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Manchete
Financial Times

Washington aperta cerco ao petróleo iraniano e Pequim retalia

A escalada de sanções norte-americanas contra quem compra crude do Irão coloca a China no centro de uma crise com ramificações directas nos mercados de energia e nas cadeias de abastecimento globais.

Os Estados Unidos intensificaram a pressão sobre a China para que corte as importações de petróleo iraniano, ameaçando sanções secundárias contra empresas e instituições financeiras chinesas que mantenham negócios com Teerão. Pequim respondeu que tomará 'todas as medidas necessárias' para proteger os seus interesses, segundo o Guardian e o Financial Times.

A tensão não é nova, mas a conjuntura agrava o seu peso: filas de automóveis formam-se em Teerão à espera de combustível, com responsáveis iranianos a admitir escassez provocada pelo bloqueio norte-americano e pela inflação interna, de acordo com o Financial Times. O Irão depende das exportações de crude para financiar o Estado, e a China é o seu principal comprador.

Para os mercados, o cenário tem duas leituras em simultâneo. Uma restrição efectiva ao petróleo iraniano - que representa uma fatia relevante da oferta global - tende a pressionar os preços em alta. Mas uma retaliação chinesa que envolva tarifas ou restrições a exportações de componentes críticos para os EUA acrescenta uma camada de risco sobre a já frágil arquitectura do comércio transatlântico, da qual Portugal e Espanha não estão imunes.

O momento político também pesa. Segundo o Guardian, a administração Trump enfrenta eleições intercalares e tem usado a pressão sobre o Irão como sinal de força para o eleitorado interno. Pequim, por seu lado, não pode ceder sem custo político próprio: qualquer recuo seria lido internamente como capitulação.

O que continua em aberto é se as ameaças de sanções se materializam em medidas concretas ou se funcionam como moeda de troca numa negociação mais ampla. Não se sabe até onde Pequim está disposta a ir na retaliação, nem se outros compradores de petróleo iraniano - como a Índia - serão igualmente visados por Washington. A resposta a essas perguntas vai definir o preço do barril nas próximas semanas.

Futebol

Altimira cresce, Suárez cobiçado e leão pede paciência

A vitória sobre o Alverca aproximou o Sporting da liderança, mas o mercado continua a agitar Alvalade: Luis Suárez interessa ao Nottingham Forest e Hjulmand já tem substituto à vista.

O Sporting bateu o Alverca e ficou mais perto do topo da Liga Portugal, mas o Record sublinha que a nova era do clube «requer tempo e paciência», com foco em crescer com solidez e não apenas em acumular pontos. A vitória foi positiva; a exibição, segundo o mesmo jornal, ainda deixa margem para exigir mais.

No meio-campo, a saída de Hjulmand tem sido amortecida por Altimira. O médio espanhol, ex-Betis, tem somado minutos e elogios do treinador Rui Borges, segundo o Record. Não é o internacional dinamarquês, mas tem cumprido o que lhe é pedido.

Menos tranquilo é o futuro de Luis Suárez. Segundo o Record, fontes francesas colocam o avançado do Sporting na rota do Nottingham Forest. O ponta-de-lança tem sido um dos nomes mais procurados neste mercado de verão, e a pressão sobre Alvalade para o manter aumenta a cada semana.

Na La Liga, José Mourinho antecipou o regresso ao Santiago Bernabéu à frente do Real Sociedad. Em conferência de imprensa, o treinador português afirmou, segundo o Record, que «se me dessem um pontapé no início do jogo, provavelmente levaria vermelho um minuto depois». Declarações que misturam humor e aviso.

No mercado europeu, o Record confirma que Savinho assinou pelo Tottenham numa transferência que pode atingir os 100 milhões de euros. O extremo brasileiro deixa o Manchester City e muda-se para Londres numa das operações mais avultadas do verão.

F1 & Ténis

Norris domina Zandvoort e relança campeonato

Duas vitórias consecutivas em Budapeste e na Holanda aproximam o campeão do mundo de uma nova luta pelo título, enquanto Verstappen sai de cena logo na primeira volta.

