
Venda global de obrigações eleva juros e yen
A subida das taxas de swap no Reino Unido e o disparo do yen mostram que os mercados de dívida voltaram a inquietar investidores em todo o mundo.
Os mercados de obrigações soberanas registaram esta semana uma venda generalizada que empurrou as taxas de swap no Reino Unido para o nível mais alto em três anos, segundo o Guardian. O movimento antecede uma subida esperada das taxas de juro dos empréstimos à habitação, num momento em que milhões de famílias britânicas enfrentam a renovação dos seus créditos.
Em paralelo, o yen valorizou-se de forma abrupta durante a noite, chegando a 157 unidades por dólar, depois de investidores começarem a apostar numa subida das taxas de juro do Banco do Japão, de acordo com o Financial Times. O movimento cambial ocorre no mesmo pano de fundo: a subida do preço do petróleo, que alimenta temores de inflação persistente e obriga os bancos centrais a recalibrar as suas trajectórias de política monetária.
A combinação destes dois sinais, a fuga das obrigações e o reforço súbito do yen, aponta para uma reavaliação mais ampla do custo do dinheiro a nível global. Se as taxas de swap continuarem a subir, os bancos no Reino Unido deverão repassar o encargo aos novos contratos hipotecários nas próximas semanas, agravando a pressão sobre o crédito à habitação. No Japão, um eventual aperto monetário reforçaria o yen face às principais divisas, com efeitos directos sobre exportadores e sobre o financiamento em iene usado por investidores internacionais.
Fica por saber se este episódio marca o início de uma reprecificação duradoura das taxas de juro globais ou se é apenas um sobressalto ligado à subida pontual do petróleo. Também não é claro até que ponto a subida das taxas de swap britânicas se vai transmitir aos mercados de crédito na zona euro, nem quando o Banco do Japão decidirá agir sobre as expectativas que os investidores já colocaram no mercado cambial.




