
Venda de dívida soberana alastra com petróleo acima dos 100 dólares
Mercado atribui agora 70% de probabilidade a uma subida de juros da Fed em Outubro, agravando o custo do financiamento público a nível global
A vaga de vendas nos mercados de obrigações soberanas alargou-se nesta quarta-feira, com as yields a subirem em simultâneo com a manutenção do preço do petróleo acima dos 100 dólares por barril, segundo o Financial Times. O movimento aperta as contas públicas de governos já sob pressão orçamental, num momento em que o custo de servir a dívida volta a subir depois de um período de relativa acalmia nos mercados de taxa fixa.
O gatilho mais imediato é a reavaliação das expectativas sobre a política monetária norte-americana: segundo o Financial Times, a probabilidade atribuída pelo mercado a uma subida de juros da Reserva Federal em Outubro saltou para cerca de 70%. Combinada com um preço do petróleo persistentemente elevado, a perspectiva de juros mais altos por mais tempo reacende o receio de que a inflação não esteja tão controlada como os bancos centrais gostariam de mostrar.
O efeito imediato é o encarecimento do financiamento para os estados com maiores necessidades de refinanciamento, uma categoria onde a Europa do Sul continua incluída. Ainda assim, o quadro não é uniforme: o próprio Financial Times nota que os mercados emergentes atravessam uma época recorde de emissão de dívida externa, aparentemente indiferentes ao conflito no Irão, às taxas mais altas e a um dólar forte. Essa divergência entre o nervosismo nas dívidas soberanas dos países desenvolvidos e o apetite por risco emergente é, por agora, um dos sinais mais difíceis de interpretar nesta fase do ciclo.
Fica por confirmar se a Reserva Federal avançará de facto com a subida em Outubro, ou se os dados de emprego e inflação divulgados até lá vão travar essa decisão. Também não está claro se o petróleo permanecerá acima dos 100 dólares por razões estruturais ligadas a tensões geopolíticas ou se se trata de um pico temporário. Enquanto essas duas incógnitas não se resolverem, os mercados de dívida soberana deverão continuar voláteis, com consequências directas para o custo de financiamento de economias como a portuguesa e a espanhola.
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