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O Farol em Voz Dívida sobe, petróleo cai, Sporting joga com as contas 2 min 13 · subscrever
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Manchete
The Guardian

Venda de dívida soberana alastra com petróleo acima dos 100 dólares

Mercado atribui agora 70% de probabilidade a uma subida de juros da Fed em Outubro, agravando o custo do financiamento público a nível global

A vaga de vendas nos mercados de obrigações soberanas alargou-se nesta quarta-feira, com as yields a subirem em simultâneo com a manutenção do preço do petróleo acima dos 100 dólares por barril, segundo o Financial Times. O movimento aperta as contas públicas de governos já sob pressão orçamental, num momento em que o custo de servir a dívida volta a subir depois de um período de relativa acalmia nos mercados de taxa fixa.

O gatilho mais imediato é a reavaliação das expectativas sobre a política monetária norte-americana: segundo o Financial Times, a probabilidade atribuída pelo mercado a uma subida de juros da Reserva Federal em Outubro saltou para cerca de 70%. Combinada com um preço do petróleo persistentemente elevado, a perspectiva de juros mais altos por mais tempo reacende o receio de que a inflação não esteja tão controlada como os bancos centrais gostariam de mostrar.

O efeito imediato é o encarecimento do financiamento para os estados com maiores necessidades de refinanciamento, uma categoria onde a Europa do Sul continua incluída. Ainda assim, o quadro não é uniforme: o próprio Financial Times nota que os mercados emergentes atravessam uma época recorde de emissão de dívida externa, aparentemente indiferentes ao conflito no Irão, às taxas mais altas e a um dólar forte. Essa divergência entre o nervosismo nas dívidas soberanas dos países desenvolvidos e o apetite por risco emergente é, por agora, um dos sinais mais difíceis de interpretar nesta fase do ciclo.

Fica por confirmar se a Reserva Federal avançará de facto com a subida em Outubro, ou se os dados de emprego e inflação divulgados até lá vão travar essa decisão. Também não está claro se o petróleo permanecerá acima dos 100 dólares por razões estruturais ligadas a tensões geopolíticas ou se se trata de um pico temporário. Enquanto essas duas incógnitas não se resolverem, os mercados de dívida soberana deverão continuar voláteis, com consequências directas para o custo de financiamento de economias como a portuguesa e a espanhola.

Futebol
Liga Portugal — classificação à 7.ª jornada
# Clube J V E D GM GS DG P
1 Porto 7 7 0 0 18 3 +15 21
2 Benfica 7 5 1 1 22 7 +15 16
3 Sporting 7 4 3 0 17 8 +9 15
4 Santa Clara 7 4 3 0 11 4 +7 15
5 Arouca 7 3 2 2 10 7 +3 11

Traço à esquerda: lugar de prova europeia. Fonte: ESPN.

Record

Varandas invoca Champions para blindar Rui Borges

Presidente do Sporting liga o futuro financeiro do clube ao trabalho do treinador, no mesmo dia em que um ex-candidato às eleições critica o relatório da SAD

Frederico Varandas recorreu à importância dos milhões da Champions para defender Rui Borges, segundo o Público. O presidente do Sporting sublinhou que o crescimento sustentado do clube depende da presença continuada na maior competição europeia de clubes, um argumento que surge no meio de dúvidas sobre o rendimento da equipa.

No mesmo dia, Bruno Sorreluz, que perdeu a corrida presidencial frente a Varandas, voltou a criticar a gestão da SAD nas redes sociais. Segundo o Record, o ex-candidato analisou o relatório financeiro e avisou que o lucro apresentado agora poderá transformar-se em fatura pesada dentro de três anos, em 2029.

Nos relvados, o Sporting segue a sua marcha imparável no futsal. A equipa venceu o Belenenses por 27-43 no Pavilhão Acácio Rosa, na quinta jornada do Campeonato Betclic I Fase, mantendo os 100% de vitórias, de acordo com o zerozero.

Já no futebol feminino, o Sporting perdeu por 4-1 com o Brondby, na Dinamarca, na Taça Europa, enquanto o Torreense venceu o FC Kharkiv por 1-2 na Moldávia, refere o Público.