Lando Norris ganhou o Grande Prémio da Holanda a partir da pole position, mas o resultado não conta a história completa. Para garantir a vitória, o piloto da McLaren teve de alcançar e ultrapassar Kimi Antonelli em pista - um pormenor que Andrea Stella, director da equipa, usou para justificar a afirmação de que Norris está 'a conduzir ao nível de um campeão do mundo', segundo a Formula 1.

A corrida ficou marcada pelo acidente de Max Verstappen na primeira volta, em condições de piso húmido. O ex-campeão Nico Rosberg considerou, de acordo com a Motorsport, que o piloto da Red Bull 'teve sorte' por não ter desencadeado um acidente múltiplo. A saída precoce de Verstappen abriu espaço a Norris, que acumula agora vitórias consecutivas depois de Budapeste.

George Russell reconheceu que Norris 'sempre foi um especialista' em circuitos com curvas longas e desgaste elevado de pneus, citado pela Motorsport. Zandvoort e o Hungaroring partilham exactamente esse perfil, o que explica a vantagem estrutural da McLaren nas últimas duas rondas.

Mais atrás, Fernando Alonso chegou ao nono lugar com uma estratégia singular que a Formula 1 descreveu como 'única' - suficiente para garantir dois pontos à Aston Martin numa tarde em que o carro não tinha ritmo de ataque às posições de pontos directas. Pierre Gasly marcou pontos para a Alpine num A526 actualizado, enquanto o seu companheiro Franco Colapinto foi penalizado com um drive-through por ultrapassagem sob bandeira amarela, penalidade que o argentino considerou 'severa'. A FIA, segundo a Motorsport, estuda opções legais face aos ataques online dirigidos aos comissários que aplicaram a sanção.

Na Ferrari, a novidade técnica de Zandvoort centrou-se no fundo do SF-26, com alterações que a equipa descreve como de custo reduzido. Com o tecto orçamental a pesar cada decisão de desenvolvimento na segunda metade da época, a Scuderia aposta em actualizações de alto rácio desempenho-custo, segundo a Formula 1.

No capítulo do mercado de pilotos, Yuki Tsunoda terminou em 11.º lugar na sua aparição pontual pela Racing Bulls, o suficiente para, de acordo com a Formula 1, 'voltar ao radar da paddock' numa altura em que o seu futuro na categoria permanece indefinido.

Mercados & Economia
Movimento da sessão por posiçãoSESSÃO (%)EMIM iShares MSCI EM IMI-0.18%XEON Xtrackers €STR+0.00%IBCI iShares € Inflation +0.06%SPXS Invesco S&P 500+0.23%VGEA Vanguard EUR Govt Bo+0.26%MEUD Amundi Stoxx Europe +0.43%TOTAL+0.22%
O Farol · gráfico próprio

Ouro a três meses de máximo enquanto Treasuries perdem terreno

A pressão inflacionista nos EUA e a desconfiança crescente no mercado de dívida soberana americana empurram o ouro para quase 4 700 dólares por onça e complicam a estratégia de Bessent.

O ouro atingiu esta terça-feira o nível mais alto em três meses, com o metal a tocar quase 4 700 dólares por onça, segundo o The Guardian. O movimento acontece num dia em que o rendimento do Tesouro americano a dez anos caiu 0,85% - não por alívio de risco, mas porque a procura de refúgio se deslocou para o ouro e não para a dívida soberana dos EUA, sinal de erosão do estatuto de porto seguro.

A causa de fundo é conhecida: a administração Trump anunciou tarifas de 50% sobre automóveis, camiões e aço canadianos, segundo o The Guardian, alimentando expectativas de inflação importada. Uma leitura de inflação mais alta empurra a parte longa da curva de rendimentos para cima - os investidores exigem um prémio maior para segurar dívida de longa duração -, o que por sua vez deprecia os títulos existentes e torna o ouro mais atraente como cobertura.

O antigo mentor do secretário do Tesouro, o investidor Stanley Druckenmiller, avisou que Bessent 'vai perder' a batalha com os mercados obrigacionistas se não cortar o défice orçamental em vez de tentar suprimir os yields pela compra de Treasuries, de acordo com o The Guardian. A União Europeia, entretanto, registou o primeiro défice comercial trimestral desde 2023, pressionada pelos preços da energia derivados do conflito no Irão, segundo o Jornal de Negócios.

