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O Farol em Voz Japão sobe juros, Irão agita Ormuz, Claude invade OpenAI 2 min 46 · subscrever
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Manchete
WSJ

Banco do Japão sobe juros ao nível mais alto desde 1995

A subida da taxa de referência para 1,25% torna os activos americanos menos atractivos para os investidores de Tóquio, com potencial efeito em cascata sobre os mercados de dívida globais

O Banco do Japão elevou esta semana a sua taxa de juro de referência para 1,25%, o nível mais alto desde 1995, segundo o Wall Street Journal. A decisão marca mais um passo na saída gradual de uma política monetária que, durante quase três décadas, manteve os juros próximos de zero ou mesmo em terreno negativo para combater a deflação.

A subida chega numa altura em que o Banco do Japão procura normalizar a política monetária depois de anos de estímulo extraordinário, num contexto em que a inflação japonesa deixou de ser o problema que foi durante décadas. O aperto gradual das condições financeiras internas altera os incentivos que, até agora, levavam os investidores institucionais japoneses a procurar rendimento fora do país.

O efeito mais imediato, segundo o Wall Street Journal, é tornar os activos americanos menos atractivos para os investidores de Tóquio. Durante anos, o diferencial entre as taxas japonesas e as taxas americanas alimentou fluxos massivos de capital japonês para dívida do Tesouro dos Estados Unidos e outros activos denominados em dólares, a chamada carry trade do iene. Com o Banco do Japão a subir juros, esse diferencial estreita-se, e parte desse capital pode começar a procurar retorno dentro de fronteiras.

Para quem investe a partir de Portugal ou Espanha, o interesse da decisão está no potencial efeito indirecto sobre os mercados de dívida globais: uma redução da procura japonesa por títulos do Tesouro americano pode pressionar as yields nos Estados Unidos, com repercussões nos custos de financiamento em todo o mundo, incluindo na periferia europeia. Um iene mais forte também altera a equação para exportadores japoneses e para quem detém posições financiadas em iene.

O que ainda não está claro é a velocidade a que o Banco do Japão vai continuar este ciclo de subidas, nem a dimensão real da repatriação de capital japonês que se poderá seguir. Os mercados vão passar as próximas semanas a tentar medir se esta subida foi um ajuste pontual ou o início de um ciclo mais longo de normalização.

Fontes: WSJ
Futebol
Liga Portugal — classificação à 6.ª jornada
# Clube J V E D GM GS DG P
1 Porto 6 6 0 0 15 2 +13 18
2 Benfica 6 5 1 0 21 4 +17 16
3 Sporting 6 4 2 0 15 6 +9 14
4 Santa Clara 6 4 2 0 11 4 +7 14
5 Estrela da Amadora 6 2 4 0 14 12 +2 10

Traço à esquerda: lugar de prova europeia. Fonte: ESPN.

zerozero

Sporting prepara Marítimo com fome de vitórias, diz Sequeira

Enquanto a equipa de Micael Sequeira antevê a receção invertida ao Marítimo, o plantel principal lida com a ausência de Jesse Derry dos relvados e a chamada de Maxi e Zalazar ao Uruguai.

O Sporting recebe esta sexta-feira o Marítimo, às 18h30, num jogo da 11ª jornada da Liga BPI que se disputa de forma invertida. Micael Sequeira, treinador da equipa, destacou na antevisão a vontade e a fome de ganhar que sente no grupo.

No plantel principal, Jesse Derry continua sem espaço. O extremo inglês, de 19 anos, soma apenas 26 minutos oficiais pelos leões e aguarda por uma oportunidade que pode surgir nas provas de Taça, segundo o Record. A chamada aos sub-19 de Inglaterra retira agora o jovem de um período que era tido como fulcral para a sua adaptação.

O Uruguai também pode complicar a vida ao Sporting. Diego Forlán, selecionador celeste, convocou Maxi e Zalazar para os particulares frente a Japão, Coreia do Sul e Índia na próxima janela internacional, de acordo com o zerozero, o que retira dois jogadores ao trabalho de Rui Borges numa fase em que a equipa tenta regressar às vitórias na Liga Portugal, segundo a RTP.

Fora de portas, o Torreense escreveu uma página histórica na estreia europeia do clube. A equipa de Torres Vedras venceu o Lillestrom por 1-2, na Noruega, na primeira jornada da Liga Europa, com Alejandro Alfaro a apontar o primeiro golo europeu de sempre do emblema. O capitão Javi Vázquez garantiu que a equipa "não veio para passear" e o adjunto Carlos Simões classificou o triunfo como "uma vitória de Portugal".