Um excerto do podcast Canto do Sporting, citado pelo zerozero, voltou a apontar fragilidades defensivas da equipa, descrevendo o que classifica como um medo cénico dos jogadores em cometer erros perante a pressão adversária.

Na Liga Portugal, o Benfica apresentou uma exposição formal ao Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, pedindo sanções por incidentes ocorridos na visita ao FC Porto, no clássico de domingo. Segundo o Público, o clube da Luz considera «inadmissíveis» algumas situações verificadas no Estádio do Dragão.

Ainda na Liga, o presidente da SAD do Famalicão, Miguel Ribeiro, deixou um novo alerta à câmara municipal sobre a falta de um estádio à altura das ambições do clube, avisando que a ausência de uma infraestrutura adequada pode travar o desenvolvimento desportivo, de acordo com o Record.

F1 & Ténis
Formula 1

Baku antecipa corrida e agita luta pelo título

O Grande Prémio do Azerbaijão corre já no sábado e chega com Antonelli a liderar, Norris em recuperação e Russell a lutar contra o próprio carro

O Grande Prémio do Azerbaijão altera o calendário habitual do fim de semana: os treinos livres decorrem já esta quinta-feira, a qualificação fica marcada para sexta-feira e a corrida disputa-se no sábado, um dia mais cedo do que é costume. A mudança foi pedida por Baku por coincidir com o Dia da Recordação no país, segundo a Motorsport.com.

Kimi Antonelli chega à cidade do Cáspio como líder do campeonato, depois de oito vitórias em 14 fins de semana de corrida, uma sequência que o italiano da Mercedes preferiu desvalorizar em conferência de imprensa esta quarta-feira, segundo a Formula1.com.

Lando Norris, que vem de uma pole position e de vitória em Espanha, admite estar a fazer «algumas coisas melhor do que no ano passado», mas confessa que Baku é a única prova do calendário para a qual não estava particularmente ansioso, de acordo com a mesma fonte.

O contraste no campeonato entre os dois pilotos da Mercedes tem gerado comentários. George Russell está a ser obrigado a «reprogramar o cérebro» para conseguir acompanhar Antonelli, na opinião do antigo piloto David Coulthard, citada pela Motorsport.com.

Do lado da McLaren, o comentador Jolyon Palmer sugeriu que Oscar Piastri pode precisar de um reset de Inverno depois de uma época difícil, contrastando o oitavo lugar do australiano em Espanha com a pole e a vitória do companheiro de equipa Norris no mesmo fim de semana.

Lewis Hamilton, entretanto, saiu em defesa da época da Ferrari, considerando que terminar entre os três primeiros do Mundial de Construtores seria «uma grande conquista» para a equipa de Maranello, num ano marcado por críticas persistentes, segundo a Sky Sports.

Williams prepara para Baku o pacote de melhorias mais aguardado da temporada, mas Carlos Sainz e Alex Albon mantiveram-se cautelosos nas antevisões à imprensa, evitando prometer um salto imediato de competitividade, de acordo com a Formula1.com.

Mercados & Economia
Movimento da sessão por posiçãoSESSÃO (%)IBCI iShares € Inflation -0.33%VGEA Vanguard EUR Govt Bo-0.09%XEON Xtrackers €STR+0.01%MEUD Amundi Stoxx Europe +0.11%EMIM iShares MSCI EM IMI+0.52%SPXS Invesco S&P 500+0.65%TOTAL+0.26%
O Farol · movimento da sessão

Petróleo cai 4,8% com trégua prolongada entre EUA e China

Bessent estende o acordo comercial temporário por mais dois meses no mesmo dia em que Trump recebe Xi Jinping em Washington, e o crude afunda-se com o alívio do risco geopolítico

O dia nos mercados ficou marcado pela cimeira entre Donald Trump e Xi Jinping, a primeira visita de Estado do líder chinês aos Estados Unidos em mais de uma década. Em paralelo, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, anunciou a extensão por dois meses do acordo comercial temporário assinado no ano passado, segundo o Jornal de Negócios.