A Fitch alertou que as razões para novas subidas de rating de Portugal, Grécia e Chipre 'estão a diminuir', com ênfase na sustentabilidade dos excedentes primários, de acordo com o Jornal de Negócios - um aviso relevante para quem acompanha dívida soberana da zona euro.

Na carteira, o dia fechou com +0,22%, puxado pelo MEUD (+0,43%) e pelo VGEA (+0,26%), que beneficiou da queda dos yields europeus - a Euribor a seis e doze meses desceu, segundo o Jornal de Negócios. O EMIM foi o único travão, com -0,18%, penalizado pela incerteza comercial entre os EUA e a China, que ameaçou tomar 'as medidas necessárias' face às pressões de Washington, de acordo com o Jornal de Negócios. O MEUD está 9,2 pontos percentuais acima do alvo, enquanto o VGEA permanece o sleeve mais subponderado, com um desvio de -10,0 pontos percentuais. Num ambiente em que a dívida soberana europeia de longa duração está a beneficiar da fuga ao risco americano, o plano aponta para que o próximo reforço olhe primeiro para essa posição.

Tecnologia
TechCrunch

Keenable levanta 26 milhões para indexar a web para agentes

A startup apoiada pela Accel sai do modo stealth com um índice de pesquisa desenhado especificamente para o padrão de consumo de informação dos agentes de IA, não dos humanos.

A Keenable anunciou esta semana uma ronda seed de 26 milhões de dólares liderada pela Accel, saindo do modo stealth com um produto que indexa a web para agentes de IA. A distinção em relação ao Google ou ao Bing não é cosmética: os motores de pesquisa tradicionais optimizam para apresentação de resultados a utilizadores humanos; a Keenable optimiza para o padrão de chamadas que um agente faz quando precisa de contexto externo em tempo real, segundo o TechCrunch.

A aposta tem consequências arquitectónicas directas. Agentes em produção que dependem de pesquisa web enfrentam hoje um problema de latência e de custo por chamada quando usam APIs de motores generalistas. Um índice construído de raiz para esse padrão de acesso - consultas estruturadas, alta frequência, sem interface gráfica - pode reduzir ambos. É essa a proposta que a Keenable levou a investidores.

O financiamento chega numa semana em que a camada de infra-estrutura para agentes concentra atenções. A General Intuition, que desenvolve um modelo de fundação para agentes que operam no espaço físico, está em conversações para levantar capital a uma avaliação pré-money de seis mil milhões de dólares, com a Valor Ventures e a Point72 como novos investidores, de acordo com o TechCrunch. O foco é robótica, mas o modelo subjacente - agentes que raciocinam sobre movimento e contexto espacial - partilha a mesma premissa: os agentes precisam de infra-estrutura própria, não de adaptações do que foi construído para humanos.

Entretanto, a OpenAI disponibilizou o GPT-5.6 no Kiro, o seu ambiente de desenvolvimento integrado, com o argumento explícito de melhor relação preço-desempenho para developers que usam o modelo em ciclos de planeamento, revisão e teste de código, segundo comunicado da própria empresa. O movimento confirma a tendência de segmentação de modelos por caso de uso e sensibilidade ao custo, em vez de um único modelo de topo para tudo.

Portugal & Espanha
El País

Madrid cria registo de lobbies por decreto após bloqueio parlamentar

O Conselho de Ministros espanhol aproveitou a mesma sessão para avançar com um anteprojecto de reforma das leis de estrangeiros e asilo, no contexto da crise de Ceuta.

O Governo espanhol aprovou por decreto a criação de um registo público de grupos de interesse, contornando o bloqueio do Congresso à aprovação de legislação sobre a matéria, segundo o El País. O executivo pretende identificar quais as entidades com actividade de influência e quais os responsáveis públicos susceptíveis de a receber.

Na mesma sessão do Conselho de Ministros, foi aprovado um anteprojecto de reforma das leis de estrangeiros e de asilo, acompanhado da criação de um mando único para a gestão da crise migratória em Ceuta. A ministra da Defesa, Margarita Robles, afirmou que Ceuta e Melilla 'são espanholas e são intocáveis', após uma cerimónia em Marrocos onde Mohamed VI presidiu a um acto em que as duas cidades foram referidas como 'ocupadas', de acordo com o El País.

