
Banco do Japão sobe juros ao nível mais alto desde 1995
A subida da taxa de referência para 1,25% torna os activos americanos menos atractivos para os investidores de Tóquio, com potencial efeito em cascata sobre os mercados de dívida globais
O Banco do Japão elevou esta semana a sua taxa de juro de referência para 1,25%, o nível mais alto desde 1995, segundo o Wall Street Journal. A decisão marca mais um passo na saída gradual de uma política monetária que, durante quase três décadas, manteve os juros próximos de zero ou mesmo em terreno negativo para combater a deflação.
A subida chega numa altura em que o Banco do Japão procura normalizar a política monetária depois de anos de estímulo extraordinário, num contexto em que a inflação japonesa deixou de ser o problema que foi durante décadas. O aperto gradual das condições financeiras internas altera os incentivos que, até agora, levavam os investidores institucionais japoneses a procurar rendimento fora do país.
O efeito mais imediato, segundo o Wall Street Journal, é tornar os activos americanos menos atractivos para os investidores de Tóquio. Durante anos, o diferencial entre as taxas japonesas e as taxas americanas alimentou fluxos massivos de capital japonês para dívida do Tesouro dos Estados Unidos e outros activos denominados em dólares, a chamada carry trade do iene. Com o Banco do Japão a subir juros, esse diferencial estreita-se, e parte desse capital pode começar a procurar retorno dentro de fronteiras.
Para quem investe a partir de Portugal ou Espanha, o interesse da decisão está no potencial efeito indirecto sobre os mercados de dívida globais: uma redução da procura japonesa por títulos do Tesouro americano pode pressionar as yields nos Estados Unidos, com repercussões nos custos de financiamento em todo o mundo, incluindo na periferia europeia. Um iene mais forte também altera a equação para exportadores japoneses e para quem detém posições financiadas em iene.
O que ainda não está claro é a velocidade a que o Banco do Japão vai continuar este ciclo de subidas, nem a dimensão real da repatriação de capital japonês que se poderá seguir. Os mercados vão passar as próximas semanas a tentar medir se esta subida foi um ajuste pontual ou o início de um ciclo mais longo de normalização.
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