilherme. Rui Borges que fique descansado, eu não peço a cabeça dele, só peço pontos, que é bem menos.

Nove de distância para o FC Porto, dizem que só em 2012/13 se viu pior. Ora eu em 2012/13 tinha cabelo e paciência, hoje não tenho nem uma coisa nem outra, e ao menos nisso o Sporting acompanha-me.

Futebol
Liga Portugal — classificação à 9.ª jornada
# Clube J V E D GM GS DG P
1 Porto 9 9 0 0 21 4 +17 27
2 Benfica 8 6 1 1 24 7 +17 19
3 Sporting 9 5 3 1 21 11 +10 18
4 Santa Clara 8 5 3 0 12 4 +8 18
5 Arouca 9 5 2 2 12 7 +5 17

Traço à esquerda: lugar de prova europeia. Fonte: ESPN.

Record

Sporting perde com Viseu e cai a nove pontos

Derrota em Alvalade frente ao Académico de Viseu agrava a crise e pode ditar uma reunião sobre o futuro de Rui Borges.

O Sporting perdeu em casa por 1-2 com o Académico de Viseu, na nona jornada da Liga Portugal, e caiu para os nove pontos de distância do líder FC Porto, que soma 27 em nove jogos. É a maior desvantagem dos leões para o topo da tabela em anos recentes, segundo o Record, que recorda a temporada de 2012/13 como o único precedente comparável.

João Guilherme, avançado dos visitantes, bisou e foi a grande figura da partida, de acordo com o Público. O Sporting ainda respondeu pelo colombiano Luis Suárez, que faturou e, segundo o Zerozero, igualou um registo histórico associado a Fernando Peyroteo, mas não evitou a primeira derrota da equipa esta época no campeonato.

Rui Borges reconheceu a insatisfação da claque após o apito final. "Lenços brancos? Mau era se não houvesse insatisfação", disse o treinador à SportTV, citado pelo Zerozero. O Record avança que as próximas horas podem ditar uma reunião sobre o futuro do técnico, fragilizado pelo resultado, ainda que tenha garantido que comandará o treino desta manhã.

Do lado contrário, Bruno Pinheiro não poupou elogios aos seus jogadores. "Nunca poderíamos vir aqui dominar o jogo, mas merecemos a vitória pelo que fizemos", afirmou o treinador do Académico de Viseu, segundo o Zerozero.

A jornada 9 da Liga Portugal fecha esta segunda-feira com a receção do Santa Clara ao Benfica, em Ponta Delgada. Os açorianos somam 18 pontos, tal como o próprio Sporting, enquanto o Benfica, com 19, tenta aproximar-se do FC Porto, isolado na frente com três vitórias de vantagem sobre o segundo classificado.

Em Espanha, o Real Madrid venceu o Barcelona e reduziu para três pontos a desvantagem na liderança da La Liga. Foi a primeira derrota caseira dos catalães esta temporada, segundo o Público, que descreveu um jogo em que "a vertigem venceu o controlo".

F1 & Ténis
Motorsport

Antonelli domina em Austin e aproxima-se do título

O piloto da Mercedes venceu da pole position e deixou Red Bull e McLaren a lidar com problemas técnicos e de comunicação

Kimi Antonelli venceu o Grande Prémio dos Estados Unidos a partir da pole position, batendo Charles Leclerc e somando a nona vitória da época, segundo a Motorsport.com. O resultado aproxima o piloto da Mercedes do título de pilotos, que lidera com folga quando faltam poucas corridas para o fim da temporada.

Toto Wolff, chefe de equipa da Mercedes, classificou a prova em Austin como a melhor corrida de Antonelli até à data, destacando a forma tranquila como o jovem piloto geriu a pressão da liderança do campeonato, de acordo com a Formula1.com.

A Red Bull viveu um fim de semana de contratempos. Max Verstappen terminou em terceiro e queixou-se de problemas repetidos de rádio, que classificou como 'um desastre', chegando a sugerir, em tom de troça, que a equipa passasse a comunicar por sinais. Isack Hadjar caiu de terceiro para fora do pódio devido a dificuldades na embraiagem no arranque. O director de equipa, Laurent Mekies, admitiu à Motorsport.com que o problema não ficará totalmente resolvido antes de 2027.

Lewis Hamilton terminou em quarto e apontou o equilíbrio do carro como o seu 'maior problema' na corrida. Leclerc, segundo classificado, mostrou-se optimista quanto ao desempenho da Ferrari nas próximas rondas.

Lando Norris foi quinto e reconheceu que é 'bastante óbvio' que a McLaren deixou de liderar o campeonato de construtores para passar a ser a quarta equipa mais rápida da grelha, atrás de Mercedes, Ferrari e Red Bull.

George Russell, companheiro de equipa de Antonelli, admitiu um ritmo 'lixo' durante toda a corrida, terminando a quase um minuto do vencedor sem conseguir explicar a diferença, segundo a Sky Sports.