Em Portugal, a nova lei do sector de TVDE foi publicada em Diário da República e entra em vigor a 1 de Setembro. Os táxis passam a poder operar como plataformas de transporte, é admitida videogravação nos veículos e o tecto à tarifa dinâmica é eliminado, o que abre caminho a subidas de preço, segundo o Público.

Europa & EUA
Politico Europe

Drones junto a Leipzig põem Merz em alerta máximo

Um terceiro drone e explosivos de uso militar encontrados perto do aeroporto alemão levam o chanceler a falar em ameaça híbrida crescente, enquanto Burnham voa para Nova Iorque para pressionar Trump sobre mísseis Patriot para a Ucrânia.

As autoridades alemãs encontraram um terceiro drone e o que a imprensa local descreve como explosivos de uso militar nas imediações do aeroporto de Leipzig, um nó central de logística de carga e apoio militar. Friedrich Merz declarou que a Alemanha está «sob ameaça» e advertiu que o país se tornou alvo de ataques híbridos, segundo o Politico Europe e o Guardian.

Em paralelo, Andy Burnham prepara uma deslocação a Nova Iorque para a Assembleia Geral das Nações Unidas, onde o primeiro-ministro britânico pretende juntar-se a outros líderes europeus na pressão a Donald Trump para aumentar o fornecimento de mísseis Patriot à Ucrânia. O Kremlin acusou Burnham de querer prolongar o conflito, de acordo com o Guardian.

No plano comercial, o representante de comércio dos EUA foi convidado a deslocar-se à Irlanda em Outubro para negociações com a UE, numa altura em que Washington intensifica a pressão sobre o quadro regulatório europeu, segundo o Politico Europe.

A agência de notação S&P alertou que as vagas de calor que este verão causaram pelo menos 35 000 mortes em excesso na Europa - número parcial, segundo o Guardian - poderão afectar os resultados das seguradoras, com um aumento de sinistros associados a mortes e doenças relacionadas com o calor.

O Vigia · as quatro medalhas do dia
As quatro medalhas do diaOUROPRATABRONZELATA
Friedrich Merz
Ouro
Friedrich Merz
Chanceler alemão que descobriu que governar a Europa mais poderosa do mundo inclui drones militares no jardim.
Terceiro drone e explosivos de uso militar encontrados perto do aeroporto de Leipzig, nó central da logística militar europeia.
Quando o inimigo ensaia no teu quintal, reagir com clareza conta. Merz nomeou a ameaça sem eufemismos. É o mínimo, mas hoje o mínimo destaca-se.
Keenable
Prata
Keenable
Startup que percebeu que os agentes de IA não lêem — executam — e foi buscar 26 milhões para cobrar portagem nessa diferença.
Ronda seed de 26 milhões liderada pela Accel para índice de pesquisa desenhado para agentes, não para humanos.
A camada de permissão invisível entre o agente e o mundo vale muito mais do que 26 milhões. A questão é quem fica com esse valor — e não é o criador de conteúdo.
António Guterres
Bronze
António Guterres
Secretário-geral da ONU, o único cargo no mundo onde podes avisar toda a gente e ninguém é obrigado a ouvir.
Guterres alertou as superpotências para os limites do seu poder, invocando a Europa multipolar de 1914 como espelho incómodo.
O aviso é certeiro e a analogia histórica é das melhores que se pode fazer. Pena que os destinatários tenham desligado o telefone da ONU há algum tempo.
Thames Water e congéneres
Lata
Thames Water e congéneres
Empresas privadas de água inglesas: pegaram num monopólio natural, encheram-no de dívida e mandaram a conta aos consumidores. Inovação britânica.
Editorial do Guardian e coluna de Devi Sridhar recordam o desastre da privatização da água em Inglaterra, enquanto a Escócia pública não tem o mesmo problema.
Quarenta anos para provar que água e accionistas não combinam. A Escócia ficou de fora e chama-lhe senso comum. O sul chama-lhe socialismo radical. A factura é de quem?
O Farol · edição de terça-feira, 25 de agosto de 2026 · gerado às 15:02 · arquivo · PDF
Fotografias creditadas aos respectivos autores. Nenhuma fotografia de actualidade é gerada por IA — o retrato de José Leonelas é a ilustração de um colunista fictício.