O Brent caiu 4,78%, a maior descida entre os activos seguidos hoje. A trégua comercial reduz o prémio de risco geopolítico embutido no preço do crude e o mercado lê a extensão como sinal de que Washington e Pequim preferem gerir tensões a escalá-las. Do lado da oferta, a Casa Branca pondera proibir durante 90 dias as exportações de gasóleo dos Estados Unidos, uma medida que, segundo o Politico, visa baixar o custo da energia interna antes das eleições intercalares de Novembro. O efeito é distinto do Brent: mais gasóleo retido no mercado doméstico americano tende a aliviar preços domésticos, mas não altera o balanço global de crude que o Brent reflecte.

O rendimento da dívida norte-americana a 10 anos subiu e o dólar valorizou, com o EUR/USD a recuar 0,59%. Um dólar mais forte tem efeito duplo para quem investe em euros: encarece a conversão de activos denominados em dólares no curto prazo, mas beneficia o valor em euros de posições já detidas em acções ou dívida americana quando o câmbio se aprecia. No BCE, Philip Lane discursou sobre as perspectivas da economia da área do euro, no mesmo dia em que o Nikkei subiu 1,17% e o Stoxx 600 e o DAX fecharam no vermelho, sinal de que a leitura da trégua comercial não foi uniforme entre praças.

A carteira do leitor subiu 0,26%, puxada pelos emergentes (EMIM, +0,52%) e pela componente accionista americana (SPXS, +0,65%), enquanto a dívida soberana em euros (VGEA) ficou praticamente parada, com -0,09%. É precisamente VGEA o sleeve mais subponderado face ao plano, 10,3 pontos percentuais abaixo do peso-alvo de 28%. Um dia de subida generalizada de yields não muda essa distância: o próximo reforço mensal, segundo a regra de ir ao sleeve mais desviado, continua a apontar para a dívida soberana em euros, não para as acções que hoje performaram melhor.

Tecnologia
Google

Corte de preços redesenha compra de IA empresarial

Modelos open source e descontos de Anthropic, OpenAI e Amazon pressionam margens, enquanto Google aproxima o lançamento do Gemini 4 e Meta expande o agente Muse ao retalho

A pressão sobre o preço dos modelos de linguagem tornou-se o tema central da conferência AI Agenda Live, promovida pela The Information em São Francisco. Segundo o meio, oradores presentes disseram que a existência de modelos open source, somada aos cortes de preço lançados por Anthropic e OpenAI, está a permitir que clientes empresariais contenham custos sem sacrificar desempenho, um sinal directo para quem decide arquitectura de inferência em produção.

No terreno da concorrência, o responsável pela DeepMind afirmou esta quarta-feira que a Google está próxima de lançar o Gemini 4, o seu modelo de topo, de acordo com a The Information. O anúncio surge depois de a empresa ter ficado atrás de rivais em ciclos anteriores, e reforça a lógica de que a próxima geração de modelos entra num mercado já habituado a preços mais baixos.

A Amazon juntou-se à onda de descontos ao anunciar, também esta quarta-feira, que vendedores na sua plataforma de comércio electrónico terão 12 meses de acesso gratuito a software de IA, segundo a The Information. O meio nota que o sector parece ter regressado a uma fase de subsídio agressivo para captar utilizadores de agentes.

No capítulo dos agentes em produção real, a Meta anunciou parcerias de retalho para o seu agente Muse com a Walmart e outras cadeias, dias depois de a Amazon ter bloqueado o acesso desse mesmo agente ao seu site de compras, segundo a The Information. O episódio ilustra a disputa por controlo de dados de transacção entre plataformas que competem pelo mesmo espaço de agentes de compra.

Do lado empresarial não retalhista, a Salesforce descreveu como a Penn State e a DePaul University estão a usar agentes de IA para ligar dados fragmentados entre departamentos e assumir tarefas administrativas rotineiras, um caso concreto de agentes a operar fora do laboratório.

Por fim, no financiamento da infra-estrutura que sustenta toda esta corrida, Jas Khaira, responsável pela equipa de investimento em IA da Blackstone, disse que a firma ainda está a avaliar que tipo de investidores estará disposto a financiar o volume de capital necessário para continuar a expansão, segundo a The Information.

