
Escalada entre EUA e Irão dispara petróleo e juros da dívida
Novos ataques dos Estados Unidos ao Irão elevam o preço do gás europeu a máximo de três anos e travam obrigações soberanas a nível global
Os Estados Unidos lançaram novos ataques contra o Irão, numa escalada que reacende o conflito entre os dois países e que já se sente nos mercados de energia e de dívida, segundo o Financial Times. O preço do gás natural na Europa atingiu o nível mais alto em três anos, alimentado pelo receio de um regresso a um conflito aberto na região, avança o mesmo jornal.
A tensão geopolítica juntou-se a uma venda generalizada de obrigações a nível mundial, que já vinha a acelerar antes da nova escalada. O Guardian noticia que os custos de financiamento do Reino Unido subiram, complicando a preparação do primeiro orçamento do ministro das Finanças britânico, John Healey. Os rendimentos da dívida norte-americana atingiram máximos do dia à medida que os investidores temem um novo surto de inflação, segundo o Financial Times.
O encarecimento do petróleo já chega ao sector da aviação. A Ryanair avisou que as tarifas aéreas na Europa vão subir no próximo ano se o preço do crude se mantiver elevado, e admitiu que algumas companhias aéreas podem falir. A transportadora irlandesa disse ainda estar a cortar as suas metas de passageiros para reduzir a exposição ao que chamou de 'petróleo de Inverno não coberto', segundo o Guardian.
O padrão é conhecido: um choque de oferta de energia empurra a inflação para cima, os bancos centrais ficam mais reticentes em cortar juros e o custo de financiar défices públicos sobe em cadeia, do Reino Unido aos Estados Unidos. Para quem gere capital entre Portugal e Espanha, o efeito directo chega pela factura energética e pelo custo do crédito, ainda antes de qualquer impacto sobre o crescimento.
O que ainda não está claro é a dimensão da resposta iraniana e se a escalada militar se vai transformar num conflito prolongado ou ficar contida a trocas pontuais. Também não se sabe se os bancos centrais vão travar a subida dos juros de mercado com intervenções, nem quanto tempo os preços do petróleo e do gás vão manter-se nestes níveis antes de eventual acalmia.