Mercados & Economia
Movimento da sessão por posiçãoSESSÃO (%)MEUD Amundi Stoxx Europe -0.29%IBCI iShares € Inflation -0.08%SPXS Invesco S&P 500-0.03%XEON Xtrackers €STR+0.02%VGEA Vanguard EUR Govt Bo+0.05%EMIM iShares MSCI EM IMI+0.40%TOTAL-0.04%
O Farol · movimento da sessão

Brent cai quase 6%, mas juros dos EUA sobem mesmo assim

A queda das matérias-primas não travou a subida dos yields longos, sinal de que o mercado olha para outra coisa além da inflação importada

O movimento mais vistoso da sessão não veio das bolsas, veio do petróleo. O Brent recuou 5,96%, o maior tombo do dia em qualquer classe de activo seguida nesta carteira. Uma descida desta magnitude devia, em teoria, aliviar as expectativas de inflação e puxar os juros para baixo, porque menos custo energético significa menos pressão sobre os preços no consumidor nos próximos meses.

Não foi isso que aconteceu. A yield do Tesouro dos EUA a 10 anos subiu 0,71%, um sinal de que o mercado obrigacionista está a reagir a outra coisa que não o preço da energia, seja apetite por risco, seja pressão do lado da oferta de dívida pública. Quando os dois mercados divergem desta forma, vale a pena desconfiar de qualquer leitura simples do tipo 'inflação mais baixa, juros mais baixos': a parte longa da curva tem motivações próprias.

As bolsas fecharam no vermelho em bloco: o S&P 500 caiu 0,52%, o Stoxx 600 perdeu 0,31%, o DAX cedeu 0,75% e o Nikkei recuou 0,31%. O caso da Audi ilustra bem a pressão sobre a indústria europeia: a marca vai investir 4 mil milhões de dólares numa fábrica de SUV nos EUA, criando 4 500 postos de trabalho ali, precisamente para escapar às tarifas impostas por Washington, segundo o Guardian. O preço dessa fuga é pago em casa, com cortes de emprego na Europa, e ajuda a explicar por que o DAX foi o índice mais penalizado do dia.

O ouro subiu 0,46%, comportamento típico de dia de aversão ao risco, e o euro manteve-se praticamente parado frente ao dólar, com uma variação de apenas 0,02%. No plano institucional, o BCE deu voz a Frank Elderson, que defendeu o investimento em resiliência climática como condição de estabilidade económica, um lembrete de que a agenda do banco central já não se resume à política de taxas.

A carteira fechou o dia com uma perda marginal de 0,04%, puxada sobretudo pela componente europeia MEUD, que caiu 0,29% em linha com o DAX e o Stoxx 600, e por SPXS, que acompanhou a ligeira queda do S&P 500. EMIM destacou-se pela positiva, com 0,40%. VGEA, a dívida soberana em euros, subiu 0,05%, um comportamento que não acompanha a subida dos yields americanos, lembrete de que a área euro nem sempre segue o mesmo guião que os EUA. É precisamente VGEA, com um desvio de 8,8 pontos percentuais abaixo do peso-alvo de 28%, que concentra a maior subponderação da carteira. Num dia em que os juros voltaram a mexer-se de forma pouco previsível, esse lastro de duração é o que mais falta ao conjunto.

Fontes: The Guardian, BCE
Tecnologia
TechCrunch

Economista da Apollo questiona retorno da IA nas empresas

Fora do sector tecnológico, o investimento massivo em IA ainda não se traduziu em resultados financeiros, segundo a Apollo Global Management.

A inteligência artificial não produziu, até agora, qualquer retorno financeiro mensurável para a maioria das empresas norte-americanas fora do sector tecnológico. A conclusão é de um economista da Apollo Global Management, citado pela TechCrunch, que descreve como 'zero financial payoff' o resultado de investimentos avultados feitos ao abrigo da promessa de ganhos de produtividade generalizados.

O diagnóstico surge no mesmo momento em que o custo de construir capacidade para suportar essa mesma IA atinge níveis que já geram novos produtos financeiros. Segundo a The Information, as penalizações por atraso na entrega de centros de dados chegam hoje a cinco milhões de dólares por dia ou mais, um valor que levou a corretora de seguros Marsh a desenhar apólices específicas para proteger promotores destes projectos. Mike Mathews, responsável pela prática global de infraestrutura digital da Marsh, montou esta primavera uma política para cobrir um promotor exposto a uma multa de um milhão de dólares diários, exigida por um cliente caso a electricidade e as instalações não estivessem prontas no prazo contratado.

A tensão entre o capital investido em infraestrutura e a ausência de retorno reportado nas empresas utilizadoras chega à medida que a Anthropic se prepara para um momento decisivo. Segundo a The Information, a empresa pode tornar pública a documentação para a sua oferta pública inicial já na próxima segunda-feira, num processo que deverá expor pela primeira vez números detalhados sobre a evolução recente do seu crescimento.