Na Liga Portugal, o FC Porto lidera com 18 pontos, seis vitórias em seis jogos, seguido do Benfica com 16. Os dois discutem o comando da tabela no domingo, no encerramento da sétima jornada. O Sporting soma 14 pontos, no terceiro lugar ao lado do Santa Clara, ambos ainda sem derrotas. Artur, antigo avançado, considerou que o FC Porto está "muito forte coletivamente" e destacou Diogo Costa, Froholdt, William Gomes e Pepê como argumentos para bater o Benfica.

No Funchal, Alexandre Santos deverá mexer no onze do Nacional para a receção ao Famalicão, segundo o Record.

F1 & Ténis
Motorsport

Mercedes dispara na liderança, crise cresce em Ferrari

Vitória de Antonelli no Madring amplia avanço da Mercedes para 145 pontos, enquanto Hamilton nega pressão sobre a estrutura da Scuderia

O Grande Prémio de Espanha, disputado pela primeira vez no circuito urbano do Madring, confirmou o que a temporada de 2026 já vinha anunciando: a Mercedes não tem rival. A vitória de Kimi Antonelli colocou a equipa germânica 145 pontos acima do segundo classificado no campeonato de construtores, uma margem que Toto Wolff descreveu como uma "almofada confortável" e que já permite à equipa desviar recursos para o carro de 2027, segundo a Motorsport.com.

A corrida em Madrid deixou também uma polémica técnica. Lando Norris perdeu posições durante um período de Virtual Safety Car, o que levou Nico Rosberg a propor à FIA o fecho da pitlane ou uma redução drástica do limite de velocidade nessas fases, para evitar que pilotos que entrem nas boxes durante VSC ganhem vantagem indevida sobre quem está em pista, avança a Motorsport.com.

James Vowles, chefe da Williams, defendeu o Madring como um traçado com potencial para se tornar uma referência no calendário, apesar dos problemas logísticos da estreia, segundo a mesma fonte.

Na Ferrari, o ambiente continua tenso. Fred Vasseur negou que a equipa tenha dividido deliberadamente as estratégias de Charles Leclerc e Lewis Hamilton em Madrid para os separar na pista, uma leitura que circulava depois do atrito entre ambos em Zandvoort. Hamilton, por seu lado, desmentiu informações do Corriere della Sera segundo as quais estaria a pressionar a equipa para substituir elementos-chave da estrutura técnica, numa reação também recolhida pela Sky Sports.

Isack Hadjar continua de fora desde a lesão no pulso sofrida na pausa de verão, tendo falhado Zandvoort, Monza e Madrid. Laurent Mekies garantiu que a recuperação do francês está a correr sem complicações. No seu lugar, Yuki Tsunoda soma a terceira corrida consecutiva pela Racing Bulls, com o futuro além desse período ainda indefinido.

A Alpine anunciou Mike Elliott, ex-Mercedes, como novo diretor técnico. O próximo Grande Prémio disputa-se no Azerbeijão, com a particularidade de a corrida se realizar num sábado.

No ténis, Joe Salisbury, seis vezes campeão de Grand Slam em pares e antigo número um mundial da especialidade, anunciou a retirada, segundo a BBC Sport. Em Guadalajara, Marta Kostyuk avançou aos quartos-de-final sem disputar um único ponto, depois de a adversária ter abandonado o torneio.

Mercados & Economia
Movimento da sessão por posiçãoSESSÃO (%)XEON Xtrackers €STR+0.00%IBCI iShares € Inflation +0.15%VGEA Vanguard EUR Govt Bo+0.32%SPXS Invesco S&P 500+0.41%MEUD Amundi Stoxx Europe +0.48%EMIM iShares MSCI EM IMI+1.07%TOTAL+0.51%
O Farol · movimento da sessão

Ormuz sobe tensão, petróleo desce, dívida sobe de preço

Irão diz ter capturado um petroleiro no estreito, mas o Brent recua e as obrigações do Tesouro dos EUA valorizam, sinal de que o mercado lê o incidente de outra forma

A carteira do leitor fechou a sessão a subir 0,51%, com a componente emergente (EMIM, +1,07%) e a europeia (MEUD, +0,48%) a liderarem os ganhos, num dia em que o S&P 500 avançou 1,14% e o Stoxx 600 0,86%, impulsionados pela promessa da Nvidia de duplicar as vendas de chips no próximo ano.

