
LVMH devolve aos mercados o rali da pandemia
O grupo que chegou a ser a empresa mais valiosa da Europa enfrenta agora dúvidas dos investidores sobre o futuro do consumo de luxo, segundo o Financial Times
As acções da LVMH apagaram grande parte da valorização acumulada desde o início da pandemia, quando o grupo francês se tornou, por capitalização bolsista, a empresa mais valiosa da Europa, segundo o Financial Times. O jornal britânico descreve um recuo que inverte anos de ganhos bolsistas construídos sobre a resiliência do sector do luxo durante a crise sanitária.
A explicação avançada pela FT aponta para o desaparecimento gradual daquilo a que chama o "feelgood factor": o efeito psicológico que, entre 2020 e os anos seguintes, levou consumidores com poupança acumulada e poucas alternativas de gasto a comprar artigos de marca em quantidades pouco habituais. Esse impulso está agora a esbater-se e os investidores mostram-se cépticos quanto a uma recuperação da procura para os níveis anteriores.
O momento não é acidental. A correcção surge numa altura em que os mercados europeus reavaliam de forma mais ampla as expectativas de crescimento para sectores dependentes do consumo discricionário, num contexto de juros que ainda não regressaram aos níveis pré-pandemia e de padrões de gasto que parecem ter mudado de forma duradoura, não apenas cíclica.
Segue-se agora um período de escrutínio sobre os resultados trimestrais dos grandes grupos de luxo, LVMH incluído, à procura de sinais de estabilização ou de nova deterioração da procura. Para quem gere capital entre Lisboa, Madrid e os mercados globais, o caso tem peso indirecto: a LVMH continua a pesar nos índices europeus e o seu desempenho funciona como termómetro do apetite dos consumidores mais abastados a nível mundial, da China aos Estados Unidos.
O que ainda não está claro, e a FT não o precisa, é a dimensão exacta da perda face ao pico pandémico, se os concorrentes directos do sector enfrentam a mesma pressão, ou se este recuo marca o fim de um ciclo de crescimento excepcional ou apenas uma pausa antes de uma nova fase de expansão do consumo de luxo.