Para quem decide orçamentos de tecnologia, o quadro que emerge é de dois mercados a velocidades diferentes: o da construção de capacidade, onde o dinheiro corre com penalizações contratuais severas, e o da adopção efectiva por parte de clientes empresariais, onde a prova de valor continua, segundo este relatório, por fazer.

Portugal & Espanha
El País

Pensões privadas estagnam em Espanha apesar do alarme demográfico

País Vasco, Suécia e Reino Unido mostram como transformar o aviso sobre a sustentabilidade do sistema público em poupança real para os trabalhadores

O debate sobre a sustentabilidade do sistema público de pensões em Espanha intensifica-se há anos, mas a resposta na poupança complementar não acompanha o discurso. Segundo o El País, os planos privados continuam com adesão reduzida, longe de se tornarem um pilar efectivo para a reforma dos trabalhadores espanhóis.

O jornal aponta três exemplos de fórmulas que funcionam: o sistema do País Vasco, o modelo sueco e o britânico. Nos três casos, a poupança complementar chega a praticamente toda a força de trabalho, através de mecanismos que tornam a adesão quase automática em vez de depender da iniciativa individual de cada trabalhador.

A diferença entre o discurso e a prática tem consequências directas em Portugal e Espanha, onde o envelhecimento da população pressiona os sistemas públicos de pensões num horizonte que os dois países partilham. Sem instrumentos que facilitem a adesão em massa, o aviso sobre a sustentabilidade do sistema público corre o risco de ficar apenas no plano retórico, sem tradução em poupança efectiva para quem está a trabalhar hoje.

Fontes: El País
Europa & EUA
The Guardian

Vučić perde eleições na Sérvia após protestos estudantis

Bruxelas já disse ao novo governo de Belgrado que a porta da União Europeia está aberta

Aleksandar Vučić, no poder há 12 anos, admitiu a derrota nas eleições legislativas sérvias de domingo, segundo o The Guardian. A votação, marcada por uma participação recorde, foi provocada por meses de protestos liderados por estudantes contra o governo do Partido Progressista Sérvio.

O movimento Student List deverá eleger 141 deputados, bem acima dos 126 necessários para maioria absoluta no parlamento de 250 lugares, de acordo com projecções citadas pelo jornal britânico. A transição assinala o fim de mais de uma década de liderança cada vez mais autoritária de Vučić.

Segundo o Guardian, responsáveis europeus disseram ao novo governo sérvio que "a porta para a União Europeia está aberta", numa referência ao processo de adesão de Belgrado, parado há anos por falta de reformas e pela proximidade de Vučić a Moscovo.

O desfecho surge na mesma semana em que o Kremlin e Washington preparam, segundo Volodymyr Zelensky, uma reunião trilateral com a Ucrânia em Novembro para tentar reatar negociações de paz suspensas.

O Vigia · as quatro medalhas do dia
As quatro medalhas do diaOUROPRATABRONZELATA
Luiz Inácio Lula da Silva
Ouro
Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-operário, ex-presidiário, agora tetracampeão da coisa mais difícil em política: voltar depois de todos o darem por acabado.
Venceu a segunda volta e garantiu um quarto mandato não consecutivo, segundo o Guardian.
Numa campanha polarizada, o eleitorado brasileiro preferiu o diabo que já conhece ao filho do outro diabo.
Aleksandar Vučić
Prata
Aleksandar Vučić
Doze anos a gerir a Sérvia como negócio de família, até os estudantes decidirem fechar a loja.
Admitiu a derrota depois de o Student List garantir maioria absoluta no parlamento, segundo o Guardian.
Perder com alguma dignidade ao fim de uma década de autoritarismo é fasquia baixa, mas é mais do que costuma fazer quem está sentado naquela cadeira.
Rui Borges
Bronze
Rui Borges
O treinador que agora tem de explicar lenços brancos em Alvalade sem perder o emprego antes do intervalo seguinte.
Viu o Sporting perder em casa com o Académico de Viseu e cair a nove pontos do líder FC Porto.
"Mau era se não houvesse insatisfação", disse ele à SportTV. Vai precisar de mais do que filosofia para convencer a claque disso.
Flávio Bolsonaro
Lata
Flávio Bolsonaro
Senador que achou que perder a presidência do Brasil era um pormenor ainda em aberto.
Recusou-se a aceitar a derrota horas depois do resultado confirmado, dizendo ser "impossível conceder", segundo o Guardian.
Negar a aritmética eleitoral não muda os votos, só garante um lugar na fila dos que já tentaram isso e sabemos como acabou.
O Farol · edição de segunda-feira, 26 de outubro de 2026 · gerado às 07:02 · arquivo · PDF
Fotografias creditadas aos respectivos autores. Nenhuma fotografia de actualidade é gerada por IA — o retrato de José Leonelas é a ilustração de um colunista fictício.