A Marinha iraniana anunciou a captura do petroleiro Trend no estreito de Ormuz, corredor por onde passa uma fracção relevante do petróleo mundial. Seria de esperar um salto no preço do crude. Aconteceu o contrário: o Brent caiu 1,11%. A explicação está na natureza do incidente, que Teerão descreve como uma detenção por travessia ilegal e não como um bloqueio ao tráfego comercial. Sem confirmação de que o fluxo de petróleo esteja em causa, o mercado optou por vender o prémio de risco em vez de o reforçar.

A mesma lógica de cautela explica a queda de 1,18% no rendimento da dívida americana a 10 anos. Numa sessão em que Trump ameaçou travar as trocas com a União Europeia por causa da oferta de associação a Ottawa, capital procurou refúgio na dívida soberana, empurrando preços para cima e rendimentos para baixo. É o mecanismo habitual: risco geopolítico e comercial sobe, procura por duração sobe, custo de financiamento a prazo desce.

O euro valorizou 0,13% contra o dólar e o ouro subiu ligeiramente, 0,08%. Um dólar mais fraco corta nos dois sentidos para um investidor em euros: reduz o valor de conversão de qualquer posição denominada em dólares, mas alivia a factura de quem compra matérias-primas cotadas na mesma moeda, caso do petróleo que já vinha a cair.

A Fitch elogiou a continuidade de políticas em Portugal apesar do ciclo eleitoral e ligou a possibilidade de nova subida de rating à manutenção da trajectória de redução da dívida pública. É um contexto favorável para a dívida soberana em euros, precisamente a posição mais afastada do alvo na carteira: VGEA acumula um desvio de 10 pontos percentuais abaixo do peso definido no plano. Com rendimentos a cair e o apetite por duração a regressar, o próximo reforço mensal aponta naturalmente para esse sleeve, sem que isso implique qualquer aposta sobre a direcção futura dos preços.

Tecnologia
Salesforce

Investigadores usam Claude para invadir repositório da OpenAI

A equipa da Hacktron AI usou o modelo da Anthropic para obter acesso a código interno da OpenAI, um caso que testa os limites da segurança ofensiva automatizada

Uma equipa de investigadores de segurança da startup Hacktron AI conseguiu, a 25 de Julho, aceder a um repositório de software considerado sensível da OpenAI, usando o modelo Claude da Anthropic como ferramenta de ataque. A revelação foi feita pela própria Hacktron num relatório publicado quinta-feira no seu blog, segundo a The Information.

O episódio junta-se a uma lista crescente de casos em que modelos de linguagem são usados não como alvo, mas como agente activo num ataque informático, um dado relevante para quem desenha perímetros de segurança à volta de sistemas que integram LLMs com permissões de execução. A questão deixa de ser apenas se um modelo pode ser manipulado por prompt injection e passa a ser se um modelo pode, de forma autónoma, encontrar e explorar vulnerabilidades em infraestrutura de terceiros.

A TechCrunch nota que este tipo de incidente alimenta um problema já identificado por quem opera agentes em produção: a capacidade de supervisão humana não acompanha o ritmo a que os agentes actuam. A solução que começa a ganhar tracção no sector, segundo o mesmo artigo, passa por usar outros agentes de IA como camada de auditoria e contenção, um padrão de arquitectura em que o controlo deixa de ser humano em tempo real e passa a ser um segundo modelo a validar o primeiro.

Em paralelo, a OpenAI mantém conversações preliminares com investidores para uma nova ronda de financiamento que poderá avaliar a empresa em 1,2 biliões de dólares ou mais, avança a The Information, depois de o CEO Sam Altman ter sinalizado intenções de expansão de capital nas últimas semanas.

Do lado da infraestrutura, a Crusoe fechou uma ronda de 3 900 milhões de dólares para construir centros de dados de grande escala e unidades modulares mais pequenas, as chamadas 'fábricas de IA', segundo a TechCrunch. A operação avalia a empresa em 30 900 milhões de dólares e reflecte a pressão contínua por capacidade computacional dedicada ao treino e à inferência de modelos em escala empresarial.

