
EUA e Irão escalam conflito militar, petróleo dispara
Washington lança novos ataques depois de Teerão responder a bases americanas no Médio Oriente, alegadamente em retaliação por um bombardeamento que matou civis numa festa de casamento
Os Estados Unidos lançaram novos ataques contra o Irão esta semana, numa escalada que a Financial Times descreve como o agravamento de um conflito já em curso. A ofensiva surge depois de o Irão ter atacado bases americanas no Médio Oriente, segundo a BBC, em resposta a relatos de que um ataque americano anterior matou cinco pessoas numa festa de casamento, incluindo uma criança, de acordo com o Crescente Vermelho iraniano. O exército dos Estados Unidos afirmou estar ciente dessas informações e negou visar civis.
A sequência de ataques e retaliações acontece num momento em que a administração Trump tem vindo a redesenhar as relações externas de Washington. A Financial Times nota, numa análise separada, que o presidente norte-americano concebe a ordem internacional como um sistema sem aliados, apenas satélites sujeitos ao poder americano. Essa lógica ajuda a explicar a rapidez com que a Casa Branca optou por responder militarmente, sem sinais visíveis de procura de mediação diplomática.
Os mercados reagiram de imediato. O preço do petróleo subiu com a escalada, reflectindo o receio de disrupção no fornecimento a partir do Golfo Pérsico. As yields do Tesouro americano atingiram máximos do dia, à medida que os investidores voltam a temer um novo surto inflacionário numa economia que ainda não fechou o capítulo dos preços elevados. Para quem gere carteiras entre Lisboa e Madrid, o efeito imediato é duplo: energia mais cara a prazo curto e pressão adicional sobre as expectativas de taxas de juro dos bancos centrais, num momento em que o Banco Central Europeu já navega margens estreitas.
Não há, para já, indicação clara de até onde vai esta escalada nem de que resposta o Irão prepara aos ataques mais recentes de Washington. Também não é certo se os relatos sobre a festa de casamento serão confirmados de forma independente, nem que peso terão nas próximas decisões americanas. A pergunta que os mercados ainda não conseguem responder é se este é um pico isolado de tensão ou o início de um conflito prolongado que force um reajuste duradouro no preço da energia.