Portugal & Espanha
Expresso

Crise dos combustíveis aperta contas em Lisboa e Madrid

A subida do petróleo obriga governos a repetir apoios de emergência, mas com menos espaço orçamental do que em crises anteriores

A escalada dos preços do petróleo nas últimas semanas voltou a colocar os governos europeus a anunciar medidas de mitigação, mas as pressões orçamentais são agora mais altas do que em episódios anteriores de crise energética, segundo o Público.

Em Portugal, o vice-presidente do PSD, Sebastião Bugalho, admitiu ao Público que a actual crise dos combustíveis representa para a AD o que a pandemia de covid-19 foi para o executivo de António Costa, um teste à capacidade de resposta sem margem financeira folgada.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, classificou nas Nações Unidas o aumento dos combustíveis como uma "realidade absurda e insensata", reafirmando, segundo o Expresso, que Portugal está "na linha da frente da transição energética".

Do outro lado do Atlântico, a administração Trump pondera proibir durante 90 dias as exportações de gasóleo dos Estados Unidos, numa tentativa de baixar o custo da energia antes das eleições intercalares de Novembro, avança o Expresso, citando o Politico.

Europa & EUA
The Guardian

Divergência de normas custa à Grã-Bretanha 6,5 mil milhões

Um estudo do IPPR liga a perda de exportações à ausência de um acordo com Bruxelas sobre testes de produtos, enquanto Tony Blair pede ao Reino Unido que trabalhe para regressar à UE

O Reino Unido perde até 6,5 mil milhões de libras por ano em exportações para a União Europeia devido à falta de alinhamento entre normas de testagem de produtos britânicas e comunitárias, segundo um estudo do think tank IPPR citado pelo The Guardian.

A investigação estima essa perda em 0,18 por cento do rendimento nacional britânico e atribui-a à ausência de um acordo com Bruxelas que permita às empresas eliminar testes duplicados, o que já levou várias companhias a abandonar o mercado europeu.

O antigo primeiro-ministro Tony Blair defendeu, segundo o mesmo jornal, que o Reino Unido deve trabalhar para regressar à UE na próxima década, aumentando a pressão sobre o líder trabalhista Andy Burnham para que reveja a posição do partido sobre o Brexit.

Uma sondagem citada pelo The Guardian sugere que um compromisso nesse sentido poderia beneficiar eleitoralmente o Labour, num momento em que o debate sobre a relação com Bruxelas volta a ganhar centralidade na política interna britânica.

O Vigia · as quatro medalhas do dia
As quatro medalhas do diaOUROPRATABRONZELATA
Scott Bessent
Ouro
Scott Bessent
O secretário do Tesouro que descobriu que adiar problemas também é uma política económica.
Estendeu o acordo comercial temporário com a China por mais dois meses, no mesmo dia em que Trump recebia Xi Jinping em Washington.
O Brent caiu quase 5%. Nem resolveu nada, mas comprou tempo, que é o que os mercados mais pedem esta semana.
Sebastião Bugalho
Prata
Sebastião Bugalho
O vice-presidente do PSD que gosta de comparações grandiosas para problemas com bomba de gasolina.
Comparou a crise dos combustíveis ao teste que a pandemia representou para o governo de António Costa.
A analogia é ousada. Resta saber se a AD tem a mesma margem orçamental que Costa teve, ou só a mesma retórica de emergência.
Bronze
Tony Blair
O ex-primeiro-ministro que nunca deixou de achar que sabe melhor do que quem está no cargo.
Defendeu que o Reino Unido deve trabalhar para regressar à União Europeia na próxima década.
Fácil pedir de fora o que custou uma carreira a negociar de dentro. O IPPR já pôs números à conta: 6,5 mil milhões de libras por ano.
Sam Altman
Lata
Sam Altman
O empresário que vende inteligência artificial como quem vende seguro contra o produto que ele próprio fabrica.
Editorial do Público pergunta se está a vender-nos o fim do mundo, ao mesmo tempo que pede regulação para o que vende.
Nenhuma empresa em juízo perfeito diria que o seu produto pode matar o cliente. A menos que o medo também venha embalado e com preço.
O Farol · edição de quinta-feira, 24 de setembro de 2026 · gerado às 08:01 · arquivo · PDF
Fotografias creditadas aos respectivos autores. Nenhuma fotografia de actualidade é gerada por IA — o retrato de José Leonelas é a ilustração de um colunista fictício.