Portugal & Espanha
El País

Montenegro atribui contenção orçamental a Trump

O primeiro-ministro defende rigor nas contas públicas em vez de medidas de apoio mais robustas, enquanto Madrid enfrenta acusações de manipulação de listas de espera na saúde pública

Luís Montenegro justificou com o contexto internacional, nomeadamente as políticas comerciais de Donald Trump, a opção de manter uma linha orçamental cautelosa, segundo o Público. O jornal nota que o primeiro-ministro não anunciou, na prática, nada além do que já tinha prometido, preferindo salvaguardar o equilíbrio das contas públicas a reforçar o apoio directo aos portugueses.

Em Espanha, a Comunidad de Madrid enfrenta uma acusação de manipulação nas listas de espera da sanidade pública. O El País divulgou correios electrónicos e capturas de ecrã do Hospital Ramón y Cajal que contradizem a versão oficial da Consejería de Sanidad sobre a alteração de prioridade de 57 doentes. O executivo regional nega qualquer irregularidade e atribui o caso a uma leitura distorcida dos factos pelo denunciante.

Em Ceuta, a polícia reorganizou por grupos o traslado de migrantes das praias para o porto da cidade, depois de uma corrida inicial ter provocado uma estampida antes da chegada do dispositivo policial completo, segundo relato em directo do El País.

Europa & EUA
The Guardian

UE propõe ao Canadá estatuto de associado inédito

Trump ameaça com tarifas “muito sérias” se Bruxelas avançar com a ideia lançada por Ursula von der Leyen

Ursula von der Leyen usou o discurso sobre o Estado da União para propor à Comissão Europeia uma aproximação inédita ao Canadá, incluindo a hipótese de uma "associate membership" no bloco, segundo o Politico Europe. A presidente da Comissão associou a ideia à necessidade de a Europa construir alternativas à ordem global em erosão, apontando também para um novo Conselho de Segurança Europeu.

O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, recebeu a proposta com um discurso que o Guardian descreve como desafiador, numa resposta directa às pressões da administração norte-americana. Donald Trump reagiu com a ameaça de impor tarifas "muito sérias" a Otava ou de suspender relações comerciais caso a UE avance com o plano.

Um editorial do Guardian sublinha que não existe, em rigor, um estatuto de "associado" da União Europeia, nem qualquer modelo jurídico pré-definido para essa relação: trata-se, para já, de uma hipótese política sem contornos fixados. O jornal nota que a clareza estratégica de Carney perante Washington contrasta com a falta de rumo do Reino Unido pós-Brexit.

O Vigia · as quatro medalhas do dia
As quatro medalhas do diaOUROPRATABRONZELATA
Banco do Japão
Ouro
Banco do Japão
Banco central que passou trinta anos a viver de juros zero e agora aprende a andar sem rodinhas.
Subiu a taxa de referência para 1,25%, o nível mais alto desde 1995, segundo o Wall Street Journal.
Depois de décadas a exportar dinheiro barato para o mundo, Tóquio fecha a torneira e obriga meio planeta a repensar onde vai buscar rendimento.
Prata
Anthropic
A empresa que vende inteligência artificial "segura" acabou de ver a sua criação servir de gazua.
O Claude, da Anthropic, foi usado por investigadores da Hacktron AI para aceder a um repositório sensível da OpenAI.
A segurança ofensiva automatizada deixou de ser hipótese académica. A ironia de a ferramenta da cautela abrir a porta da concorrência não passa despercebida.
Irão
Bronze
Irão
Regime que adora mostrar músculo em Ormuz, mas hoje só conseguiu assustar os comentadores de bar.
A Marinha iraniana anunciou a captura do petroleiro Trend, alegando travessia ilegal e não bloqueio comercial.
O Brent caiu 1,11% e a dívida dos EUA valorizou. O mercado leu o gesto e decidiu que não valia prémio de risco nenhum.
Luís Montenegro
Lata
Luís Montenegro
Primeiro-ministro que descobriu em Washington a desculpa perfeita para não fazer nada em Lisboa.
Atribuiu a contenção orçamental do Governo às políticas comerciais de Donald Trump, sem anunciar medidas novas, segundo o Público.
Culpar Trump pelo rigor das contas é engenhoso, mas serve sobretudo para disfarçar a ausência de qualquer plano próprio para aliviar a vida dos portugueses.
O Farol · edição de sexta-feira, 18 de setembro de 2026 · gerado às 07:45 · arquivo · PDF
Fotografias creditadas aos respectivos autores. Nenhuma fotografia de actualidade é gerada por IA — o retrato de José Leonelas é a ilustração de um colunista fictício.